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Moradora de Não-Me-Toque recebe ordem de despejo por ter filho autista
16 março 2021 | Região
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Desempregada durante seis meses por conta da pandemia causada pela Covid-19, Liris Müller, natural da cidade de Ijuí, mudou-se para Não-Me-Toque há cerca de 3 meses para trabalhar no município como Analista de Sistemas em uma grande empresa. Mãe sozinha, cuida de seus dois filhos, um deles diagnosticado com transtorno do espectro do autismo (TEA).

A vida da família seguia normalmente. Liris, chegava em casa todos os dias e fazia todas as terapias possíveis para o desenvolvimento do filho autista de 8 anos. Terapias essas indicadas por profissionais da área da Saúde.

O transtorno de autismo afeta o sistema nervoso. O alcance e a gravidade dos sintomas podem variar amplamente. Os sintomas mais comuns incluem dificuldade de comunicação, dificuldade com interações sociais, interesses obsessivos e comportamentos repetitivos.

— Ele é um amado, e tem um ritmo mais lento pra aprender. Mas aprende — relatou a mãe para a reportagem.

Nesta segunda-feira (15), o preconceito inesperado chegou em forma de convite para a família.

— Cheguei em casa e recebi o aviso de despejo do apartamento que estou alugando em Não-Me-Toque. Mais triste ainda o motivo: barulhos do meu pequeno que é autista!! Ele é uma criança e brinca igual as demais — desabafou Liris em suas redes sociais.

Ela ainda afirmou que jamais esperava passar por isso. Mostrando que o preconceito pode ser demonstrado de várias formas e atos.

Agora, os três procuram por um novo lugar para chamar de lar, e que principalmente possam ser acolhidos pelos vizinhos.

Um boletim de ocorrência deve ser registrado na Delegacia local. No Brasil, a Lei Berenice Piana, instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtornos do Espectro Autista. Esta lei reconhece o autismo como uma deficiência, estendendo aos autistas, para efeitos legais, todos os direitos previstos para pessoas com algum tipo de deficiência.

Fonte: A Folha do Sul