Ibirubá Cidade dos Túneis
6 setembro 2019 |
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Escavações: Clóvis explica o desfecho do caso

O assunto suscita diferentes opiniões, afinal, todos querem saber: e os túneis? Nas duas últimas semanas os debates aumentaram, a mídia local, regional e até estadual acompanha. A investigação teve início em 2015, pelo jornalista Clóvis Messerschmidt, e semana passada renovou interesse com a perfuração de dois pontos indicados pelos geólogos da Ufrgs, que estiveram realizando estudos sobre o tema em junho e dezembro do ano passado. Foi na quarta-feira (28/8).

Clóvis tem publicado uma série de reportagens investigativas em sua Revista Enfoque. Vale ressaltar que o jornalista vem realizando um trabalho independente, e tira dinheiro do próprio bolso para seguir com as pesquisas. Segundo ele, a história remonta ao século passado, quando imigrantes alemães chegaram a Ibirubá.

Em entrevista exclusiva ao Jornal Visão Regional, Clóvis disse que há indícios da utilização dos túneis por nazistas, até mesmo para contrabando e como abrigo de colaboradores de Hitler, que fugiram para a América do Sul e passaram por Ibirubá rumo ao Chile e Argentina. Ele acredita que a construção dos túneis começou bem antes da Segunda Guerra, quando famílias de região construíram abrigos para se proteger dos bandoleiros que saqueavam casas e sítios na região. Depois, aos poucos, a estrutura teria sido ampliada.

Ameaças

O relato é que, durante a última prospecção, a tensão chegou ao extremo: durante o trabalho, o prefeito municipal entrou em contato pedindo para suspender a ação. Em seguida, um cidadão se aproximou e, em tom de ameaça, o coagiu a parar imediatamente, para que não sofresse represálias.

Clóvis decidiu interromper as perfurações, mantendo apenas os dois primeiros buracos. Não foi a primeira vez que sofreu ameaças. Meses atrás, o diretor da Enfoque recebeu uma carta contra ele e sua família, dizendo para cessar com as investigações sobre os túneis.

Investigação

As investigações a campo tiveram o auxílio dos professores Eduardo Guimarães Barboza e Maria Luiza Correa da Câmara Rosa, do Instituto de Geociências da Ufrgs. Maria Luiza coordenou a pesquisa com georradares, que encontraram indícios da existência de vazios no subsolo, embora não haja certeza sobre túneis.

O prefeito de Ibirubá, Abel Grave, garante que o município tem total interesse em esclarecer a questão da existência ou não dos túneis e que inclusive já conversou com o secretário de Obras para analisar os meios possíveis para então abrir a rua à procura das estruturas. Abel salienta que embora isso esteja sendo debatido, deseja realizar tudo de forma coesa, organizada e planejada.

Turismo

Clóvis salientou que a cidade pode ganhar com o turismo. Com os túneis descobertos aos olhos da comunidade, o próximo passo é registrar a pesquisa no IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e dar início ao projeto turístico “Ibirubá – Cidade dos Túneis”, com o tombamento histórico.

Clóvis Messerschmidt, após a decisão de parar com tudo, publicou uma nota:

COMUNICADO – DESABAFO

Venho publicamente comunicar que, infelizmente e com aperto no peito, estou sendo obrigado a passar o comando da pesquisa histórica dos túneis secretos de Ibirubá ao PODER PÚBLICO, em razão de uma situação insuportável e perigosa que estou vivendo. Destaco que estou numa torcida fervorosa para que os trabalhos sejam logo concluídos, pois consegui criar as possibilidades para isso.

Podem ter certeza que foi uma decisão muito difícil para mim, mas as ameaças recebidas inclusive durante as recentes perfurações (uma pessoa apareceu discretamente e me deu o recado), a indiferença de algumas autoridades (que recebem ordens de gente poderosa), além das críticas duras de cidadãos ignorantes e de colegas de profissão prepotentes, foram fatores que me obrigaram a tomar essa atitude radical.

Foram 4 anos de muito trabalho, realizando entrevistas, pesquisas e investigações, tudo com dinheiro do meu bolso, muitas vezes, realizando viagens pelo Estado, pegando carona e contando as moedas para comprar um lanche e pagar o táxi. O meu sentimento é de dever cumprido, pois consegui ir longe, mais do que eu imaginava, mesmo recebendo ameaças e com poucos recursos financeiros, mas sempre com honestidade, prudência e profissionalismo.

Conheci pessoas maravilhosas que compartilharam segredos, conhecimentos e experiências de vida, tudo pensando no melhor ao nosso município. Hoje, estão aí as provas, laudos periciais, testemunhos contundentes e oculares, imóveis com os acessos, além de um local exato nas ruas com algumas das estruturas subterrâneas.

Fico revoltado e decepcionado com aquelas pessoas que não fazem nada pela nossa cidade, sem ter algum interesse próprio, mas são sempre as primeiras a criticar quem está tentando fazer algo positivo e lutando por um bem comum. Ficam muitas perguntas, entre elas: Vocês são perfeitas? Vocês que mandam na cidade? O dinheiro é tudo para vocês? Qual é o legado que vocês deixarão às próximas gerações de ibirubenses?

Dessa vez, a ignorância foi tão grande por parte de alguns, que se acham sábios e donos da verdade, que tiveram a audácia e petulância de irem para as redes sociais e microfones de rádios para debochar e desfazer trabalhos realizados por profissionais altamente qualificados, inclusive com doutorado em suas áreas de atuação.

Desejo muito que a nossa querida Ibirubá seja reconhecida mundialmente como a Cidade dos Túneis, e que a verdade nua e crua possa ser contada definitivamente, sem que alguém receba ameaças e se cale, temendo pela segurança própria e de seus familiares. O clamor público, a voz do povo ecoa para que isso seja uma realidade!

Muito obrigado de coração a todos que acreditaram no meu trabalho, pois foram vocês que me motivaram a chegar até aqui. Hoje, eu conto com material histórico incrível (inclusive com dois depoimentos inéditos e estarrecedores), que pode certamente reescrever a história de Ibirubá e até mesmo do mundo, mas só entregarei às duas universidades que me apoiaram (Ufrgs e UFSM).

Clóvis Messerschmidt