Ibirubá assiste a mais um tratoraço
7 abril 2018 |
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A cidade de Ibirubá viu na tarde de terça-feira, véspera do julgamento do habeas corpus que impediria a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois da condenação em 2ª instância (TRF-4, em Porto Alegre), uma grande manifestação pedindo o fim da corrupção, com representação na sua prisão.

Os veículos começaram a concentrar já cedo da manhã no trevo principal, mas o tráfego não foi interrompido. A PRE esteva no local. Ressaltou-se o caráter pacífico da mobilização, como um movimento social legítimo.

Lideranças ligadas ao agronegócio estiveram no local e depois dirigiram-se às rádios CBS e Ibirubá para falar sobre o assunto. O ato culminou no final da tarde, quando uma grande passeada, com tratores, caminhões e veículos, atravessou a cidade até a Praça General Osório, onde ocorreu um ato público.

A iniciativa foi dos agricultores Maiquel Schiefelbein, os irmãos Paulo e Luis Carlos Magni e Robson Paloschi. O presidente do Sindicato Rural, Elmar Konrad, foi instado a manifestar a posição da categoria e convidou representantes do STR, Clube Amigos da Terra, Acisa e Cotribá para falar nas rádios.

A programação foi organizada para iniciar a partir das 13h, no trevo. Foram comunicados, além da Polícia Rodoviária, a Brigada Militar e o Departamento Municipal de Trânsito.

Segundo Schiefelbein, o foco principal da manifestação era “mostrar para todos e ao STF qual a vontade do povo”, e “demonstrar que nós estamos do lado da lei, independente de quem esteja sendo julgado e que não se pode fazer vista grossa a base de dinheiro sujo”.

Apesar da estreita relação da Farsul com a base ruralista gaúcha no Congresso – especialmente com os deputados Jerônimo Göergen e Luís Carlos Heinze (pré-candidato ao Piratini) e com a senadora Ana Amélia Lemos, foi negada a relação do ato com qualquer grupo político. Mesmo, houve somente algumas poucas manifestações individuais partidárias.

Da mesma forma, não houve relação com organizações tipo MBL ou VPR. “O manifesto foi em ordem democrática, sem vínculo algum a nenhum membro de política ou aliados políticos ou qualquer outra instituição. (Ocorreu) simplesmente pelo fato de que todos entendiam que ‘chega’ de impunidade”, disse Maiquel à Reportagem.

A declaração de Lula de que os grandes fazendeiros são caloteiros e ingratos, ocorrida durante a caravana que passou pelo sul do país recentemente, também foi um elemento que “mexeu com brio dos agricultores… não tem como o pessoal não sair do sério”.

O general

Sobre a polêmica envolvendo declarações de comandante do Exército Brasileiro (EB), general Eduardo Vilas Bôas, o ministro Celso de Mello, o mais antigo do Supremo Tribunal Federal (STF) disse o seguinte: “Intervenções castrenses, quando efetivadas e tornadas vitoriosas, tendem, na lógica do regime supressor das liberdades que se lhe segue, a diminuir, quando não a eliminar, o espaço institucional reservado ao dissenso, limitando desse modo, com danos irreversíveis ao sistema democrático, a possiblidade de livre expansão da liberdade política e do exercício pleno da cidadania”, disse.

Às vésperas do julgamento do STF, Vilas Bôas publicou no Twitter que repudiava a impunidade, afirmando que as Forças Armadas estavam atentas “às suas missões institucionais”.

Prisão de Lula

O juiz Sérgio Moro determinou quinta-feira, 5, a prisão do ex-presidente Lula, condenado em segunda instância no caso do triplex do Guarujá. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) emitiu um ofício dando a Moro autorização para a execução da pena.

O juiz federal deu prazo para que Lula se entregasse até as 17h desta sexta-feira. O petista estava no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), onde se organizou resistência à medida.

Os advogados do ex-presidente apresentaram na manhã de ontem novo pedido de habeas corpus junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para evitar que ele fosse preso nesta sexta-feira.

O pedido argumenta que ainda existem recursos a serem apresentados junto ao TRF-4, e que Moro não poderia determinar o início do cumprimento da pena de 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Representantes do PT avaliam

  Dácio Moraes

Em um momento tão conturbado da história brasileira, o VR ouviu a voz ponderada do vereador Dácio Moraes (PT) sobre os acontecimentos. Sobre os movimentos que pedem o fim da corrupção, Dácio entende o sentimento de revolta, de todo cidadão que trabalha sério e paga seus impostos, também pela falta de retorno em qualidade de vida e serviços devolvidos pelos governos.

“Vivemos um momento de descrença nas instituições públicas, justamente pelo clima de uma grave crise politica que o país atravessa desde a última eleição presidencial”, avalia o vereador ibirubense.

Dácio também retoma que o grupo alçado ao poder, depois da deposição da presidente Dilma, não conseguiu o controle e instalou um projeto de retomada por outras vias, não eleitorais, através da mídia e de influências internacionais, que também estavam envolvidas atendendo seus próprios interesses. “Nisso tudo, evidenciaram-se diversas fraudes financeiras envolvendo políticos de todos os partidos. A população ficou sem saber onde haveria segurança. Isso está muito evidente e é lamentável”, finalizou.