Saúde
Depressão infantil e os impactos sobre a vida da criança
6 março 2019 | Saúde
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Contrariando o que muitas pessoas acreditam, a depressão também acomete as crianças. A maior dificuldade é compreender quando se trata de sintomas naturais à infância e quando a tristeza se torna uma patologia que exige tratamento e atenção. A depressão infantil é extremamente difícil de diagnosticar, pois pode facilmente ser confundida com birra, crises de agressividade, teimosia, má criação, mau-humor ou tristeza. A grande questão é conseguir perceber a intensidade e a persistência desses sintomas, assim como a forma que eles interferem na rotina e atividades corriqueiras para a criança.

Normalmente a depressão infantil se manifesta a partir de eventos traumáticos à vida da criança e/ou sua família. Mudanças grandes, que exigem emocionalmente da criança, a torna mais suscetível a desenvolver sintomas depressivos, como separação dos pais, perda de uma pessoa importante ou animal de estimação, entrada ou mudança de escola, situações de bullying, chegada de um irmão, mudança de cidade, situações de doença na família, conflitos e desentendimentos corriqueiros no ambiente de convívio.  Fatores genéticos também aumentam o risco de ocorrência dos sintomas depressivos.

Como a criança tem dificuldade de compreender e nomear sentimentos é comum que ela manifeste os sintomas de modo mais amplo, o que exige da família e dos profissionais um olhar mais atento e sensível a qualquer mudança de comportamento.

A depressão na infância é formada pela associação de vários sintomas, dentre os mais comuns destacamos:

  • Agressividade
  • Queixas de dores físicas
  • Dificuldade de se afastar da mãe
  • Falta de prazer em executar atividades
  • Desatenção em tudo que tenta fazer
  • Medos e aflições de abandono e rejeição, não conseguindo ficar sozinha
  • Sentimentos de culpa
  • Dificuldade de concentração, memória ou raciocínio
  • Sensação frequente de cansaço ou perda de energia
  • Sentimentos de desesperança
  • Angústia
  • Pessimismo
  • Falta de apetite
  • Isolamento
  • Apatia
  • Insônia ou sono excessivo que não satisfaz
  • Baixa autoestima e sentimento de inferioridade
  • Dificuldade de aprendizagem
  • Ideia de suicídio ou pensamento de tragédias ou morte

Alguns aspectos do comportamento infantil podem revelar que a depressão esteja se desenvolvendo. É inato e da própria natureza da criança que ela esteja sempre brincando, explorando seu ambiente, fantasiando, criando, na tentativa de descobrir como os objetos e as pessoas funcionam e como ela pode interagir e atuar no mundo. Quando a criança está deprimida esse funcionamento exploratório e de criatividade são alterados.

A criança pode passar a se sentir insegura, retraída, apresentando medos. A ansiedade de separação é bastante comum, quando o pequeno tem extrema dificuldade de se separar das figuras que lhe são referência de amparo e segurança. O desejo e o prazer em brincar e descobrir o mundo podem ser afetados. A agressividade e irritação podem aparecer como sintoma, gerando brigas, conflitos e pouca tolerância à frustração. O brincar e a interação com outras pessoas não ocorre da mesma forma. Assim, crises de birra e choro, são bastante comuns. Da mesma maneira, o apetite e o sono podem estar alterados, quando a criança passa a perder o prazer na alimentação ou ela ocorre de forma bastante seletiva e o sono é excessivo ou escasso, mantendo a criança com queixa de cansaço e pouca energia.

Como a criança está em pleno processo de desenvolvimento e reconhecimento dela própria e do mundo em que vive, apresenta dificuldade em compreender e nomear seus sentimentos. Por vezes, depende de um adulto para dar significado ao que vivencia e ás suas emoções. Por essa razão a criança tende a somatizar seu mal estar emocional, transformando em sintoma físico, pois é mais fácil explicar dores no corpo (de cabeça, no peito, de barriga, entre outros) do que dores de caráter emocional.

Uma criança deprimida perde a iniciativa e tem a capacidade de aprender afetada. É bastante comum que a criança seja encaminhada para avaliações oftalmológicas, investigações clínicas diante das queixas de dores, avaliações para Déficit de Atenção devido a dificuldade de concentração, ou Hiperatividade diante da agressividade e dificuldade de controle de impulso. Porém, atualmente sabe-se que sintomas como dificuldade de concentração, irritabilidade e agressividade, alterações do apetite e do sono, diminuição da atividade física, medo excessivo, duradouro e persistente, são próprios da depressão infantil.

Diante de qualquer sinal de depressão, os pais devem encaminhar para um profissional especializado. O acompanhamento psicológico e acompanhamento pediátrico, associados ao apoio e orientação familiar e escolar, são extremamente importantes nesses casos. Em algumas situações mais graves, a medicação e avalição de outros profissionais especialistas são fundamentais. Procure orientação e ajuda profissional adequada para o seu filho. Depressão infantil é mais comum do que se pensa!

 MAIARA MÜLLER

Psicóloga

Especialista em Saúde Mental

Especialista em Psicologia Infantil

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