Região
Comunidade carazinhense reafirma contrariedade com construção de presídio às margens da BR 285
5 agosto 2021 | Região
Compartilhe:

Lideranças políticas e empresariais protestaram no local onde o Governo do Estado pretende realizar a obra. Temor é pelas demandas em várias áreas que deverão recair para o Município já que a distância de Carazinho é de apenas 5 Km. Além disso, especialistas apontam para risco de contaminação do Rio da Várzea.

Sem retorno sobre uma confirmação de agenda com o governador do Estado, Eduardo Leite, para discutir o local da construção pretendida do Presídio Feminino de Passo Fundo, na manhã desta quinta-feira (5), representantes do Executivo, Legislativo e entidades de classe de Carazinho realizaram um protesto ás margens da BR-285, na divisa entre Passo Fundo e Carazinho.

Próximo do local onde se pretende construir o presídio foram fixadas faixas indicando a insatisfação com o terreno escolhido para a obra.

“É um protesto do Executivo, do Legislativo, das entidades empresariais. As forças vivas estão representadas aqui. Não sou favorável a manifestações, mas foi nossa última alternativa já que o governador não abriu agenda. Vamos lutar até o último minuto para que não aconteça desperdício de dinheiro público”, citou o prefeito de Carazinho, Milton Schmitz, que ponderou que além do aspecto ambiental e de segurança aos usuários da rodovia, o custo logístico de fazer a construção ali será enorme.

Schmitz destacou que o dinheiro público que será aplicado em custeio de logística e deslocamentos de servidores, materiais e de apenadas nos próximos10 anos será tal qual o valor que se alega que o Estado perderia caso a obra não seja edificada agora. O prefeito ainda disse que o protesto não é contra os passo-fundenses, nem contra a Administração de Passo Fundo.

“Existem várias questões de ordem ambiental, econômica, de logística, mas não podemos concordar com a construção como esta. Carazinho é parceira para buscarmos uma solução para construção do presídio, mas é impossível concordar neste local onde temos nascentes do Rio da Várzea”, observou o presidente do Hospital de Caridade de Caridade – HCC, Jocélio Cunha.

O presidente do Sindicato Rural de Carazinho, Leomar Tombini, destacou a qualidade das águas do Rio da Várzea.

“Construir este presídio é um crime ambiental que ficará registrado na história da região. Agricultores não podem derrubar uma árvore sem ter autorização, e aqui se quer um presídio que irá poluir o nosso Rio da Várzea. Nossas próximas gerações terão problemas. Nós temos uma água de qualidade e assim pretendemos continuar, não há condições de construir neste local. Não podemos aceitar”, opinou Tombini.

O presidente da CDL de Carazinho, Zani da Costa, destacou que as lideranças locais continuarão insistindo em uma agenda com o Governador para discutir o assunto.

“As entidades e a comunidade estão preocupadas com a construção do presídio neste local. Sabemos do impacto social que causará esta construção. Queremos levar a pauta ao governo para discutir. Fizemos vários ofícios, abaixo assinados, contatos com deputados, e nada. O governador se mostrou insensível até aqui, por isso, o protesto. Queremos discutir o presídio, mas não neste no local”, reforçou.

O presidente do Sindilojas, comentou da possibilidade de ter que se levar o tema a justiça. “Não tenho duvidas que quando este local foi escolhido foi uma maldade, uma provocação pra nós. Não podemos aceitar. Vamos nos manifestar de forma extrajudicial e judicial se for preciso”, colocou Adel Tamimi.

Já o presidente do Sindicar, Moises Santos, questionou a validação dos documentos para a obra.

“Somos contra a construção neste local, sabemos do problema carcerário, e das dificuldades do Governo do Estado, mas entendemos que neste local não é possível. Já foram feitos processos de licitação sem fazer avaliações das licenças ambientais e o impacto de vizinhança”, salientou.

“A comunidade de Carazinho compreende a superlotação e os problemas do sistema prisional, mas hoje precisamos falar por Carazinho e deste local. Estudo de biólogos apontam que haverá comprometimento da nascente dentre tantos outros impactos. Somos a favor de presídios para dar dignidade a quem cumpre suas penas, mas aqui não é o local”, frisou a presidente da Subseção da OAB Carazinho, Sandra Zimmer.

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Carazinho (ACIC), Cassiano Vailatti, destaca a insegurança aos usuários da rodovia em caso de uma eventual fuga.

“O governador não tem aberto sua agenda para conversar com a comunidade. Carazinho e sua população não é contrária ao presídio, nem mesmo a construção de um presídio em Carazinho, sabemos da necessidade de vagas, mas não nesta localidade que é fundamental devido a questão ambiental, próximo de nascente que abastece a nossa cidade. Também não somos favoráveis a construção as margens de uma importante e movimentada rodovia. A construção de uma instituição há 35 quilômetros de sua cidade sede traz imensos problemas logísticos é desperdício de dinheiro público”, apontou Vailatti.

*Diário da Manhã