Tapera registra o primeiro casamento homoafetivo
8 julho 2019 |
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Casamento aconteceu na semana em que é comemorado o Dia do Orgulho LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e pessoas intersex), em 28 de junho

 

Tapera teve oficializado semana passada, dia 26 de junho, o primeiro casamento homoafetivo. Angélica Rodrigues, 24 anos, e Nathana Corrêa Portela, 21, se uniram em matrimônio no Cartório do Registro Civil de Tapera.

Após se conhecerem no trabalho de Nathana, que trabalha no salão de beleza, as duas saíram pela primeira vez em setembro de 2018. Segundo as meninas, em conversa com a Reportagem do Jornal da Integração, depois deste dia não se separaram mais. “Tu passa um tempo com a pessoa e já sabe se vai dar certo ou não”, falou Angélica, que teve a iniciativa do casamento.

O noivado, em 23 de maio, veio junto dos planos e da história que queriam construir juntas. Angélica saiu do apartamento que morava sozinha e foi morar com Nathana para que a casa própria delas, após ganharem um terreno, fosse construída. “O financiamento e demais procedimentos para a casa tinham que ser tudo em nome do casal. Então pensamos, já que tudo está se encaminhando para se casar, não tem porque não casar”, falou Nathana.

De acordo com o casal, os familiares foram muito receptivos com a situação. O apoio que receberam, tanto da família como dos amigos, foi de extrema importância. “A nossa relação com ambas famílias é super normal. São super apegadas”.

Quando perguntadas sobre o estranhamento das pessoas, declararam: “O estranhamento é normal, até o momento que não ofenda. A gente vive como um casal normal. O respeito que nós, como casal, temos com as pessoas continua da mesma maneira. Os comentários negativos não acrescentam em nada, então a gente vive nossa vida. Não vale a pena esconder, temos que viver o agora. A vida é muito curta para ficar com medo de ser feliz. Devemos aproveitar a cada minuto, amar intensamente.”

Viagem de núpcias: Nathana e Angélica em Gramado

 

 

Casamento gay não é lei, mas direito garantido pela Justiça

Em maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) mudou o entendimento do Código Civil de que a família era formada por um homem e uma mulher. A partir daí, as uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo passaram a ser permitidas. No julgamento em questão, ficou decidido que o reconhecimento das uniões estáveis entre casais gays deveria seguir as mesmas regras e ter as mesmas consequências que aquelas entre casais heterossexuais. Como a decisão dizia que as normas deveriam ser as mesmas, os casais homoafetivos passaram a pedir a conversão da união estável em casamento, o que está previsto no Código Civil. Contudo, muitos encontraram resistência nos cartórios. Em maio de 2013, o Conselho Nacional de Justiça publicou uma resolução que permite aos cartórios registrarem casamentos entre pessoas do mesmo sexo e os proíbe de se recusarem a fazê-lo.