Cidade Selbach
Autônomos do ramo de festas e shows afirmam que precisam voltar às atividades imediatamente
9 março 2021 | Cidade Selbach
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Há quase um ano sem poder trabalhar, os empresários autônomos do setor de eventos pedem por uma solução para voltar à ativa. Pelos protocolos determinados pelas autoridades de saúde, festas e eventos particulares ainda seguem suspensos, mas quem trabalha no ramo pede uma chance para aliviar os impactos econômicos provocados pela pandemia da Covid-19. Muitos trabalhadores do ramo estão decretando a falência. Em contrapartida, é exponencial o agravamento da situação de saúde do país, com cenários de superlotação de hospitais e esgotamento de leitos de terapia intensiva.

 

Gilnei Fimm, de 47 anos, é natural de Ijuí (RS) e possui residência fixa em Selbach. Profissional no ramo de sonorização, iluminação cênica e animação de festas, atua no ramo há mais de 25 anos.

Como todos sabem, nosso setor de eventos foi o mais afetado, tivemos 100% de nossas atividades canceladas. Estamos parados há um ano, fomos os primeiros a parar e seremos os últimos a voltar a trabalhar. Nosso setor abrange muitos profissionais e muita gente que dependia e depende cem porcento de eventos. Podemos citar alguns dentre eles: músicos, bandas, DJs, técnicos de som e luz, casas de shows, promotores de eventos e feiras, circos,  decoradores de festas, buffet´s, garçons, cerimonialistas, equipes de apoio e, ainda, coloco junto o transporte escolar e o turismo. É muita gente parada à espera de uma solução que não virá. Além de tudo, muitos venderam tudo e já desistiram daquilo que mais gostam de fazer. Alguns sofrem e tentam se tratar de depressão, outros têm função paralela sim, porém, agonizam tentando pagar suas contas e dívidas feitas para melhoria e investimentos em equipamentos e estruturas, ou infraestruturas, para melhor atender seus clientes.”

Além disso, segundo Gilnei, seu serviço está paralisado e não visualiza autoridades ou entidades moverem ações para o setor.

 

“Infelizmente, não vemos ninguém mover uma ação para ajudar nosso setor que, sem dúvidas, é muito importante, até mesmo, para o comércio, que fatura bastante com nossas festas e eventos. Sequer, até agora, não fizeram nenhuma manifestação ao nosso favor, e inclusive, entram em pânico tendo seus estabelecimentos fechados por 7 dias ou pouco mais. Muitos colaboram sim com ajuda financeira para realização de algumas lives, o que ameniza um pouco nossa tristeza e agonia, somos gratos a eles. O próprio Governo Federal lançou alguns programas, alguns auxílios, que também não resolvem nosso problema: o auxílio emergencial de 600 reais poucos receberam; a verba da Lei Aldir Blanc, a mesma coisa: beneficiou apenas meia dúzia de cada cidade e, lamentavelmente,  faltou união e afeto da parte de muitos colegas. Eu não fui beneficiado com nada por ser servidor público municipal, em que tenho uma renda de pouco mais de R$1.500,00 e tinha, nos eventos, minha principal fonte de  renda, o que acontece com muitos profissionais dessa área. Já os bancos lançaram empréstimos com juros reduzidos, mas o que queremos não é fazer dívidas agora, muitos caíram nessa e eu fui um deles, fazendo empréstimo com juros baixos e 6 meses de carência. Porém, já se passaram os 6 meses, nada de eventos e mais essa dívida pra pagar”, diz Gilnei.

O autônomo questiona-se sobre como resolver a situação:

“Soubemos que hoje, realmente, tá complicado, ainda mais que nosso trabalho envolve aglomeração, mas podemos refletir: já se passou um ano e nada melhorou, bem pelo contrário. Então, tá claro que a culpa não é dos eventos, pois estamos parados, enquanto o resto quase tudo estava normal. Por que não fazer um plano de segurança e higiene para trabalharmos com responsabilidade assim que as contaminações diminuírem? Muitos irão dizer que estamos loucos, mas loucos mesmo, vamos ficar com mais um ano sem trabalho. Outra maneira de sermos ajudados é ter nossas dívidas pausadas até o retorno de nossas atividades, e um auxílio de fundamento para nossa classe. Para finalizar, quero dizer que queremos ser vistos com bons olhos, queremos ser respeitados e valorizados, pois também somos humanos, temos famílias e sentimentos e não podemos mais ficar em casa”, finaliza.

O estado do Rio Grande do Sul permanecerá em bandeira preta na próxima semana de acordo com declarações do governador Eduardo Leite. O país vive o momento mais crítico desde o início da pandemia no Brasil, em março de 2020.