Especial Colono e Motorista Lagoa dos Três Cantos
A escola e as vivências no campo
26 julho 2021 | Especial Colono e Motorista Lagoa dos Três Cantos
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O que se aprende na escola tem relação com a vivência no campo?

 

As presentes ideias têm objetivo de levar um pouco de o que é hoje a vida no campo, na lida diária de crianças e jovens.  Visualizar os conceitos estudados, geralmente, não é tarefa fácil na prática diária. Conforme Lima e Assis (2005, p. 112), “assim, o Trabalho de Campo se configura como um recurso para o aluno compreender o lugar e o mundo, articulando a teoria à prática através da observação e da análise do espaço vivido e concebido”. Mas esse espaço só pode ser vivido e concebido na vivência e convivência dos sujeitos de diferentes gerações.

O passado, animais, o relevo, o solo, a regionalização, a vegetação, os recursos hídricos, o clima, a estrutura agrária, a exploração agrícola, e o desenvolvimento tecnológico – cada vez mais de ponta – são fatores, dentre muitos outros, que contribuem para explicar o presente. E isso fica claro nos depoimentos dos alunos da rede municipal e estadual do município de Lagoa dos Três Cantos:

 

“Aqui no campo, a gente lida com leite, cuidamos do gado, lidamos com lavoura, maquinário, cuida do plantio do pasto, fazemos ração para as vacas, cuidamos dos porcos… É futuro para mim, e quando eu crescer, quero ser veterinária para cuidar dos animais.” Emanuely Elisa Elwanger, 11 anos.

 

“Minha vida na roça tem dias que é complicada. Como a gente lida com vaca de leite, às vezes, elas fogem. Eu não faço serviço muito pesado, eu só ajudo assim, tipo, a tirar as vacas. O pai, quando precisa, eu ajudo. Eu tenho meu servicinho diário: de vez em quando, ajudo a tirar leite, trato as galinhas, os porcos e dou leite pros terneiros. A vida na roça é bem boa, eu gosto de lidar porque no campo tu sempre tem coisa para fazer, tem o que inventar. Já na cidade, não tem tanta coisa assim, nunca tu ficas com tédio no interior…” Luiz Henrique Hanzen Petry, 14 anos – Linha Kronenthal.

 

“Ajudo meu pai na lavoura durante a safra de plantio e colheita. Hoje em dia, a tecnologia tem nos ajudado muito: onde colhíamos 100 sacas de milho por hectare, hoje, com a tecnologia, dá pra colher de 200 sacas pra mais, e assim também é com as outras culturas. O maquinário de alta tecnologia vem facilitando o manejo com menos esforço físico no serviço. As expectativas são que a tecnologia continue evoluindo para que possamos produzir mais na mesma área, e mais barato, e que o clima também seja favorável para uma maior produção.” Fernando Henrique Pauwels, 14 anos – Linha Ogeriza.

 

“Desde pequena, moro na mesma localidade e sou apaixonada pela vida do interior. A partir dos dois anos, acompanhei meu pai (in memoriam) nas atividades agrícolas mais simples, como tratar os animais e, com o passar dos anos, ajudava a plantar e cuidar da nossa propriedade. Meu pai sempre me incentivou a permanecer no campo, e nossa família sente orgulho de ter vivido e permanecido no interior até os dias atuais. A vivência e exemplos que tenho com minha família me ajudaram a escolher minha futura profissão, que será ser médica veterinária. A vida na agricultura traz muitos benefícios a todos, e é de grande importância para toda a região.” Isadora Hartmann, 17 anos, localidade de Vila Seca.