Saúde Selbach
Alimentação e hábitos saudáveis para vencer a obesidade
15 março 2021 | Saúde Selbach
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O dia 4 de março é lembrado como o Dia Mundial da Obesidade, doença que não se traduz em uma questão de estilo de vida, e sim, em uma enfermidade crônica e multifatorial. Em alusão à data, o Jornal da Integração conversou com a nutricionista Juliana Kohler, profissional da Prefeitura Municipal de Selbach e do Hospital Roque Gonzalez, de Tapera.

“A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal no indivíduo. De alguns anos para cá, o número de pessoas com obesidade tem aumentado muito e gerado preocupação. Essa patologia é causadora de uma resposta inflamatória em todo o organismo e aumenta o risco para muitos outros males, além de ser considerada como uma doença crônica. Por isso, ela entrou para a Classificação Internacional de Doenças – CID 10, sendo a obesidade marcada como CID 10- E 66.

Nas causas da obesidade, podem-se incluir diversos fatores, desde genéticos (doenças endócrinas, síndromes genéticas, entre outros) até ambientais (quando, na família, pai e mãe são obesos, a tendência de a criança ser também na idade adulta é de 80%; convívio diário rodeado de alimentos ultra processados, refrigerantes, frituras, salgadinhos de pacote, doces em geral). Por isso, uma das principais causas representa hábitos alimentares incorretos desde a infância e que perduram até idade adulta. Também se pode considerar um fator importante para o acúmulo de gordura o sedentarismo, em que há um excesso de consumo de calorias e, em contrapartida, não há gasto suficiente.

Essa patologia pode ser diagnosticada para crianças por meio de tabelas estratificadas conforme a idade e sexo. Já para os adultos, o parâmetro utilizado mais comumente é o do Índice de Massa Corporal (IMC). O IMC é calculado dividindo-se o peso do paciente pela sua altura elevada ao quadrado, sendo que é classificado como:

Peso normal: 18,0 a 24,9 kg/m²;

Sobrepeso: 25,0 a 29,9 kg/m²;

Obesidade grau 1: 30,0 a 34,9 kg/m²;

Obesidade grau 2: 35,0 a 39,9 kg/m²;

Obesidade grau 3 ou obesidade mórbida: igual ou superior 40 kg/m².

Para idosos (pessoas acima de 60 anos), o valor de 22 a 27 kg/m² é considerado normal, e maior ou igual a 27 kg/m², excesso de peso.

Conforme dados da Vigitel 2019, entre os anos de 2006 a 2019, houve um aumento 11,8% para 20,3% de obesidade no Brasil. Isso significa que dois em cada dez brasileiros estão obesos. Já a respeito de excesso de peso, mais da metade da população está nessa situação: 55,4%.

Esse aumento da gordura corporal, tanto na obesidade quanto no sobrepeso, são fatores de risco para desenvolver treze tipos diferentes de câncer. Esse aumento de peso afeta não só adultos, mas também, crianças, que podem chegar a 75 milhões de casos de obesidade e sobrepeso até 2025. Esses dados são muito preocupantes e tendem a piorar ao longo dos anos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade pode ser considerada um dos piores problemas de saúde pública do mundo.

A obesidade causa um processo inflamatório no corpo do indivíduo, sendo que isso se agrava ainda mais se for somada com hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e alterações nos valores de colesterol e triglicerídeos. Desde o início da pandemia de coronavírus, muitos especialistas têm alertado que os pacientes com condições crônicas pré-existentes apresentam versões mais graves da covid-19. Esse agravamento causado pela obesidade ocorre em virtude do procedimento de intubação, e desenvolve complicações respiratórias como ampliação da falta de ar, cansaço mais acentuado e outras complicações.

A obesidade também pode ser explicada pelo fato de que as atividades físicas estão limitadas devido à quarentena. Muitas pessoas descuidaram-se de sua alimentação, o que contribuiu para o aumento de peso em boa parte da população. Além disso, nesse período, os casos de ansiedade e depressão aumentaram, o que fez com que as pessoas ‘descontassem’ na comida a utilizassem como válvula de escape, para a solução de problemas ou para sentirem-se melhor.

Dentre os cuidados que se deve ter nesse período, destacam-se: alimentar-se bem e com variedade de frutas, legumes e verduras; tomar muita água pura; ter um bom sono; evitar o consumo de alimentos industrializados, bebidas alcoólicas, frituras e doces em geral. Além disso, cuidar da saúde mental é igualmente importante: ler livros, assistir filmes, realizar uma atividade física que proporcione bem-estar, fazer terapia, Yoga, meditação, dentre outros.

É fundamental a realização de exercícios físicos, pois a prática auxilia no gasto calórico e evita o acúmulo de energia que se transforma em gordura em nosso corpo. Em tempos de pandemia, encontrar alternativas para treinar em casa é necessário: pular corda, fazer alongamentos e dançar são algumas opções. Todas essas atividades melhoram a imunidade, fortalecem e ampliam a capacidade ventilatória dos pulmões, principal órgão afetado pelo o vírus.

Portanto, além de respeitar as orientações de isolamento e higiene, é importante que as pessoas continuem se alimentado de forma saudável, hidratando-se, dormindo bem e praticando exercícios dentro de casa. Uma boa alimentação é sinônimo de vida saudável, pois auxilia na prevenção ao surgimento de doenças crônicas e resulta numa melhor qualidade de vida.”