Saúde Tapera
Pediatra alerta para os cuidados com a doença mão-pé-boca
18 outubro 2021 | Saúde Tapera
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Por: Tauana P. da Costa-Jornalista do Jornal da Integração-Tapera/RS

 

Mão-pé-boca é uma enfermidade contagiosa causada pelo vírus Coxsackie da família dos enterovírus que habitam normalmente o sistema digestivo, e também, podem provocar estomatites, um tipo de afta que afeta a mucosa da boca. Embora possa acometer também os adultos, ela é mais comum na infância, antes dos cinco anos de idade. O nome da doença se deve ao fato de que as lesões aparecem mais comumente em mãos, pés e boca.

Ana Camila Backes, médica pela UNISul, de Tubarão (SC) e pediatra pelo Hospital Conceição, de Porto Alegre, concedeu uma entrevista sobre o assunto. Atualmente é pediatra na cidade de Tapera, Espumoso e Passo Fundo.

A transmissão se dá de forma fecal-oral, ou seja, ocorre de pessoa para pessoa, direta ou indiretamente. Indivíduos infectados podem transmitir o vírus nas fezes ou por secreções respiratórias, desde alguns dias antes do início dos sintomas.

As manifestações clínicas são caracterizadas pela presença de febre, dor de garganta e recusa alimentar, associadas à presença de lesões vesiculares que aparecem na mucosa bucal e na língua, e erupção pápulo-vesicular localizada nas mãos e pés (incluindo as palmas e plantas) e menos frequentemente nos cotovelos, tornozelos, glúteos e região genital. O diagnóstico é clínico, ou seja, o médico avalia o paciente e diz se há, ou não, o diagnóstico.

Não existe um tratamento específico, e por se tratar de um quadro viral, exige muita paciência, mas de um modo geral, medidas de suporte (medicamentos para febre, dor e hidratação) e, em casos mais graves, internação hospitalar.

Não existe uma prevenção totalmente eficaz, “mas devemos estar atentos e não mandar as crianças com febre ou lesões pelo corpo pra escola antes de ser avaliada”, complementa Ana Camila.

Conforme a profissional, “tivemos muitos casos de mão pé boca em Tapera e em todo o estado, há mais ou menos duas semanas, mas ainda surgem 1-2 casos todos os dias, o que mostra que devemos nos manter alertas”, comenta a pediatra.

Camila frisa também que as escolas devem ficar atentas aos cuidados de prevenção. “Deve-se redobrar medidas de higiene, orientar que as crianças doentes fiquem em casa e estar atentos ao quadro de saúde dos alunos”, diz ela.

Este é um período que exige atenção e empatia. “Além do mão-pé-boca, estamos tendo muitos casos de diarreia aguda, que também é transmitida da mesma forma. Logo, não devemos mandar crianças doentes para as escolas”, ressalta.

“Não precisamos de pânico em relação a esses quadros no atual cenário, mas cautela e medidas gerais de higiene sempre são bem vindas. Vale lembrar que o mão-pé-boca não confere imunidade total, ou seja, pode ser contraído mais de uma vez”, conclui.