Saúde
Aumento de depressão e tentativas de suicídio nas festas de final de ano: alerta!
24 dezembro 2018 | Saúde
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Por: Maria Eduarda Rossato Facco*

Psicóloga (CRP 07/25102), especialista em crianças e adolescentes

 

Para muitas pessoas, é comum que as festas de final de ano sejam um período alegre e de comemorações. Momento de confraternização, troca de presentes e de afeto entre famílias. Mas para uma parte expressiva da população, as alegrias dão lugar a angústias, dor, melancolia e sentimento de vazio. Segundo estimativas, as incidências de casos de depressão e suicídio (ou tentativas) aumentam em 40% nestas datas.

Os motivos são diversos. Junto às comemorações e alegrias de mais um ano findado, há um balanço entre os planos feitos no início do ano presente que não foram cumpridos e a ansiedade do ano vindouro. Tal balanço coloca em análise a frustração e a ideia de ter falhado, que aparecem juntamente com outros sentimentos como a solidão, tristeza, saudade de quem já partiu, lembranças da infância e arrependimentos que assombram, causando maior dificuldade em ficar alegre nestes momentos de festividades.

Isso acontece, em um primeiro momento, porque somos bombardeados com campanhas natalinas e de final de ano que nos impõem uma realidade fictícia – ninguém é feliz o tempo todo! As festas de família nem sempre são maravilhosas e cheias de alegrias como os meios de comunicação nos direcionam a seguir: e está tudo bem! Todo mundo possui um parente não tão legal assim, um colega de trabalho inconveniente e não existe obrigação nenhuma em não sentir-se confortável perto deles. Acontece que, durante o ano, tentamos impedir o contato com os mesmos e nas festas de final de ano, não temos como evitar depararmo-nos com eles. O alerta acontece quando este encontro é combustível para uma escalada de sentimentos desagradáveis e temíveis. Então, aquilo que, de início parece torpe, passa a ser uma bola de neve de sentimentos ruins e de imensurável dor.

“É frescura”! Não. Muito pelo contrário. A ideia de encerramento de ciclos pode ser algo aterrador para muitas pessoas. E o que grande parte dos pacientes diagnosticados com depressão ou mesmo com ideação suicida relatam é que o sentimento que toma conta nestas (e noutras) datas, além da solidão, culpa e frustração é o de incompreensão por parte de seus familiares, colegas e amigos, justamente por este ser um período em que se é exigido um bem-estar geralmente fictício. Quem sofre de depressão não vai melhorar milagrosamente apenas porque é final de ano – as alegrias “contagiantes” do Natal e Réveillon não contagiam a todos e a imposição de que “é preciso contagiar-se” faz com que o sentimento de culpa por não conseguir fazê-lo aumente nestes pacientes.

Outro fator de temor e de aumento de casos de suicídio ou tentativas é o fato de que nestas datas é necessário pensar sobre futuro e passado concomitantemente. “O que eu fiz e poderia ter feito mais” e “o que vou fazer a partir de agora” são fatores temidos por qualquer pessoa, mas para os pacientes diagnosticados são sentimentos ainda mais difíceis de encarar. A pressão de pensar em ambos traz culpa por não ter concluído tais planos e medo do desconhecido através do ano que se inicia. Dor tão grande que rasga o peito e faz com que a vontade de viver vá se esvaindo por entre as datas.

Está tudo bem se você não conseguir fazer ou concluir plano algum. Geralmente os planos que fazemos no início do ano não são concluídos e nem ao menos começados – com você não é diferente. É por isso que estas datas existem: para que não percamos a vontade de recomeçar e no ano seguinte fazermos mais planos que não iremos concluir a tempo. Ter vontade de recomeçar, mesmo que seja a passinhos de bebê, já é a essência destes momentos. Por estes motivos é que é fundamental o apoio e compreensão da família – nem todos sentem estas datas da mesma maneira, a psiqué atua de formas diferentes em cada um de nós. E no ano que vem a gente recomeça, cai e tropeça, mas continua a andar. Esta é a grande sacada dos finais de ciclo: a continuação.

Família e amigos devem ficar alertas para quaisquer verbalizações ou expressões de comportamentos suicidas ou de melancolia excessiva e procurar ajuda o mais rápido possível. Depressão tem tratamento. Quando alia-se a um psicólogo e psiquiatra, o processo de melhora é eficaz e expressivo. Busque ajuda! Viver vale a pena.

 

* Maria Eduarda é Psicóloga, formada pela UPF e Especialista em Crianças e Adolescentes pela Unisinos. Atende em Ibirubá e Passo Fundo.

 

Fone: (55) 99131-6036

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