Meu filho ainda não fala, e agora?
14 junho 2021 |
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Acompanhar o desenvolvimento da linguagem infantil desde o nascimento é extremamente importante, visto que o período entre 0 a 36 meses é primordial para o desenvolvimento linguístico e qualquer exposição por fatores de risco e/ou proteção podem afetar diretamente este processo.
Muitos familiares possuem incertezas quanto ao desenvolvimento da linguagem de seus filhos e como tratar essas situações, e muitas vezes recorrem a pediatras, fonoaudiólogos e educadores para receber orientações.
O que você deve esperar da linguagem da criança e quando buscar orientação profissional? A Fonoaudióloga da APAE, Ana Luiza Bertani, responde essas questões:

0 a 12 meses
É a fase “pré-linguística”. A criança não usa palavras. É
uma fase preparatória da linguagem, onde a criança se comunica com as pessoas da sua maneira, ela chora se está com fome, se sente frio ou se precisa que sua fralda seja trocada. Sorri socialmente e grita para pedir atenção.
É um período de choros e gritos indiferenciados. A mãe é capaz de entender cada uma das mensagens do bebê. Ela sabe se o choro é de fome ou frio, pois cada choro tem diferentes nuances.
Ao final dessa fase, a criança testa seu aparelho vocal.
Ela balbucia, aprende a pronunciar vogais e algumas consoantes. Por volta de 10 meses começam a aparecer sons como “ma” e “pa” que não estão relacionados com as palavras “mamãe” e “papai”, são apenas testes de sons diferentes.
Os progressos continuam paulatinamente. Ao terminar esse período, a criança compreende que existe uma relação entre seu nome e ela mesma, começa a empregar palavras simples, entende perfeitamente alguns vocábulos que designam ações importantes para ela. “Dá” e “pega” são, geralmente, as primeiras palavras que a criança entende.
Nesta fase brincadeiras com imitação ajudam muito a criança a melhorar as habilidades linguísticas dela.

12 a 24 meses
Nesse período, a criança compreende ordens e as obedece, é capaz de usar palavras simples. Geralmente substantivos que se referem a objetos conhecidos.
Ela comunica o que deseja com palavras: “upa”, “não”, “sim”, “esse” ou “mais” são alguns exemplos. Já consegue combinar duas palavras, um substantivo e um verbo, por
exemplo: “mamãe, nesta fase é comum acompanhar a linguagem com gestos, especialmente para mostrar o que quer. Existem crianças que chegam ao final desse período com um bom domínio de vocabulário e de estruturas linguísticas. Essa evolução depende, em grande medida, da estimulação que ela recebe por parte das pessoas com quem convive. Nesta fase já possui alguns fonemas instalados, como /B/, /P/, /M/, /N/.

2 a 6 anos
Se o desenvolvimento da criança foi normal até agora, ela chega aos 2 anos com um desenvolvimento
completo das habilidades linguísticas. Ela se expressa naturalmente, com fluidez e consegue comunicar com exatidão o que quer.
Mas ainda pode apresentar alguns problemas na pronúncia de grupos consonantais. Não se preocupe,
esses problemas provavelmente vão desaparecer com a prática, até os 3 anos a criança já possui os fonemas: /T/, /D/, /F/, /V/, /K/, /G/, /S/, /Z/ e o /NH/. Caso você observe trocas na fala com esses sons, procure um fonoaudiólogo.
Aos 4 anos de idade, o repertório linguístico básico está completo. A criança combina as palavras em
frases simples. Os enunciados vão se tornando, pouco a pouco, mais complexos e melhor estruturados, a partir de 3 anos e 6 meses, a criança já sabe falar /X/, /J/, /R/ e com 4 anos sua aquisição de /L/, /r/, /LH/ já é possível e a aquisição dos fonemas está completa. O nível de compreensão também foi desenvolvido.
Se, durante essa evolução, o contato com os livros for estimulado, a criança já vai começar a se interessar pela linguagem escrita. Ela reconhece que as letras compõem mensagens. É o momento para ensinar com qual letra o nome da criança começa e palavras significativas para ela, como “mamãe” e “papai”. Essa tarefa pode ser tratada como uma brincadeira e vai ser uma boa iniciação para o caminho da leitura e da escrita.
Procure também conversar muito com a criança, nomear todos os objetos e não falar de maneira infantilizada, pois isso atrapalha o processo. Ensine a criança atirar beijos, fazer biquinho, dar tchau, encher balões e assoprar bolinhas de sabão, essas tarefas simples influenciam positivamente na aquisição da linguagem.
Caso observe alterações no desenvolvimento da fala e linguagem de seu filho, procure um fonoaudiólogo, ele é o profissional mais indicado para avaliar essas habilidades.