Agricultura Cidade
Seca assola Rio Grande do Sul. Safra recorde descartada
13 janeiro 2020 | Agricultura Cidade
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Pior seca: segundo a Seadpr, é a mais severa desde a safra 2012/2013.

Municípios decretaram situação de emergência. Lavouras de milho e soja sequeiro são as mais afetadas

 

Se nos meses de outubro e novembro a chuva era intensa no Rio Grande do Sul, a ponto de atrasar a semeadura, nos meses de dezembro de 2019 e começo de 2020, produtores de diversas regiões sofrem com a estiagem prolongada. E o cenário não é positivo. Em alguns pontos, os pluviômetros não registram precipitações significativas há mais de 40 dias.

O último boletim divulgado em dezembro o Centro Americano de Meteorologia e Oceanografia (NOAA) manteve a previsão de neutralidade climática, sem El Niño ou La Niña, ou seja, a temperatura do Oceano Pacífico deve ficar dentro da média.

Sem o El Niño a tendência para o estado gaúcho é de menos precipitações e mais calor. As temperaturas devem ficar, constantemente, próximas dos 40 graus e longos períodos sem chuva. A combinação climática não é nada favorável à algumas culturas.

Municípios gaúchos enviaram documentações à Defesa Civil declarando situação de emergência devido à estiagem. Segundo o órgão, as condições climáticas afetam diversas culturas.

A Defesa Civil explicou que o registro de situação de emergência “deve ser relacionado a falta de água para consumo humano e os prejuízos na cultura agrícola de pequenos agricultores, o que interfere na subsistência das famílias”. O município tem 20 dias após a decretação para concluir o processo, o qual possibilita a homologação pelo Estado e reconhecimento pela União.

A Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) apontou esta como a maior estiagem desde 2011, prevendo no milho perdas de pelo menos 30%, cerca de dois milhões de toneladas, segundo os dados da safra de 2018/19. Na soja, as perdas no estado ultrapassam os 15%, cerca de três milhões de toneladas.

 

Situação de emergência

O decreto de situação de emergência é uma iniciativa das prefeituras que visa facilitar o recebimento de recursos e também amenizar os problemas dos agricultores, ajudando também a renegociação de dívidas.

Na região do Alto Jacuí, grande parte do milho foi perdido e em diversas localidades e a soja, já possui perdas visíveis, com a desfolha, o estresse hídrico e abortamento de estruturas reprodutivas. A Emater não tem um número definido, porém, em Ibirubá e Quinze de Novembro as perdas podem chegar a mais de 50%. Agrônomos já verificaram perdas na ordem de 80% a 100%, e não se vê perspectiva de recuperação da lavoura agora nesse momento.

O cenário é o mesmo no resto do estado, segundo a Emater, as lavouras de soja precoces — cultivadas em outubro — sofreram danos irreversíveis e a produção nelas deve sofrer uma quebra de pelo menos 30%. Porém, essas lavouras apresentam cerca de 20% da produção. Cerca de 70% a 80% ainda estão em fase vegetativa e a expectativa ainda é boa, porém é necessário que as chuvas regularizem.

Os municípios de Ibirubá e Quinze de Novembro também decretaram situação de emergência. Embora as chuvas de quinta e sexta-feira tenham alcançado a região, os danos já causados são irreversíveis. Agora só resta esperar para que a chuva normalize e não cause mais estragos.

Alguns produtores, conforme relato ao Jornal Visão Regional, irão cortar o milho seco, mesmo sem espiga e ainda na fase de alongamento do colmo, para replantar a safrinha, para assim tentar recuperar um pouco do prejuízo já causado.

 

Previsão do tempo

Para janeiro, estimasse a precipitação de 150 milímetros para as áreas produtoras, mas até agora alguns locais só registraram 40 milímetros. O menor índice de umidade se localiza na metade sul do estado. Para piorar, as temperaturas voltarão a subir nos próximos dias, elevando a condição da evapotranspiração (relação de água evaporada entre o solo e a planta).

Na quinta-feira à noite a chuva chegou na região, através de uma frente fria que entrou no estado e trouxe chuvas para quase todas as regiões. Em Quinze de Novembro, produtores registraram precipitações que variaram de 20mm até mais de 100mm. Em Ibirubá as precipitações variaram de 10mm até mais de 100mm.

No fim de semana, a frente fria se afasta, mas os resquícios do sistema e também a ação de um corredor de umidade mantém as nuvens de chuva sobre a região.

 

Maiores produtores

Dentre os maiores municípios produtores de soja da Região Sul do País, o Rio Grande do Sul lidera a lista, com 10 representantes entre 15. Esses 10 municípios produziram juntos 16,8% da produção total de soja do Rio Grande do Sul em 2018 e agora enfrentam a estiagem. Alguns deles, já decretaram situação de emergência e a quebra deve superar os 30%.

Confira a lista dos maiores produtores

1º Tupanciretã (RS) – 478 mil toneladas

2º Tibagi (PR) – 396 mil toneladas

3º Júlio de Castilhos (RS) – 332 mil toneladas

4º Cachoeira do Sul (RS) – 329 mil toneladas

5º Cruz Alta (RS) – 326 mil toneladas

6º Cascavel (PR) – 324 mil toneladas

7º Palmeira das Missões (RS) – 318 mil toneladas

8º Castro (PR) – 294 mil toneladas

9º Guarapuava (PR) – 280 mil toneladas

10º Santa Bárbara do Sul (RS) – 279 mil toneladas

11º Jóia (RS) – 269 mil toneladas

12º São Luiz Gonzaga (RS) – 266 mil toneladas

13º São Gabriel (RS) – 254 mil toneladas

14º São Miguel das Missões (RS) – 252 mil toneladas

15º Ponta Grossa (PR) – 251 mil toneladas