Sociedade
Quase cinco anos após o caso de racismo, Maodo Diop, tem cirurgia realizada
14 janeiro 2020 | Sociedade
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Em 2015, Ibirubá foi palco de um dos mais graves atos de racismo da região. Maodo Diop, 34 anos, foi atingido por um tiro de espingarda de pressão e um golpe de facão. Em 2019, a Reportagem do Jornal Visão Regional contou um pouco sobre essa história e os desfechos da justiça. Agora, quase cinco anos após, um processo cirúrgico retirou o projétil alojado.

Em entrevista concedida ao Jornal Visão Regional, o advogado de Maodo, Luiz Alfredo Galas, que também é advogado da Associação Passofundense de Senegaleses, destacou que a cirurgia correu bem, através do Sistema Único de Saúde.

 

Atendimento

Luiz Alfredo Galas ainda destacou que a demora para solucionar o problema mostrou o descaso com a saúde do jovem, que segundo a Associação, Maodo enfrentou a falta de assistencialismo público no caso; falta de compreensão; e falta do encaminhamento da Saúde Pública. Luiz destacou que Maodo ia até a UBS com dor, porém, apenas ganhava calmantes, sem uma solução efetiva. Desde o caso, em 2015, Maodo foi privado de realizar atividades físicas e de lazer, além disso, apresentava dificuldades de desempenho no trabalho e ao caminhar. Além disso, a falta de encaminhamento que Maodo sofreu, o impediu de acessar o afastamento das atividades trabalhistas pelo INSS.

 

Laudos médicos

O primeiro médico a examinar Maodo, urologista, constatou que a bala não afetou a bexiga ou a uretra, e deveria estar alojada na região óssea do local, o que explicaria a dor que Maodo sente, principalmente ao caminhar e urinar. Maodo não tinha condições de pagar um médico particular ou realizar os exames sem ajuda do SUS e mesmo com o laudo do médico dizendo que a bala poderia estar localizada na região óssea, o caso não foi levado para frente e muitas vezes teve ouvir que fingia a dor.

Em meados de julho de 2019, ele finalmente conseguiu um avanço quando realizou dois exames, uma tomografia e um raio-X, para tentar encontrar a bala.

 

O caso

No dia 15 de fevereiro de 2015, um sábado pós carnaval, por volta das 18h, Bassiou saiu para caminhar até a praça do Bairro Progresso, onde reside. Segundo o relato, durante o trajeto, ao passar por um casal, a mulher começou a esfregar os dedos no braço, mostrando a cor da pele, sorrindo para a vítima. Nesse instante, o marido indagou a vítima sobre o motivo de não querer falar com sua esposa. Após o fato, Bassiou foi acertado por um soco e outras três pessoas chegaram e agrediram ele. Depois de conseguir fugir, ele voltou para casa, distante cerca de três quadras, aonde residia com Maodo.

Indignado com a situação e prometendo retornar ao local, Maodo o acalmou e se prontificou em apurar o fato. Ao encontrar o grupo de quatro pessoas, se aproximou perguntando a razão das agressões contra seu colega.

Neste instante o grupo começou a brigar com ele, e um dos integrantes apontou uma espingarda para Maodo. Ele colocou sua mão em frente a arma e abaixou da altura do rosto, dizendo que aquilo não era necessário.

Depois disso ele levou um golpe de facão de um outro integrante e ainda levou cerca de dois tiros. Um na virilha e um no calcanhar. Uma amiga dos senegaleses que passava de carro pelo local e levou Maodo até o Hospital. No hospital e com muita dor recebeu o tratamento inicial, foi encaminhado a Cruz Alta aonde passou por mais exames. Lá, não fora constatado a necessidade da realização de algum procedimento cirúrgico. A Polícia Civil de Ibirubá investigou o fato.