Especial Colono e Motorista Tapera
Família unida no campo: Conheça a história de dedicação e superação da família Fath
25 julho 2021 | Especial Colono e Motorista Tapera
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“Nossa família sempre administrou a propriedade com união e empenho, inspirados nos valores familiares.”

Soeli Oppelt Fath e seu esposo, Pedro Fath, nasceram e cresceram no campo. Desde crianças, já auxiliavam seus respectivos pais na lavoura e nos cuidados com os animais. Após casados, passaram a residir em Linha São João, em Tapera. Pedro continuou trabalhando como agricultor, e Soeli era professora, mas mesmo assim, continuava ajudando nas atividades da propriedade.

O casal de agricultores tem duas filhas: Ana Cláudia, graduada em Psicologia e que trabalha na cidade, mas reside no campo, auxiliando também nas atividades rurais nas horas vagas, e Amanda, acadêmica do curso de Agronomia e que, apesar das limitações impostas devido a um acidente sofrido aos seus 11 anos de idade, acarretando a perda de um dos braços, auxilia com independência nas tarefas e em atividades com maquinários.

A família sempre foi muito unida e afetiva: “Toda família tem amor e dedicação ao agro. Nossa família sempre administrou a propriedade com união e empenho, inspirados nos valores familiares”, comenta Soeli.

Na propriedade dos Fath, são cultivados soja, milho, trigo e aveia, com orientação técnica e agricultura de precisão. A comercialização desses produtos é realizada pelas cooperativas: “Nossas conquistas com organização da propriedade, adquirindo os maquinários e áreas de terras, foi com muito trabalho, nada veio pronto”, ressalta a agricultora.

A família também se dedica à produção leiteira e à negociação com a cooperativa Santa Clara. “O dia a dia na atividade leiteira nem sempre é fácil. Mesmo com frio, chuva ou nos domingos, o leite precisa ser tirado. Mas, feito com amor e dando um bom retorno econômico, vale a pena”, frisa Soeli.

As conquistas alcançadas até os dias de hoje foram através de muito trabalho e dedicação, apesar das dificuldades. “Enfrentamos anos de secas com baixa produtividade e produtos com preços desvalorizados”, comentam os agricultores.

Atualmente, os desafios continuam. Dentre eles, a necessidade de otimizar a produção e valorizar os produtos cultivados. Hoje, conforme a família Fath, o maior desafio é enfrentar a pandemia, que ainda traz muitas incertezas e necessidade de cuidados diversos para conservação da saúde e da vida.

“Nos últimos anos, o colono vem sendo visto com outros olhos e um pouco mais valorizado, mas ainda falta reconhecimento e gratidão de alguns com esta classe, que produz o alimento de cada dia. Sem agricultor, não tem alimentos”. Nem mesmo a pandemia impediu a expansão do agronegócio e o campo de continuar produzindo. A rotina continuou a mesma, não impediu de realizar as atividades. Os agricultores não pararam e, se hoje você tem alimentos na mesa, é porque alguém com conexão e amor pela terra semeou, cuidou e colheu”, concluem os agricultores.

 

Conheça a história de superação de Amanda Fath

A família Fath teve muitas conquistas ao longo desses 31 anos. Uma tragédia, no entanto, impactou-a no ano de 2009. No dia 8 de junho, Amanda sofreu um acidente com trator, quase vindo a falecer.

“Era uma manhã fria de junho, e minha família estava moendo cana, como de costume. Eu, com 11 anos, estava sempre ao redor do trator, e fui alertada para ficar longe do cardan, pois era muito perigoso. Em um descuido meu, parei ao lado do cardan do trator e tirei meu casaco, o qual enroscou [nele] e acabou me puxando. Com isso, tive a amputação do braço esquerdo, couro cabeludo, fratura na coluna e várias lesões no corpo. Estava somente eu e meu pai no momento. No desespero dele, ele acabou colocando a mão pra me tirar e teve o polegar direto amputado, e eu me desprendi do cardan. Em estado gravíssimo, fui levada ao hospital São Sebastião, de Espumoso, me encaminharam até Passo Fundo, no Hospital São Vicente de Paulo. Lá, com uma equipe preparada para me atender, realizaram tudo o que estava ao alcance deles.”

“Passei 24 longos dias na CTI, correndo risco de perder a vida. Ao melhorar minha situação, fui encaminhada para a pediatria. Foram nove meses de cuidados de adaptação. Afinal, eu tive que me readaptar com apenas um braço. Passei quatro meses somente deitada, por conta da cirurgia da coluna. Após os quatro meses, tive que reaprender a caminhar, e foram momentos difíceis.”

“A minha primeira internação durou nove meses. Fui liberada para ir para casa [e] realizava curativos diariamente. Assim foram quatro anos de minha vida, entre idas e vindas do hospital, pois eu tinha infecção e muitos tratamentos eram realizados com medicamentos na veia, realizando cirurgias e tratamentos. Após esses quatro longos anos, tudo começou a melhorar. Os ferimentos foram cicatrizados e eu estava liberada. Minha última internação foi para realizar três cirurgias na coluna, as quais eram de correção, passando quatro meses em casa de repouso.”

“Quem me conhece sabe que não tenho problema em compartilhar minha história, que por sinal me fez aprender muito sobre a vida, aprender a ser grata por cada dia. Afinal, a gente não sabe como será o dia de amanhã. Desde pequena, sempre morei no campo, e foi assim que surgiu o amor pelo agro.”

“Estou cursando Agronomia, pois quero continuar tendo contato com essa cadeia. Nos dias atuais, o estudo está sendo remoto, então, estou mais em casa, o que me possibilita ajudar nas tarefas do campo. Eu ajudo no que posso. Está sendo uma experiência diferente longe da faculdade, porém, estou aprendendo muito a prática, o que levarei como ensinamento para vida toda.”

“A todos, digo que minha lição de vida é aproveitar cada segundo que é nos proporcionado, afinal, a vida é um sopro. Hoje, você está bem. Amanhã, não saberemos como será. Por isso, digo: aproveite a vida da melhor forma. Sei que alguns dias não saem como o esperado, porém, faça dos dias ‘ruins’ um dia de aprendizado.”

“E, aos agricultores, quero parabenizar. São vocês que dedicam a vida para cuidar, cultivar os alimentos que chegam à mesa de todos os cidadãos. Saibam o tamanho da sua importância, se valorizem [e] se cuidem em seu dia a dia. Na lida no campo, onde o trabalho geralmente é com máquinas, tenham todo cuidado: utilizem EPI’s de segurança, preservem sua saúde e sua vida. E jamais esqueçam do quão importante vocês são para a sociedade.”

“Aos motoristas, aquela classe que trabalha dia e noite para levar o alimento ao seu destino, um ‘parabéns’ especial, pois assim como os agricultores, vocês também são importantes, e sem vocês, o alimento não chega à mesa do consumidor.”

“Aqui vão meus parabéns para essas duas classes que fazem o país alavancar”.