Dia de Finados: entenda o processo de luto
9 novembro 2021 |
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O Dia de Finados, ou Dia dos Mortos, é celebrado anualmente em 2 de novembro. No Brasil, esta data é um feriado nacional, instituído pela Lei nº 10.607, de 19 de dezembro de 2002. Uma data que para muitos é marcada por dor, tristeza, dificuldade de entender e conviver com a perda – que, com a pandemia, tornou-se bem mais presente na vida de todos, mas que pode requerer mais atenção e tempo para a superação.

A celebração de Finados é muito importante para algumas religiões, principalmente para os católicos, pois se prestam homenagem a todos os entes queridos. Nesta data, o movimento nos cemitérios é intenso, pois muitas pessoas vão deixar flores e fazer orações nos túmulos de familiares ou de amigos que já partiram.

Para explorar o assunto, o Jornal da Integração convidou a psicóloga do CRAS de Tapera, Dirce Staudt Mocelin, que diz que, “desde o nascimento, nossa única certeza é a morte, mas isso é algo [para o qual] ninguém está preparado”. Ela diz que “há uma negação acerca desse tema por parte de todos. Uma negação de nossa finitude e da finitude das pessoas que nos rodeiam”.

A profissional frisa que a morte faz parte do desenvolvimento humano e há um despreparo no que diz respeito ao enfrentamento dessa situação. “Falar de morte nos remete para a ideia de perda. E a perda não está relacionada somente ao falecimento de uma pessoa, mas ao desligamento de algo ou alguém que tenha valor afetivo para nós”.

Sobre o luto, Dirce explica que “quando perdemos algo ou alguém, entramos num processo de luto, que é importante e necessário para a pessoa assimilar a perda. É o período de adaptação à nova situação, em que devemos pensar no que perdemos, no que faremos, em como agiremos”.

Se a pessoa começa a apresentar alterações no seu modo de viver em função do luto, a avaliação de um profissional de saúde mental deve ser considerada, comenta ela: “Não tem como precisar quanto tempo a pessoa pode permanecer num processo de luto, mas uma avaliação por psicólogo e psiquiatra poderá ser necessária quando a pessoa deixa de seguir sua vida de forma adequada. Quando não consegue desempenhar suas atividades de vida diária, apresentar humor depressivo, entre outras coisas. Se o luto passa de normal para patológico, precisa de acompanhamento psicológico e psiquiátrico”.

Dirce conclui: “O Dia de Finados é o momento para nos lembrar de nossa finitude. Para manter acessa a lembrança das pessoas que já se foram e ajudaram a construir nossa identidade de hoje, para homenagens e orações. Por mais difícil que isso seja, precisamos aprender a lidar com finitude e perdas, sejam elas quais forem”.