Dia Mundial da Alfabetização: Confira a entrevista com a professora Cediane
14 setembro 2021 |
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O Dia Mundial da Alfabetização foi criado em 8 de setembro de 1967 pela Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A data tem como objetivo ressaltar a importância da alfabetização para o desenvolvimento social e econômico mundial.

Por isso, o Jornal da Integração conversou com a professora/alfabetizadora Cediane Cecchele Zanotelli.

Nos fale sobre sua trajetória como alfabetizadora, como tudo começou? E atualmente onde você trabalha e com quais alunos?

“Iniciei minha trajetória após minha formação no magistério no ano de 1999. Trabalhando em escola multisseriada (atendendo alunos até o 5º ano), junto a isso dei continuidade aos meus estudos iniciando o curso de Licenciatura em Matemática na UPF, na qual me formei. Durante o período de faculdade, já trabalhava em minha área de formação e também continuei trabalhando com as séries iniciais. Segui os estudos, realizando Pós Graduação e continuo até hoje, estudando e fazendo cursos para desenvolver ainda mais minhas habilidades como educadora. Trabalhei em outros municípios da região e escolas estaduais, porém, atualmente, trabalho 44 horas na rede de ensino municipal de Tapera, na EMEF Presidente Costa e Silva, no turno da manhã atuo como professora de matemática, e durante a tarde como alfabetizadora”.

O que você destaca sobre alfabetizar? Como é este processo?

“Alfabetizar é mais do que proporcionar a capacidade de ler e escrever. É ensinar a se expressar e comunicar.  Em resumo, o processo de alfabetização se dá, pela consciência fonológica, o conhecimento das letras e o reconhecimento do uso social da leitura e escrita no cotidiano. A criança precisa perceber que a escrita representa os sons da fala. Em seguida, a criança precisa desenvolver a consciência fonológica, ou seja, prestar atenção aos sons das palavras, separá-las em sílabas, percebendo nas sílabas, os fonemas. E assim, junto com este processo, saber reconhecer e distinguir as letras e o som de cada uma. Dessa forma, vai tornando-se capaz de escrever e ler palavras, depois pequenas frases e pequenos textos. E por fim, a criança já deve avançar nas habilidades de ler, interpretar e produzir frases e pequenos textos”.

O que mais te marca na sua trajetória?

“A minha trajetória como docente é marcada, principalmente, pelos acontecimentos vivenciados em meu cotidiano escolar, experiências e aprendizados que com certeza fizeram e ainda me fazem evoluir e compreender a profissão que escolhi para mim. E, principalmente, acompanhar o desenvolvimento dos meus alunos, percebendo que no decorrer dos anos mesmo de longe, consigo acompanha-los e ver que seguem estudando fazendo boas escolhas profissionais”.

 

O que alfabetizar significa pra você?

“Para mim ser alfabetizadora é muito mais do que ensinar a ler e a escrever. É aprender e desenvolver a habilidade de pensar, interagir, é fazer com que os alunos se desenvolvam e cresçam como cidadãos do bem e responsáveis”.

E sobre alfabetização e pandemia, quais os impactos?

“A alfabetização durante a pandemia foi e ainda é um grande desafio. A pandemia afastou as crianças das escolas, limitando o contato entre criança e alfabetizador. Percebe-se, portanto, que a falta de profissionais capacitados e qualificados durante o processo de alfabetização, no meio pandêmico, interrompe o processo de desenvolvimento da oralidade e escrita dos alunos. Com o retorno das aulas presenciais o desafio é ainda maior, foi preciso reestabelecer o vínculo de convivência com as crianças, e assim nos esforçar para dar continuidade ao ciclo que foi interrompido pelo ensino a distância”.

O que mudou de antigamente para agora, nas formas de ensino?

“Hoje em dia, percebe-se que a estrutura física das escolas cresceu, os profissionais com mais qualificação na área e oportunidade de estudos. São oferecidos muito mais materiais, e com toda certeza a tecnologia veio para acrescentar e facilitar no acesso a materiais e informações”.

Quais as dificuldades enfrentadas na sua caminhada e quais conquistas?

“Umas das principais, foi a dificuldade para o deslocamento até o local de trabalho, mas ao mesmo tempo a valorização e reconhecimento era muito gratificante. Além disso, outra dificuldade era durante a formação acadêmica, onde em minha época, nem todos haviam condições de cursar uma graduação, tendo que trabalhar para poder se manter no curso, sendo que com o passar dos anos foi sendo oferecidas mais bolsas e financiamento, aumentando as oportunidades para que mais pessoas tenham acesso a um curso superior. A principal conquista de um educador, acredito que seja, o reconhecimento da comunidade e dessa forma, ver que seus alunos estão aprendendo, sendo que no processo de alfabetização a aprendizagem é visível”.

Deixe sua mensagem final.

“É gratificante ver a evolução no processo de ensino-aprendizagem de cada criança. Também conviver em um ambiente escolar onde há trocas de conhecimento e apoio com colegas, e esta nos faz crescer a cada dia, e assim, vencer os desafios diários com cada criança. Portanto, é preciso acreditar em uma valorização profissional e continuar estudando, pois é através da educação que o mundo terá cidadãos de bem e responsáveis com a comunidade em que vivem”.

 

(Tauana P. da Costa)