Dia Nacional dos Surdos e a Luta pela Inclusão
11 outubro 2021 |
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No dia 26 de setembro comemora-se o Dia Nacional dos Surdos. É um dia que celebra as conquistas da Comunidade Surda e sua luta pela inclusão dos surdos na sociedade.

Dia Nacional dos Surdos tem como objetivo promover a reflexão e o debate a respeito dos direitos e da luta pela inclusão de pessoas surdas na sociedade. Essa data foi escolhida por ser o dia de fundação da primeira escola para surdos do Brasil, o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), no Rio de Janeiro em 1857.

Para marca a data, o Jornal da Integração conversou com a professora Ana Paula Maciel Lottermann. Ela é professora de magistério há 19 anos, graduada pela Universidade de Passo Fundo no curso de Pedagogia – Licenciatura plena em Educação Especial, possui especialização em Pedagogia gestora- ênfase em administração, supervisão e orientação escolar pela Portal faculdades, curso em Libras pelo Senac, curso de Atendimento Educacional Especializado-AEE pela ABED, atualmente está concluindo o curso em Neuropsicopedagogia Clinica e institucional.

Segundo a educadora, entre suas paixões na vida, está a paixão por ensinar. Ana Maciel atua há 16 anos como professora de educação infantil, na rede municipal de Tapera e há quatro anos atua no município como Educadora especial, atendendo crianças de três escolas: EMEF Presidente Costa e Silva, EMEI Criança Feliz e EMEB Lourinha Isabela Maldaner.

Segundo dados do IBGE, em pesquisa realiza pela professora Ana Maciel, há 10,7 milhões de pessoas surdas no Brasil. Entre elas, há diversidade quanto ao grau da perda auditiva – desde leve até profunda – como também à idade, sendo que 9% nascem surdas/os e que a maioria tem perda de audição ao longo da vida.

Entretanto, todos têm o direito de acesso linguístico à educação, saúde, trabalho, cultura, tecnologia. “Nem todas as pessoas surdas têm relação confortável e afetiva com a Língua Portuguesa, ou seja, com a língua oral”, comenta a professora.

Portanto, após uma luta histórica da comunidade surda, foi criada a Lei nº 10.436, de 2002, em que a Libras – Língua Brasileira de Sinais – é reconhecida como meio legal de comunicação e expressão.

Após essa conquista, houveram outros movimentos e debates importantes quanto à obrigação de legendagem nos programas televisivos, à inserção das janelas de Libras e adequações do tamanho, à criação de escolas ou classes bilíngues para surdas/os, à presença de intérprete de Libras-Língua Portuguesa nas salas de aula em que estiver pelo menos uma aluna/o surda/o, à criação de Central de Libras, entre outros.

Os direitos de pessoas surdas ainda não estão totalmente garantidos e há muito para discutir e lutar.

Portanto, em todos os anos, o Dia Nacional dos Surdos, reconhecido pela Lei federal nº 11.796 de 2008, é um dos momentos para incentivar a conscientização e o fortalecimento das lutas da comunidade surda, enfrentando o desmonte e fragilização de políticas públicas, como a educação bilíngue para surdas/os, atendimento de profissionais de saúde em Libras às pessoas surdas, e a orientação às famílias de crianças recém-diagnosticadas com perda auditiva quanto à importância da aquisição da Libras.

Em Tapera, conforme a professora Ana Paula, “precisamos avançar na acessibilidade, em todos os estabelecimentos e eventos deve ter alguém com conhecimento em Libras, para atender de forma inclusiva o surdo, nas escolas devemos buscar capacitar o maior número de professores e comunidade escolar”, diz a educadora.

“Na Sala de recursos da escola, damos suporte a direção, coordenação, família e principalmente ao professor e monitor em libras que acompanha a aluna em sala de aula, para que essa tenha acesso ao currículo escolar e se alfabetize, em libras como primeira língua a ser aprendida pelo surdo e depois como segunda língua o português, o surdo recebe a educação bilíngue na escola”, ressalta. Ainda segundo Ana Paula, não é fácil alfabetizar. “Enquanto que os ouvintes aprendem pelo método fônico, o surdo aprende por método visual, associação de figuras e muitas relações devem ser feitas para que haja aprendizagem”.

O envolvimento da família é muito importante para a apropriação da língua de sinais pelo surdo, é a prática da comunicação que faz o surdo assimilar os conceitos apreendidos. “Usamos recursos de tecnologias assistidas na inclusão, o que auxilia muito nosso trabalho, não existe receita pronta mas existe o conhecimento sobre os processos de alfabetização, de como o surdo aprende e por onde começar, a metodologia é tudo no processo”, ressalta.

Embora Libras seja a língua natural do surdo, não é nessa língua que ele deverá aprender a ler e escrever. “A língua de sinais é visual e espacial e a língua oficial do país é auditiva e oral, o que determina que os canais de recepção e emissão sejam diferentes”, explica a professora. Como consequência, o aprendizado da leitura e escrita para os surdos será diferente das pessoas ouvintes. “Sua leitura de mundo é feita através de experiências visuais e concretizadas em sua língua natural. No aprendizado da leitura e escrita é necessário ir do mundo para o texto, dos conhecimentos concretizados na língua de sinais e que deverão ser traduzidos para o português”, complementa.

A língua de sinais é organizada no cérebro da mesma forma que as línguas orais, desse modo como qualquer língua natural têm um período ideal para aquisição. Quando seu aprendizado ocorre tardiamente a criança enfrentará maiores dificuldades.

Aprender a Língua Portuguesa é fundamental para ocorrer o letramento. Para os surdos, o processo de leitura e escrita é complexo e exigirá do educador estratégias específicas.
A leitura e escrita ocupam papel fundamental. É uma ponte para a sociedade ouvinte, para as informações que estão ao seu redor e que permitirão entender os contextos, a comunicação e as trocas desde a idade escolar até a vida adulta.

“A inclusão é possível, temos todos os meios para conseguir, aqui em nosso município, mas vai muito além de recursos de acessibilidade, vai da entrega de cada educador, da vontade de fazer a diferença na vida das pessoas com deficiência, pois a verdadeira inclusão começa no coração”, conclui a professora Ana Paula.