Mulheres na liderança: Bióloga fala sobre os desafios na carreira profissional
19 março 2021 |
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Eunice Portela da Silva, 42 anos, é casada e mãe do Artur. Sua formação é em Bacharel e Licenciatura Plena em Ciências Biológicas pela Universidade de Passo Fundo e Mestre em Agronomia por essa mesma instituição. Já foi bolsista CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e professora, recentemente, no dia 01 de março de 2021, completou 15 anos no cargo de Bióloga na Cooperativa Cotrisoja.

Conforme Eunice, “toda a carreira profissional tem desafios, tem dias que dá vontade de chutar o balde, e tem dias maravilhosos onde 24 horas passam num piscar de olhos”.

A Bióloga sempre encarou as dificuldades como oportunidades, pois, segundo ela, são esses momentos que te fazem pensar e ser melhor, superar.

“É preciso seguir em frente sempre, com honestidade e no caminho do bem. Um bom profissional nunca para de estudar.  Sempre teremos altos e baixos, faz parte da nossa evolução como seres humanos e espíritos imperfeitos. Estamos todos no mesmo patamar evolutivo, então ninguém é mais que ninguém. E se você quiser ser respeitada, se dê o respeito. Se você quiser ser do agro, busque informações sobre o agro. Somos diferentes dos homens sim, e ainda bem, tem coisas que são eles que têm que fazer, e tem coisas que é nós que temos que fazer, os homens são a força e nós mulheres somos a sensibilidade e amor, tudo isso misturado é equilíbrio, o caminho deles parece mais fácil, porque essa é a visão feminista das mulheres e temos a mania de carregar o mundo nas costas, precisamos aprender a dividir as tarefas”, destacou.

Atualmente Eunice está à frente da coordenação do Comitê a Força da Mulher Cotrisoja, juntamente com sua colega Loini Mai. O comitê tem o objetivo aumentar a atuação efetiva das mulheres nos negócios da Cooperativa Cotrisoja e incentivar a participação das mulheres na liderança e nos conselhos da Cooperativa. “Em 2016 foram iniciados os trabalhos com um grupo de mulheres, associadas produtoras rurais, e já temos um bom resultado, pois atualmente contamos com cinco mulheres participando da Liderança e duas mulheres no Conselho Fiscal”, frisou.  Avaliando esse período de trabalho, Eunice disse, “percebemos que as mulheres evitam os cargos de liderança na Cooperativa e na sociedade em geral simplesmente por medo, porque se acham incapazes, por preconceito tanto por parte dos homens quanto das próprias mulheres, por estarem na zona de conforto. Contudo, a partir do momento que a mulher aceita o desafio de assumir um cargo, faz isso com muita responsabilidade, competência e comprometimento. Os treinamentos e cursos planejados e proporcionados pela Cotrisoja a esse grupo de mulheres buscam despertar o potencial de cada participante, sempre respeitando a individualidade e o tempo de cada uma”.

A avó materna  Alda (in memória) foi a mulher que mais inspirou Eunice, e que apesar de sua avó perder dois filhos precocemente, “deixou-nos um legado de amor e cuidado, uma mulher inteligente, amorosa, que agia com muita sabedoria, que acolhia. Uma gigante em sentimentos, uma mulher de verdade, que assumiu e cumpriu a verdadeira missão da mulher que é amar. Um amor que ensina, que te faz ser melhor, um amor que educa, que te orienta a encontrar o caminho do bem, um amor paciente, uma mulher que fez e faz acontecer, sem esmorecer, sem reclamar diante das dificuldades. Como diz a gíria: “mulher de tirar o chapéu”.

“Temos inúmeros exemplos na história de mulheres, em todas as épocas, que foram rainhas, presidentes, governadoras, ministras, ativistas, estilistas que lutaram pelos direitos das mulheres, romperam paradigmas, preconceitos, demonstraram sua capacidade, deram suas vidas para que mudanças ocorressem, e para nós mulheres hoje basta ter coragem e querer conquistar os espaços. Ser mulher é ser feliz! O sucesso vem com trabalho e determinação”, finalizou a Bióloga.