Saúde Tapera
Dia Mundial de Conscientização da Doença de Alzheimer: médica Renata Amaral fala sobre a doença
27 setembro 2021 | Saúde Tapera
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Por: Tauana P. da Costa- Jornalista do Jornal da Integração

 

O dia 21 setembro é o Dia Mundial do Alzheimer, data em que se marca a necessidade de defesa e conscientização da sociedade sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do cuidado, bem como do apoio e suporte aos familiares e cuidadores das pessoas que convivem com a Doença de Alzheimer (DA). Por isso, o Jornal da Integração conversou com a médica Renata Câmera Amaral, natural de Ibirubá, formada pela UFFS/Passo Fundo e que atende na ESF Jacob Bonato, da Vila Paz, em Tapera, em carga horária de 40 horas semanais.

A Doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa caracterizada como declínio cognitivo, que envolve um ou mais domínios da cognição e interfere na função diária e independência do paciente. O comprometimento da memória é o sintoma inicial da demência da Doença de Alzheimer. Desse modo, os pacientes passam a apresentar dificuldade para lembrar datas e fatos recentes e, mais tarde, a apresentar déficits de linguagem e alterações comportamentais que influenciam não apenas a vida do próprio indivíduo, como também, a do ciclo familiar no qual ele está inserido.

De modo simplificado, a patologia da doença envolve mecanismos extra (fora) e intracelulares (dentro da célula). Ocorre acúmulo de proteína beta-amiloide no meio extracelular, originando as chamadas placas neuríticas/placas senis.  Além disso, ocorre acúmulo excessivo de proteína TAU fosforilada no meio intracelular, acarretando em morte celular programada de células neurais específicas.

Estudos indicam que a incidência da Doença de Alzheimer aumenta de acordo com a idade. Por isso, entre indivíduos na faixa etária entre 65-70 anos, a incidência é de 5/1.000. Por sua vez, entre indivíduos com idade superior a 85 anos, a incidência se aproxima a 60-80/1.000.  Além da idade, o baixo nível educacional, uma história familiar dessa doença e fatores de risco cardiovasculares também aumentam a chance de seu desenvolvimento.  Estima-se que dois terços das pessoas diagnosticadas com essa doença são mulheres.

“É muito comum na prática médica nos depararmos com paciente com DA que apresentem sintomas psiquiátricos, como agitação, alucinação e depressão”, comenta Renata. Conforme a profissional, algumas dicas para esses casos são o desenvolvimento de um ambiente calmo, familiar, com sinais que possam servir de orientação ao paciente, como marcas/placas nas portas dos quartos e iluminação adequada do ambiente. Já o comportamento agressivo pode ser conduzido com linguagem calma, clara e direta, no sentido de distrai-lo. Além disso, medicações podem ajudar no controle de sintomas de agitação.

Conforme a médica, “quando recebo em consulta algum paciente com possível Doença de Alzheimer, após excluir causas reversíveis de demência (depressão, hipotireoidismo, dentre outras), realizo o encaminhamento ao neurologista especialista desta área, disse. Acontece também o acolhimento emocional ao paciente e seus familiares, explicando o curso clínico esperado da doença e as possibilidades terapêuticas. “Nesse contexto, o médico clínico generalista é de fundamental importância para o elo em um atendimento clínico integrado que pode envolver, além do médico neurologista, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, profissionais de educação física, fonoaudiólogos e nutricionistas”, conclui ela.