Saúde
Regionalização dos partos: hospital de Ibirubá tem prazo para adequar-se
15 julho 2017 | Saúde
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A Reportagem do VR esteve esta semana com a secretária Municipal de Saúde, Carlota Elisa Artmann, para conversar sobre a regionalização dos partos.

A Secretaria Estadual de Saúde, a Coordenadoria Regional de Saúde e o Estado do RS fizeram um levantamento sobre as gestantes e a taxa de mortalidade infantil, revelando que a maior incidência se dá nos municípios de menor estrutura, sem equipes adequadas e atendimento qualificado. Com esta justificativa, decidiu-se por transferir os procedimentos para centros maiores.

A 9ª Coordenadoria Regional de Saúde tem Cruz Alta como referência em partos e também o Hospital de Tupanciretã, municipal. Conforme Carlota, Ibirubá por pouco não ficou fora na reunião de determinou a medida, em abril.

“Penso que o Hospital Annes Dias possui um bom bloco cirúrgico, boa estrutura e profissionais renomados – médico anestesista, quatro pediatras e três ginecologistas. Então, temos uma boa equipe, ainda não totalmente formada, mas temos sim condições de nos tornarmos referência. No ano passado, tivemos 270 partos aqui, e não acho justo transferir todas essas gestantes para Cruz Alta. Prontamente, afirmei que Ibirubá se qualificaria”, explicou.

No final de maio foi dado prazo de 60 dias para o início da adequação do Hospital Annes Dias e faltam algumas adequações em termos do quadro profissional. Se referência, o hospital receberá recursos das três esferas governamentais.

O governo do Estado quer incentivar o parto normal e, então, a cada cesárea realizada encaminhará somente metade do valor normal, encaminhado por parto normal. Os municípios reclamam que o valor é bem menor do que o pago hoje (R$ 3.200 a R$ 3.500).

Critério número de partos

Conforme Carlota, o número de partos exigido pelo Estado para que o município se tornasse referência era de 365 partos/ano. Municípios abaixo disso ficariam de fora, tendo que deslocar suas gestantes para cidades vizinhas. “Fomos procurar por Selbach e Quinze de Novembro (que hoje possui convênio com Ibirubá e Espumoso), os quais já pactuaram conosco. Estamos tentando também fechar acordo com Fortaleza dos Valos (que hoje leva suas gestantes a Cruz Alta) e Colorado. Mas, acredito que com três destes municípios chegaremos aos 360 partos exigidos. Hoje, devido a inúmeras reivindicações, o governo do Estado já está aceitando um mínimo de 250 partos/ano para a regionalização. Mas, até o momento, apenas isso foi revisto, pois a regionalização já é um fato em si e é irreversível, será aplicada”, destacou.

Medida flexibilizada?

“A questão dos partos vai acontecer sim em Ibirubá, só não vai acontecer se não conseguirmos formar a equipe mínima dentro do hospital. E é isso que estamos trabalhando juntamente com o Odair (Funck, administrador do Hospital Annes Dias). Na verdade, nosso período para adequação final é de um ano, a contar do final de maio. Dentro da Grande Porto Alegre tem regionais onde isso já está funcionando, mas a nossa Coordenadoria, especificamente, foi a que mais demorou para fazer a pactuação, pois temos muitos municípios pequenos que contam com boas equipes. Naquele dia da reunião, Ibirubá já estava fora, e conseguimos isso. Foi uma verdadeira conquista, e devemos muito isso a nossa coordenadora da 9ª CRS, Daura, que foi a nossa porta voz, uma verdadeira batalhadora, que brigou por nós e pela região”, contou a Secretária da Pasta.

Implicações do não-cumprimento

“O governo também nos colocou que, no caso de descumprimento da medida, a responsabilidade será do próprio hospital, pois se acontecer algum problema o hospital e o médico irão responder legalmente por isso, pois o Estado irá processar. Se não conseguíssemos convencê-los, Ibirubá ficaria sem partos, portanto agora falta só completarmos a equipe para darmos o primeiro passo. Hoje, somos referência para muitos municípios da região, e, por isso mesmo, estamos dentro da pactuação, senão estaríamos fora. Se não fosse as inúmeras visitas que fizemos a Porto Alegre, não teríamos conseguido. Foi um trabalho diário, de várias pessoas envolvidas e articulações políticas. Onde havia uma luz, nos agarramos. E, felizmente, deu certo. A princípio, estamos aptos na questão da pactuação, não temos a equipe totalmente formada, mas isso é apenas uma questão de dias. Temos um bom bloco cirúrgico e um hospital com 41 leitos, portanto são necessárias pequenas adequações para chegar ao número mínimo de leitos exigidos, que é de 51”, destacou Carlota.

FOTO: Carlota Artmann explicou o processo