Entender para atender
22 abril 2018 |
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– O Atendimento Infantil –

O conhecimento de alguns princípios da Psicologia é fundamental para o profissional que trabalha com crianças pois, estes auxiliam no entendimento das reações das crianças antes e durante o tratamento dentário, bem como na orientação e abordagem aos pais. Quando se trata de atendimento infantil, é preciso ter ciência do desenvolvimento somático (motricidade, fala) e emocional (comportamentos sociais, adaptações e personalidade), a fim de que estas informações direcionem o relacionamento durante o tratamento dentário, tornando-o mais fácil e positivo. Através desse conhecimento é possível saber o grau de sociabilidade da criança, permitindo compreender, por exemplo, o tempo de sua permanência sentada na cadeira, bem como, sua motricidade. Uma criança com idade entre um 1 ano e meio a 3 anos  consegue ficar sentada na cadeira de atendimento cerca de 10 a 20 minutos enquanto uma criança entre 3 a 5 anos de idade fica até 30 minutos sentada. Assim, é possível traçar o perfil aproximado de uma criança, respeitando-se suas características.

Conhecer o grau de aprendizagem e raciocínio consiste em saber da capacidade da criança de se adaptar às mais diversas situações, bem como o vocabulário que vai desde o balbuciar até a construção de frases e entendimento de diversas palavras. Um atendimento sem esses princípios básicos de Psicologia podem  causar danos aos mecanismos emocionais da criança. Um exemplo seria a tentativa de eliminar o hábito de sucção de dedos, ranger os dentes ou roer as unhas sem os recursos que a psicologia fornece; dessa forma o que veríamos seria a mudança do local do hábito, ou seja, ela deixaria de sugar o dedo mas passaria a exercer outro hábito; apenas mudaria a forma do hábito.

Na primeira consulta, onde são obtidas informações através dos pais ou responsáveis, ocorre o primeiro contato do profissional com a criança. Este é o momento mais importante de todo o tratamento, pois pelo método da observação o cirurgião-dentista consegue perceber se a criança é do tipo tímida e assustada, retraída, teimosa, ou medrosa. Na anamnese são obtidos dados sobre o desenvolvimento somático e da conduta da criança, entra-se no campo familiar, para saber como se relaciona a família como um todo. São passadas orientações e desta forma é conduzida a relação entre os pais e profissional, traduzindo confiança e confiabilidade, porque somente assim a criança poderá ser tratada com a esperada competência. Por meio de momentos lúdicos com brincadeiras e jogos se inicia a construção de uma relação de confiança entre paciente/profissional que será estendida e aprimorada durante todo o tratamento. A partir daí, os medos e anseios da criança começam a ter outro sentido fazendo com que ela venha para as consultas de uma forma muito receptiva até o momento que, dependendo do tempo de cada criança, as consultas passam a ser momentos prazerosos.

Cabe ao profissional a difícil tarefa de compreender e acompanhar as etapas de desenvolvimento de cada paciente para que o sucesso seja possível ao final do tratamento. Um atendimento bem realizado sempre será aquele feito com conhecimento e amor. Entender para atender.

Dra. Carine Ribas – CRO 16389

Odontopediatria / Ortopedia Facial / Ortodontia