Tapera
Carnaval cancelado: Músico fala sobre o impacto e a saudade que toma conta
12 fevereiro 2021 | Tapera
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Mergulhei em um mar de saudade, saudade de uma época marcante”.

O Carnaval, a maior festa popular do Brasil e porque não dizer da nossa região, infelizmente novamente não será realizado, dessa vez por causa da pandemia. Porém, podemos perceber que antes dela (Pandemia) as festas e os eventos tradicionais já vinham sofrendo muito com a falta de público e com isso a grande dificuldade dos presidentes de clubes e entidades bancarem uma festa como essa, onde o custo muitas vezes torna-se elevado. Com certeza, muitos lembram das grandes festas de carnaval que aconteciam em Tapera. O Clube Aliança chegava a realizar quatro noites de carnaval e duas matinés, sempre de casa cheia. E para encerrar, o tradicional enterro dos ossos.

“Carnaval é festa, Fantasias, alegria e muita dança nas tradicionais marchinhas de carnaval, samba, pagode e axé. Posteriormente começaram a entrar outros ritmos como o reage, funk, eletrônico e até o sertanejo, o que em minha opinião descaracterizou um pouco as festas de carnaval”, opinou o músico/produtor Arlei José Zamboni, um dos organizadores do tradicional Carnaval de São Pedro.

Mas as mudanças foram acontecendo, o gosto musical das pessoas foi mudando, “e nós músicos e promotores de eventos, tivemos que nos adaptar a esse novo gosto musical das pessoas que frequentam as festas”, ressalta Arlei.

Em Linha São Pedro, na segunda-feira, a noite simplesmente era algo quase inacreditável nos dias de hoje: fila para estacionar, fila para comprar ingresso, fila para entrar, e dentro do salão a festa bombando. “Teria muitos outros lugares para citar, como por exemplo Arroio Grande, Linha Floresta Selbach e muitos outros. Vários municípios aqui da região faziam o seu carnaval nas mesmas noites e todos com grande número de pessoas, isso sem falar nos desfiles de rua que faziam tremer o chão com suas baterias. Um não atrapalhava o outro, porque tinha público para todos. As Rádios e TVs começavam a fazer o clima uma ou duas semanas antes do evento, abrindo espaços para músicas de carnaval e falando sobre os preparativos. A expectativa era aguardar os lançamentos das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Lembro que nos últimos carnavais nem era tocado os lançamentos, porque ninguém conhecia – aí que eu me refiro da mudança de gosto musical dos frequentadores”, destacou.

Conforme Arlei, ao falar sobre este assunto, Carnaval, “mergulhei em um mar de saudade, saudade de uma época marcante. Nas festas de carnaval, quantas pessoas se conheceram, namoraram, casaram, tiveram filhos… Para nós músicos era também a safra do ano como falávamos, pois representava o nosso maior faturamento, nos preparávamos com muita antecedência, com muitos e muitos ensaios e preparativos para que tudo saísse perfeito. Nas cidades onde íamos tocar e consequentemente ficávamos quatro ou cinco dias, fazíamos amizades com as pessoas da cidade, contratantes e também com os participantes de blocos. Inclusive, lembro que uma vez fomos acordados no hotel em que estávamos hospedados em Lagoa Vermelha por um Bloco de Carnaval daquela cidade, era mais ou menos dez horas da manhã e estávamos dormindo. Os participantes do Bloco Tipe e Tope prepararam uma música para nos acordar e chegaram cantando. Confesso que foi um momento marcante e inesquecível”, lembrou Arlei.

De que forma não deixar o Carnaval morrer?

Para Arlei, esta é uma tarefa bem difícil. “Tenho contatos com vários contratantes e Presidentes de Clubes que já tentaram de tudo para que o carnaval não fique somente em nossa lembrança mas que retorne ao nosso meio. Após a pandemia muita coisa vai mudar em todos os segmentos e principalmente no nosso de eventos, então trazer as pessoas de volta pode se tornar um desafio. Mas quero acreditar que as pessoas estão carentes de momentos bons, de festa, de alegria, de boa música, oportunidade de dançar e rever os amigos, pensando dessa forma acredito sim no retorno dos grandes eventos, inclusive o carnaval, mesmo que seja de uma forma diferente. Afinal, Carnaval é uma expressão histórica e uma manifestação cultural muito importante para a história do Brasil. Alcione, você tem toda a razão: Não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar”, finaliza.