Família Gabe: Qual é sua herança ao Município de Ibirubá?
4 fevereiro 2019 |
Compartilhe:

Ibirubá foi colonizado etnicamente por alemães e italianos. As primeiras famílias chegaram em meados de 1900, buscando uma vida melhor. Os Gabe, de origem pomerana, são uma das 24 famílias que se alocaram na ainda Colônia General Osório. A família fez e faz parte do ideário de toda uma geração de ibirubenses, que ainda é conhecida pela marcante e folclórica área, essencialmente verde e natural dentro da cidade, conhecida como “Potreiro do Gabe” ou “Mato do Gabe”. São dezenas de hectares de mata nativa, campo e banhado entre o acesso secundário via Linha Pulador Sul e a Rua Júlio Rosa, que emprestam sua beleza por todas as estações do ano à comunidade.

Os Gabe, tinham uma vida pacata, mantendo a tradição pomerana, uns ajudando os outros, do trabalho dividido, Edgar ajudava no sustento da casa, um dos quatro filhos de Helmut Gabe junto a Hilda, Helma e Paula (única dos quatro irmãos que ainda vive). As mulheres dedicavam-se a vender leite e manteiga, além de cuidar do gado e dos terneiros, já Edgar se responsabilizava a criação de porcos.

Helmut perdeu sua mulher quando a mesma tinha apenas 30 anos, e impôs uma severa educação aos seus filhos. As crianças eram proibidas de se relacionar, o que fez com que nenhum tenha se casado ou tido filhos. Isso com certeza colaborou para o comportamento reservado de Edgar.

Embora a família tivesse desempenhado um importante papel para o crescimento de Ibirubá – Helmut foi um dos 87 fundadores da antiga Cooperativa General Osório, hoje Cotribá – mantinha um relacionamento diferente com seus vizinhos, que entravam no máximo até a área que dava acesso ao interior da casa, e jamais passavam da porta de entrada.

 

O falecimento dos últimos herdeiros

Os rígidos costumes da Família Gabe, especificamente do patriarca, foram mantidos após a sua morte, na personalidade de Edgar que revelava visivelmente traços herdados do pai. Toda esta personalidade causava um certo estranhamento aos vizinhos, e contribuiu para a fama da família e ao mesmo tempo que surgissem lendas e contos a respeito – alguns diziam que o mato era assombrado, outros que havia um tesouro escondido – conta um morador que não quis se identificar.

Embora fosse uma família reservada, Helmut queria construir um asilo na propriedade da família, ainda mais consciente que era do isolamento dos quatro filhos. E tirou do papel a ideia, mas o projeto não chegou a sair do chão. Os tijolos para a obra ainda estão empilhados ao fundo da casa em meio a vegetação de araucárias.

Edgar cuidou das irmãs. Hilda morreu aos 72 anos, Helma aos 77 e Paula recebeu a atenção do caçula até ele sentir que a deixaria primeiro, o que aconteceu em 1º/03/2014.

Na Comunidade Evangélica de Ibirubá, a família era muito atuante, desempenhando papeis na diretoria, e no cuidado do Cemitério Evangélico.

Novos projetos para a área

Em novembro de 2018, a administração municipal anunciou ambicioso projeto que prevê um investimento de R$ 5 milhões na Rua Júlio Rosa, que será transformada em avenida com duas faixas largas (26 metros no total), canteiro central e passeios públicos de três metros de largura. Este empreendimento reforça a ideia de tornar o Potreiro do Gabe um cartão postal de Ibirubá e até mesmo patrimônio histórico, cultural e ambiental, um anseio antigo – e tardiamente crescente – da população.

Entrevistado, o bibliotecário Jorge Gonçalves Ferreira sugeriu a realização de uma ação popular junto ao Ministério Público, coletando assinaturas em apoio para um parque ecológico e cultural, um ponto turístico e área de lazer. Há um grupo que já vem debatendo o assunto.

Porém, toda essa paixão e boas intenções parecem perdidas no tempo, já que o destino do potreiro foi definido há tempos. Empresários adquiriram amplas áreas, que serão loteadas muito em breve, restando somente a mata, no topo da coxilha. Com isso, toda a paisagem natural como é percebida hoje deixará de existir.

FOTO EM DESTAQUE: DANIEL CABALERA