Sobre o amor e sobre amar-se…
25 junho 2017 |
Compartilhe:

O mês de junho, entre tantas datas comemorativas, apresenta um dia especial, escolhido para celebrar o amor. Um tipo de amor bem específico, dos namorados, certamente movido por intuitos comerciais, que vêm consolidando uma tradição adaptada e aculturada.  De qualquer forma, é uma boa oportunidade para pensar – e sentir, principalmente – o quanto de amor estamos dispondo para nós mesmos, em nossa vida.

Quando se fala em amor logo vem à lembrança imagens românticas, casais enamorados. Mas, muitas vezes, esquecemos que antes de poder existir este sentimento que une duplas, forma parelhas, há um sentimento primeiro, que nos acompanha desde o primeiro instante de vida e, quiçá, nos dá a mão por toda a trajetória.

Exceto algumas tristes origens, quase todo mundo nasceu como resultado do amor entre duas pessoas e do desejo de corporificar este amor, de torna-lo palpável a ponto de mesclar partes de ambos para dar vida a um novo e singular ser. Nascemos sós, mas poucos são os que desejam ser sós, viver só. Para a sobrevivência o bebê humano precisa, acima de tudo, ser amado. É vital que possa ver-se espelhado no olhar encantado da mãe, que pouco a pouco saiba ser a razão maior de seu viver. Então, viver e amar são verbos que caminham de mãos dadas. Um não tem sentido sem o outro. O amor é o que impulsiona a vida e nos tira de uma existência solitária, mesmo que seja o amor-próprio, porque, para sustentar o amor do outro, é preciso ter condições de sustentar um amar-se.

Amar-se não é o mesmo que “amar se”. “Amo-te se fores como eu quero”. Amar implica poder olhar para o outro que nos olha, é supor que no universo que habita  este “outro” as razões, os afetos e expectativas, cores e sombras, podem ser muito diferentes do que há em si. E, mesmo assim, ter esta incrível disposição em abrir ambos mundos, em um encontro fraternal, ou intelectual, ou sensual, ou tantos outros encontros que podem acontecer. Qualquer forma de vínculo que ousa impor condições já não é vínculo, é submetimento. E deste caminho o amor anda longe!

A indizível essência do amar é o que torna a vida viva, elemento que permite algum tanto de saúde, de acordo com Freud, o que pode ser entendido como uma razoável capacidade de produzir, trabalhar, e amar. Viva o amor!

 

Carolina Camara Soares Pasinato

Psicóloga – CRP 07/14811 – Psicanalista – membro associado de Sigmund Freud Associação Psicanalítica

Psicanálise, Orientação Profissional, Avaliação Psicológica e Desenvolvimento de Pessoas

Fone: (54) 9-8119-3695