Ibirubá
Respirando veneno
9 outubro 2018 | Ibirubá
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Ajude a proteger os seus direitos: denuncie pelo fone (54) 3324-8570 ou no site da Prefeitura

 

Estamos entrando no mês de outubro e devemos fazer uma reflexão: como estará a qualidade do ar que respiraremos no perímetro urbano do município de Ibirubá, qual é a nossa responsabilidade?

Segundo a engenheira agrônoma Ilse T. Luft, “pelos 6 meses seguintes, é necessário a aplicação nas áreas agrícolas de 15 em 15 ou de 20 em 20 dias de agrotóxicos, cada vez mais perigosos, em dosagem cada vez maior, e em varias misturas (que intensificam a ação), para controlar ervas daninhas, insetos e doenças cada vez mais resistentes. Temos hoje fungicidas de amplo espectro sendo usados largamente, que haviam sido desenvolvidos há mais de 40 anos e que voltaram a ser usados porque os novos perderam a eficácia. Serão seguros para nossa saúde hoje? Mas como? Eles não eram seguros há muitos anos atrás, foram proibidos em alguns países por serem cancerígenos, então, pelo menos, que não sejam aplicados e que não venham até nossos pulmões, pois não gostaríamos de vê-los nos alimentos, nem na mais ínfima porção.

Conforme relato da agrônoma, “o agrotóxico pode ir a uma distância muito grande do local onde ele foi aplicado, isto depende da forma como foi aplicado, dos cuidados que o produtor teve, do vento, da localização da área tratada (se ela estiver localizada em terreno mais alto, o produto vai se concentrar nas baixadas e ficar sobre os telhados e no ar, aí então precisamos esperar uma boa chuva para que as partículas se precipitem e cheguem ao solo). Existem produtos muito mais voláteis que outros, que por mais que se tome cuidados, eles têm capacidade de irem muito longe, dependendo onde o vento os levar e podem causar danos.”

Um relatório feito pela organização Human Rights Watch “Você não quer mais respirar veneno”, aponta o Brasil como um dos maiores utilizadores de agrotóxicos no mundo, com um consumo significativo em relação aos demais países, pois a agropecuária é um dos motores da economia nacional. Não obstante, esse consumo inclui alguns produtos que são proibidos em outros países, condenados pela ciência. A Human Rights Watch constatou que, mesmo nos poucos estados que estipulam zonas de segurança para a pulverização terrestre, essas regras são frequentemente desrespeitadas.

É sabido que exposição crônica a agrotóxicos, ou seja, a exposição repetida a doses baixas por um período prolongado também é uma séria preocupação de saúde pública. A exposição crônica a agrotóxicos é associada à infertilidade, a impactos negativos no desenvolvimento fetal, ao câncer e a outros efeitos graves à saúde e mulheres grávidas, crianças e outras pessoas vulneráveis podem enfrentar riscos maiores.

O caso de Rio Verde, no Goiás, foi conhecido no mundo, onde um avião pulverizou uma escola e as crianças sofreram com vários sintomas como dor de cabeça, náuseas, vômitos, frequência cardíaca elevada e sudorese.

No ano passado, tivemos muitos problemas em Ibirubá, principalmente, com árvores de citrus, que são as laranjeiras, bergamoteiras, limoeiros, etc. As frutas que estavam no meio das plantas, ou protegidas de alguma forma, estavam bem normais, enquanto que as frutas que estavam mais expostas; bem na parte superior da planta ou na parte da planta de onde veio a direção do vento com herbicida, as frutas ficaram com a casca marrom, pararam o crescimento e muitas caíram. Muitas plantas também tiveram folhas crespas, amareladas com queda muito antes do tempo normal, e alguns ramos secaram.

A agrônoma Ilse contribuiu muito neste alerta a população, mas deixou claro que o objetivo não é criminalizar ninguém, muito menos o agricultor, cujo trabalho é tão importante para a produção de alimentos, o intuito é fazer um trabalho incansável e em conjunto entre técnicos, empresas, fiscais, setores públicos, escolas, toda a comunidade, para primeiro divulgar, conversar, conscientizar a toda a população e só depois penalizar quem insiste em não cumprir a lei, quem continua a envenenar o ar que respiramos, nas áreas urbanas.

No município de Ibirubá, a Lei complementar Nº 109/2014, Arts. 114 e 115, estabelece uma distância mínima para pulverizações por via aérea de 500m do perímetro urbano e de represas de abastecimento de água para cidades e de 250m de recursos hídricos, e também para pulverizações terrestres de 30m das áreas urbanizadas e o limite das APPs para os cursos hídricos. Portanto, estes limites devem ser respeitados pelos produtores e o uso dos agrotóxicos banidos em áreas de cultivo dentro da área urbana.

A exposição a agrotóxicos pode ter impactos severos aos direitos humanos, incluindo os direitos à saúde, alimentação adequada, água potável e o direito a um meio ambiente saudável e equilibrado. É responsabilidade de todos zelar pelos nossos direitos e cabe ao poder público identificar o mau produtor que se utiliza de práticas e produtos que são prejudiciais a nossa saúde e ao meio ambiente, pensando no lucro a qualquer custo e separá-lo do bom produtor, que são exemplos de pessoas conscientes, sensibilizadas e preocupadas com a qualidade do ar que respiramos.

 Equipe do Departamento de Meio Ambiente da Prefeitura de Ibirubá e Agrônoma Ilse T. Luft