Farsul discute vazio sanitário da soja com produtores e técnicos
11 março 2019 |
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O vice-presidente da Farsul, Elmar Konrad, juntamente com os diretores Hamilton Jardim e Cláudio Duarte, além dos presidentes dos Sindicatos Rurais da Regional 12, o chefe da Embrapa Trigo, Osvaldo Vieira, e o presidente da Fecoagro Paulo Pires participaram de uma discussão sobre a importância do Vazio Sanitário da Soja com produtores e agrônomos da região de São Luiz Gonzaga.

Mesmo com a elevada importância do vazio sanitário, apenas doze estados o adotaram: Tocantins, Maranhão, Pará, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Goiás, Paraná, Minas Gerais, Rondônia e São Paulo. A prática de vazio sanitário não é realizada no estado devido a incidência de geadas, que matam as plantas de soja no inverno que podem transmitir doenças biótróficas. Porém as mudanças climáticas no estado tem diminuindo ano após ano a incidência das geadas e desta forma, as plantas não são mortas e podem transmitir doenças.

Segundo Elmar, a principal pauta da reunião tratava sobre o vazio sanitário da soja, principalmente devido à preocupação dos produtores e técnicos sobre a proliferação das doenças fúngicas e a resistência destas aos defensivos agrícolas utilizados.

“Nos últimos anos, tem sido percebida a ação da natureza contra os defensivos, ou seja, a evolução dos fungos que os torna mais fortes e resistentes aos defensivos. Atualmente existem três grupos químicos de ação de fungicidas na soja, Triazóis, Estrobilurinas e Carboxamidas que são utilizados no controle das principais doenças, o principal problema é o tempo que estes estão no mercado. Há mais de 10 anos não há nenhuma nova formulação de fungicida, e isso contribui para a perda de eficiência desses, hoje alguns produtos atingem apenas 20% da sua eficiência”, disse Elmar Konrad.

Com base no exposto, nos próximos meses o tema deve ser discutido na Secretária de Agricultura do Estado para implantar a prática do vazio sanitário a partir do 1° de junho até 20 de setembro, para evitar a continuidade dos esporos de ferrugem por exemplo, além de medidas para o controle das plantas com ausências de geadas.

Entenda o que é Vazio Sanitário

O vazio sanitário é um período de ausência de plantas vivas (cultivadas ou voluntárias) nas lavouras de culturas como soja, feijão e algodão. Em cumprimento as normativas estaduais neste período, todas as espécies voluntárias, hospedeiras de pragas-alvo e doenças devem ser destruídas mediante o uso de produtos químicos ou métodos físicos, como a utilização de grade, dentro do prazo estipulado.

Nos períodos de vazio sanitário já vigentes, temos destaque para o da soja, que ocorre entre junho e setembro, variando de acordo com a legislação de cada Estado. Esse período sem o cultivo da oleaginosa ocorre para evitar os problemas relacionados ao fungo da ferrugem. Esse fungo é biotrófico, ou seja, necessita de plantas vivas de soja ou outro hospedeiro para sobreviver. Por isso, o período de vazio sanitário diminui o aparecimento de inóculo da doença reduzindo a quantidade de tecido vivo disponível para o fungo, minimizando ou retardando sua ocorrência.

Dentre os benefícios do vazio sanitário destaca-se a queda na ocorrência da doença e/ou pragas-alvo, o que reduz a necessidade de outros métodos de controle e, consequentemente, acaba sendo uma economia nos custos de produção.

O período de ausência de plantas hospedeiras pode ajudar na diminuição populacional de outras pragas, como a mosca branca e a lagarta Helicoverpa armigera, mesmo apresentando outros hospedeiros principais. Essas pragas têm se tornado grande problema, principalmente a lagarta H. armigera, a qual aumentou consideravelmente sua população na última safra e já tem causado danos econômicos muito elevados.