Mal da cultura contemporânea: intolerância à frustração
7 abril 2018 |
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Estamos presenciando uma nova cultura, marcada pela inversão dos valores morais, e uma grande dificuldade em manter a autoridade necessária diante das crianças e adolescentes. A cultura contemporânea é caracterizada pelo consumo de massa, do imediatismo e da medicalização para todos os sintomas, e que está impulsionando novas formas de subjetividade dos sujeitos. Devido a isso, cabe a nós abrir espaço para novas discussões a respeito de educação das crianças.

As crianças estão sendo encaminhadas para ajuda psicológica devido à inquietação em sala de aula, agitação psicomotora, desatenção, dificuldades de aprendizagem, comportamentos desobedientes etc. O que se tem percebido é a baixa tolerância à frustração. Entende-se aqui frustração como “… um sentimento de tristeza ou aborrecimento diante da expectativa não realizada.”. Ou melhor, é a forma como reagimos diante de um planejamento que não saiu como o esperado. As crianças têm respondido de forma agressiva, exagerada, ou até mesmo explosiva nestes casos.

Pais que tendem a superproteger a criança, ou satisfazer suas vontades para que ela não se sinta frustrada, fazem com que seja prejudicada a sua compreensão da realidade de mundo. É necessário dizer “não” para a criança, pois dessa forma estamos desenvolvendo nela a capacidade de adiar gratificações, ou seja, ser mais tolerante, e isso é imprescindível na convivência em sociedade. É por meio dos limites e frustrações que aprendemos as regras e passamos a perceber que nem sempre os nossos desejos serão atendidos imediatamente. Essas vivências auxiliam no crescimento, no aprendizado e na consideração com o outro.

Ensinar isso às crianças desde pequenas fará com que elas se desenvolvam psicologicamente sadias, pois irão promover habilidade de pensar em alternativas, buscar outras respostas, além de estimular a persistência e perseverança diante de situações problemas. Por fim, devemos ajudar a criança a encontrar um equilíbrio entre o que ela quer ou deseja com o que é possível naquele momento!


Louise Zart

Psicóloga, CRP 07/24795

Pós Graduanda em Psicologia Clínica de orientação analítica

Atendimentos na Clinibel, em Ibirubá – Particular e Unimed