Trabalho, exploração e alienação
1 maio 2020 |
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Hoje comemora-se mais um Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador. No momento quando as pessoas têm de ficar em casa isoladas, surge uma nova discussão sobre as relações de trabalho. Passa despercebido, mas só agora, sob uma pandemia, revela-se a importância da força de trabalho e, consequentemente, da preservação da vida. O trabalho, o trabalhador, deixa de ser um ativo, uma mercadoria, um item na planilha de despesas das empresas.

É complicado falar em trabalho no país em que a população recentemente apoiou a perda de direitos ou os entendem como “privilégio”, o que mais tarde resultou em aumento do desemprego e na precarização do trabalho. Não foi por falta de aviso, mas há quem ainda entenda isso como uma política correta.

A atividade através da qual o homem produz sua própria existência, o trabalho implica de forma determinante na construção do sujeito através da história. Nos dias atuais intensifica-se a relação entre trabalho e consumo, ou seja, as pessoas trabalham para comprar coisas, incluindo aí itens subjetivos, como status social, uma felicidade maquiada.

O termo “trabalho” tem origem da palavra latina “tripalium”, que significa instrumento de tortura. O trabalho já foi considerado uma atividade menor, depreciável, destinada a classes inferiores da sociedade – os gregos acreditavam que o homem livre tinha dignidade no ócio criativo. A escravidão era natural em diversas civilizações, motor do desenvolvimento das mais proeminentes.

Quantas pessoas conhecemos que dedicaram a vida inteira no mesmo trabalho, à mesma empresa… isso não pode ser encarado tão somente como a troca do tempo de vida por dinheiro. As pessoas são entes pensantes com direito ao lazer, saúde e educação, e também a ampliar o seu potencial. Vários países, em especial na Europa, chegaram a um estado de bem-estar social.

No Brasil, que recentemente voltou a adotar a política neoliberal, não é exagero dizer que se vive uma escravidão moderna. É uma situação que tende a agravar-se, tendo em vista a inexistência de políticas públicas que conduzam e organizem a produção e a economia, ainda acreditando que  o mercado tem a capacidade de regular e equilibrar as demandas da sociedade. Como, por exemplo, a indústria farmacêutica abrirá a mão do lucro para eliminar as doenças de quem não pode pagar?