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Pressão sobre o Planalto força revisão na tabela de preço mínimo dos fretes
7 junho 2018 | País
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Medida, que é uma das principais reivindicações dos caminhoneiros, passará por reajustes nesta quinta-feira (7/6) após críticas de diversas entidades empresariais dos setores produtivo e de transportes contra a alta nos valores

Uma semana após o fim da greve dos caminhoneiros, que paralisou o país por 11 dias no final de maio, voltaram a crescer as pressões em torno da implantação de preço mínimo para o frete no país, instalando impasse na Esplanada e ameaça ao acordo aceito pela categoria para dar fim ao movimento. Enquanto o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirma que a medida “será mantida”, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, diz que o instrumento “praticamente inviabiliza o setor produtivo” e terá de ser alterado.

As declarações elevaram a tensão sobre o tema no mesmo dia em que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) anunciou que publicará, nesta quinta-feira (7), nova tabela de preço do frete, abrangendo variedade maior de caminhões. A informação foi confirmada pelo ministro dos Transportes, Valter Casimiro.

Segundo o ministro dos Transportes, Valter Casimiro, a agência entendeu que os cálculos anteriores não contemplavam todos os tipos de veículos, uma vez que o número de eixos pode variar de dois até nove. Pela mudança, o preço fixo será diluído entre os rodados.

Na avaliação de alguns dos setores, como o das transportadoras, o tabelamento pode provocar distorções na economia.

No entendimento de Maggi, tabela prejudica o setor produtivo (Antonio Cruz/ABr)

 

“Depois que saiu a primeira tabela, ao fazer as contas para ver o quanto ia custar, esse negócio ficou fora de qualquer padrão de controle, subindo até duas vezes um frete. A ANTT vai buscar fazer readequação dos valores. Ninguém está querendo fugir do acordo que o presidente (Michel Temer) fez. Agora, que seja justo para todos”, disse Maggi.

Na noite anterior, o titular da Agricultura participou de reunião com representantes do agronegócio, que apontam elevação de mais de 150%  nos custos de operação em razão do piso do frete.  Diversas entidades lançaram críticas à política de preço mínimo no transporte de cargas.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estuda judicializar a questão e estima que o setor de alimentação (incluindo arroz, aves e suínos) será o mais afetado, com reajustes nos fretes superiores a 60%, que deverão ser repassados aos consumidores. O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins da Silva Junior, classificou a medida como “retrocesso”.

Ministro dos Transportes, Valter Casimiro confirmou reajuste na tabela (Valter Campanato/ABr)

 

O caminho dos tribunais foi buscado nesta quarta-feira (6) pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Por meio de mandado de segurança, tenta impedir o tabelamento do frete rodoviário.

“Estamos retornando a um país de 30 anos atrás”, afirmou José Ricardo Roriz Coelho, que assumiu nesta quarta a presidência da Fiesp no lugar de Paulo Skaf (MDB), licenciado para disputar o governo de São Paulo.

Motoristas ameaçam com nova paralisação

A primeira frase de nota enviada à Padilha pelo presidente em exercício da Federação das Indústrias do RS (Fiergs), Cezar Müller, foi taxativa:

“Sr. ministro, o setor industrial está na iminência de paralisar a produção”.

O apelo afirmou ainda que “o tabelamento é uma desastrosa intervenção na economia do país”, mas não parece ter sensibilizado o destinatário.

“A tabela será mantida. Erros ou omissões devidamente comprovados poderão ser corrigidos a qualquer tempo”, sustentou o chefe da Casa Civil.

Padilha e Casimiro se reuniram nesta quarta-feira com representantes de caminhoneiros. O presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, admitiu que a regulação pode sofrer ajustes:

“Podemos fazer aperfeiçoamentos, (…) mas a tabela permanece”.

Outras alterações podem ocorrer mesmo após a publicação da nova tabela. Isso porque a ANTT fará audiência pública para ouvir também o setor produtivo. A possibilidade de mudança irritou representantes dos motoristas, que ameaçam fazer novas paralisações.

“Se essa tabela cair, vai ter uma greve pior que a última”, disse Ivar Luiz Schmidt, do Comando Nacional do Transporte (CNT).

A medida provisória que criou o piso do frete em 30 de maio terá de ser aprovada no Congresso, onde comissão mista foi instalada nesta quarta. Designado relator, o deputado Osmar Terra (MDB-RS) disse que o caminhoneiro será a “principal preocupação” dos parlamentares.

 

06/06/2018 – 22h33min

Atualizada em 06/06/2018 – 22h34min

GaúchaZH

Original em https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2018/06/pressao-sobre-o-planalto-forca-revisao-na-tabela-de-preco-minimo-dos-fretes-cji3uq5yi0b3601pa9pyek2x7.html

Foto em destaque: Blog do Caminhoneiro