Setembro Amarelo: mês de prevenção ao suicídio
13 setembro 2021 |
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O dia 10 de setembro é, desde 2003, lembrado como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, pois um casal dos Estados Unidos começou uma ação de prevenção após o seu filho, Mike, cometer o ato. Na ação, usaram a fita amarela, pois era a cor do carro que ele restaurou e era uma grande paixão sua. No funeral de Mike, os pais também distribuíram cartões com a fita amarela e com a mensagem “Se precisar, peça ajuda.” Os cartões logo ganharam visibilidade no país e, com eles, muitos pedidos de ajudas por parte de jovens.

Além disso, a cor amarela traz justamente o que é preciso para sinalizar a vida: a cor amarela significa luz, calor, descontração, otimismo e alegria. Não apenas durante o mês de setembro, mas sempre, qualquer pessoa pode participar dessa conscientização do Setembro Amarelo. “Mandar mensagens que sinalizam a vida e a escuta para os amigos; panfletagens; conversas e palestras; formação de grupos de discussão. Qualquer ação pode ajudar pessoas que apresentam sintomas depressivos e ideação suicida. Difícil saber quem está precisando de ajuda, pode ser uma pessoa ao seu lado”, comenta a psicóloga do CRAS de Tapera, Dirce Staudt Mocelin.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 40 segundos, uma pessoa morre por suicídio no mundo. O suicídio está associado a vários fatores de risco, incluindo socioculturais, genéticos, filosófico-existenciais e ambientais.

É importante estar atento aos fatores, conhecê-los e saber como lidar com eles. “Por isso, a importância da campanha: para conscientizar a população sobre a prevenção ao suicídio; que a melhor forma de evitar é através de discussões e diálogo, e todos se colocando na posição de escuta, e não julgamento”, frisa a psicóloga.

Geralmente, quando alguém não se sente bem fisicamente, não tem receio em procurar um médico. Assim também deveria ser a procura por acompanhamento psicológico, afirma Dirce. “Sempre que alguém sentir-se indisposto emocionalmente, por exemplo: uma dor emocional inexplicável; o humor oscila muito; problemas para dormir ou com a alimentação; muitos pensamentos negativos; memória prejudicada; sentimento de solidão; vontade de se prejudicar ou se ferir; hábitos pouco saudáveis como beber, fumar ou usar drogas e dificuldade em viver sem eles. Enfim, se tiver alterações emocionais, procure ajuda de um psicólogo e psiquiatra. Esses profissionais estão aí para ajudar você”, diz.

Muitas vezes, a pessoa que pensa em cometer suicídio dá sinais, com frases, palavras, desenhos, ações. As pessoas precisam ficar atentas aos sinais, aos comportamentos, que são um pedido de ajuda. “Esteja aberto para escutar e sugira procurar ajuda de um psiquiatra e um psicólogo, que são os profissionais capacitados para isso. Pessoas com ideação suicida precisam de medicação e psicoterapia. Você pode ouvir, mas não terá a técnica necessária para o tratamento”, diz Dirce.

A psicoterapia (em casos mais graves, associada à medicação) vai ajudar no autoconhecimento; a aprender a conhecer e lidar com emoções e sentimentos, que estão interligados com as cognições e comportamentos. As pessoas de modo geral não sabem identificar suas emoções e por isso acabam perdendo o controle e criando situações que levam a conflitos tão grandes que duram anos ou a vida toda. “O autoconhecimento é para todos. Só assim, teremos um equilíbrio e regulação emocional adequados”, completa a profissional.

A psicóloga conclui dizendo: “Se você estiver sofrendo, busque ajuda. Procure pessoas que possam te ouvir e te ajudar nessa dor emocional. Acabe com a dor, não com a vida. Procure um profissional com o qual você se identifica. Um profissional capacitado e que se alinha ao seu jeito de ser!”

“Você pode não ter controle sobre suas emoções, mas tem o controle de pedir ajuda profissional para entender seus afetos, comportamentos e cognições e lidar com isso de uma maneira mais adequada. Um passo de cada vez.”

“Se você perceber que alguém com quem convive estiver sofrendo e precisando de ajuda, acolha sem julgamento. A dor do outro é dele. Você nunca poderá medir em comparação com a sua dor. Sugira tratamento com psicólogo e psiquiatra. Mas se lembre sempre: acolha sem julgamento.”

Por: Tauana P. da Costa/Jornalista do Jornal da Integração