Tapera
Ministro da Educação diz que há crianças com grau de deficiência em que ‘é impossível a convivência’
6 setembro 2021 | Tapera
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O ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirmou na quinta-feira (19/08) que há crianças com “um grau de deficiência que é impossível a convivência”. A polêmica declaração foi feita durante uma visita ao Recife e virou alvo de críticas, levantando novamente o debate sobre a inclusão.

Por isso, o Jornal da Integração conversou com a Coordenadora Pedagógica da Escola Especial Etelvina Henrich (APAE de Tapera), Jéssica Danieli Ramos. Ela expressou sua opinião a respeito da afirmação do ministro Milton Ribeiro, e também destacou a importância da inclusão social:

“Eu começo trazendo esta frase, dita pelo professor Dr. Cleriston Petry, durante uma aula nesta semana. Ao escutá-la pensei diretamente na afirmação do Ministro da Educação que os “alunos com deficiência atrapalham o aprendizado dos outros estudantes”. Acredito fortemente, apesar do seu pedido de desculpas, e todas as justificativas, quando temos um posicionamento é partir de algo que se pratica ou que acredita. Infelizmente este Ministro possui uma verdadeira falta de respeito ao cargo o qual foi investido, por esta e outras frases ditas durante estes últimos dias. Sabemos que senso comum acerca o pensamento deste governo, mas esperar isto de um líder da educação é um ataque a tudo que construímos em prol de uma educação inclusiva”.

“A palavra tem um poder imobilizador, ainda mais ela sendo dita por quem deveria estar oferecendo as condições para efetivar a inclusão, elaborando políticas públicas pertinentes para o acesso de todos a educação, munindo as escolas de conhecimento, formação e inovação, dando destaque, em um país como o nosso, à sua diversidade. Em meio a tantos momentos difíceis que passamos o que nos desafia é ensinar a viver, percebo que a educação é um processo de interação e deve formar para a cooperação, e o que é de mais maravilhoso nisso tudo é celebrar as diferenças presentes no ambiente escolar, aprender a ter senilidade, escuta, respeitar o próximo e a ter empatia. Enquanto instituição de pessoa com deficiência nos preocupamos em criar espaços inclusivos em sociedade, no mercado de trabalho, em outras instituições e na nossa própria escola, independente de deficiência somos uma instituição que luta pela garantia de direitos, que a própria constituição já garante”.

“Reafirmando a frase supracitada, todos nós possuímos alguma vulnerabilidade e ela não nos descapacita em momento algum de sermos cidadãos. Percebo que quem mais atrapalha é quem tem está em um cargo para realizar ações educativas pertinentes e acaba segregando e enraizando um discurso pejorativo para com as pessoas com deficiência. O Ministro parece desconhecer todas as metodologias oferecidas na escola, desconsiderando a acessibilidade, adaptação curricular, plano individualizado e tudo mais que tantas instituições, que mesmo com muitas dificuldades, se reinventam para oferecer o melhor aos seus alunos. Acredito que a educação serve acima de tudo para humanizar os seres humanos e uma escola que entendeu isso, consegue promover equidade independente de ministros alienados”.