Que cidade queremos? Em que tipo de cidade podemos viver hoje? Que tipo de cidade podemos sonhar?
22 julho 2017 |
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Arroio Puxiretê, em Ibirubá (foto: Claudiomiro Pereira dos Santos)

A renaturalização de rios e córregos em áreas urbanas degradadas, com qualificação dos espaços de lazer, novas propostas de transporte, reestruturação da mata ciliar, recuperação da fauna aquática, paisagem e melhoria de vida da população ribeirinha tem transformado diversas cidades em todo o mundo e prevenido contra alagamentos.

A busca pela sustentabilidade, com a ampliação de áreas verdes e a exigência da população por mais espaços públicos em contato com a natureza, vem na contramão das intervenções urbanas em rios que conhecemos, que transformam esses em verdadeiros canais de esgoto. Essa busca tem motivado cidades como Seul, na Coreia do Sul, e Copenhague, na Dinamarca, a promoverem essa mudança, possibilitando a ressignificação desses rios para a população e ainda estimulando o comércio e o turismo em torno dos mesmos.

Em Curitiba, o Programa Biocidade alia o planejamento urbano com a preservação de áreas verdes, com objetivo de proporcionar alta qualidade de vida para os cidadãos. O índice de áreas verdes é de 52m2/habitante, com 30 parques e bosques públicos, 950 áreas de lazer, além de 300 mil árvores na arborização viária. A urbanização contribui para a conservação da biodiversidade, com a proteção de ecossistemas e fragmentos de espaços naturais.

Em Ibirubá, o Arroio Puxiretê, ou Rio Pulador, e sua bacia, representa uma área de grande potencial para o aumento da qualidade de vida da população, já que possui boa parte de seu curso dentro da área urbana. Porém, suas margens são subutilizadas, com pouca vegetação, infraestrutura, e suas águas já tem sinais de poluição.

Imaginem se, como nessas experiências que já foram feitas em outras cidades, tivéssemos as nossas margens com uma vegetação vistosa, águas limpas e infraestrutura urbana para usufruir destes espaços. Se transformássemos as margens do nosso Rio em um lugar que amamos, que queremos vivenciar e cuidar. Se tivéssemos junto a ele áreas para a prática de esportes, lazer e contemplação. E, ainda, se pudéssemos requalificar o entorno, estimulando novos investimentos no comércio local e gerando emprego e renda para a população ali residente.

O equilíbrio ambiental está diretamente relacionado à qualidade de vida da população, e para alcançarmos um ambiente urbano equilibrado, o caminho é um planejamento que inclua essa questão.

Por isso, é imprescindível buscarmos a regeneração das áreas que se encontram ambientalmente degradadas e lutarmos pela transformação dos espaços públicos em torno do Rio Pulador, agregando áreas remanescentes naturais ao espaço público, resultando em uma nova paisagem urbana que retome a relação harmônica do homem com a natureza.

Luiza Baggio

Arquiteta e Urbanista

(51) 98208-7166

Seul, na Coreia do Sul, antes e depois da renaturalização (Fonte: ecourbana.wordpress.com)