Saúde
Baleia Azul: Tapera oferece atendimento profissional nas UBSs
30 abril 2017 | Saúde
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O jogo Baleia Azul, uma série de desafios que terminam com o suicídio do jovem, têm preocupado pais, educadores e profissionais. Em Tapera, todas as unidades de saúde possuem psicólogas e assistentes sociais que atendem essas demandas, além de, se necessário, fazer avaliação médica, psiquiátrica e tratamento medicamentoso.

Com o intuito de auxiliar os pais, a Secretaria de Saúde do Estado do Rio Grande do Sul, por meio do Comitê Estadual de Promoção a Vida e Prevenção do Suicídio, recomenda que os familiares de crianças e adolescentes fiquem atentos a sinais: comportamento autodestrutivo (lesões autoprovocadas, exposição a situação de risco, uso de drogas), isolamento social, manifestação de tristeza e de desejo de morte, verbal ou escrita; irritabilidade e crises de raiva, histórico de suicídio na família, tentativa de suicídio prévia e a participação de desafios autodestrutivos, entre os quais o “Jogo da Baleia Azul”, que tem causado grande mobilização.

Também é interessante saber sobre os mitos e as verdades em relação ao suicídio. Abaixo seguem perguntas e respostas, adaptado de Befrienders International (acesso em 02/08/10).

 

1) Quem vive ameaçando se matar nunca o faz: Esse é um dos principais mitos sobre o suicídio. O comportamento suicida é uma ação extrema de uma pessoa em grande sofrimento que não vê outra saída a não ser a morte. O mito é mais forte ainda em relação ao jovem, quando a tentativa é vista como uma forma de chamar a atenção. O fato de dizer que quer morrer já é um alerta importante de que alguma coisa vai muito mal com a pessoa. Mais de dois terços (BOTEGA et al, 2006, p. 14) das pessoas que cometeram suicídio manifestaram previamente sua intenção, que não foi percebida.

2) A tentativa de suicídio é uma forma de chamar a atenção: A tentativa de suicídio deve sempre ser levada a sério, não se deve duvidar nunca da fala da pessoa que diz querer pôr fim a sua vida. A verbalização desse pensamento de morte é um importante sinal de alerta de que a pessoa está em grande sofrimento e que precisa de ajuda.

3) Quem quer se matar normalmente não fala sobre o assunto. Simplesmente se mata: A maior parte das pessoas que se suicida dá sinais importantes, às vezes inconscientes, de que não estão bem e de que precisam de ajuda. Frequentemente esses sinais não são compreendidos na sua gravidade.

4) Quem comete suicídio é louco: Independentemente do estado mental da pessoa que fala em se matar, este é um importante sinal de alerta que deve ser entendido como um pedido de ajuda. É comum achar que o suicídio ocorre apenas em quem tem um grave problema mental, mas isso nem sempre é verdade.

5) Não se deve perguntar se a pessoa está pensando em se matar porque isso pode induzi-la ao suicídio: Pelo contrário! Ao perceber sinais de que a pessoa está pensando em suicídio, o tema deve ser abordado abertamente, porém com cautela, com uma atitude de acolhimento. Proporcionar um espaço para falar sobre seu sofrimento, de forma respeitosa e compreensiva, favorece o vínculo, mostrando que nos importamos com ela e que outras saídas são possíveis.

6) Se alguém quiser se suicidar, nada vai impedi-lo: É importante entendermos que a pessoa que fala em acabar com sua própria vida está falando de um sofrimento insuportável, para o qual não vê saída, e que, naquele momento, enxerga a morte como única possibilidade. As tentativas de suicídio são pedidos de ajuda que devem ser entendidos como tais. Acreditar que quem quer se matar acaba se matando mesmo pode levar a uma situação de impotência diante de uma pessoa em situação de risco. “Não se trata de evitar todos os suicídios, mas sim os que podem ser evitados”.

7) Quando uma pessoa tenta suicidar-se, tentará novamente pelo resto da vida: A pessoa que quer se suicidar se sente assim por um determinado tempo, até poder enxergar outras saídas para o sofrimento que está sentindo. É nisso que o profissional deve apostar, envolvendo a pessoa nessa busca de novas possibilidades. Pensamentos suicidas podem ser recorrentes, mas não são permanentes e podem nunca mais aparecer.

8) Uma pessoa que tenta se matar uma vez, dificilmente tentará novamente: A tentativa de suicídio é o fator de risco mais importante a ser considerado na prevenção do suicídio. As estatísticas mostram que, para cada suicídio consumado, ocorreram 10 tentativas, e que a pessoa pode tentar mais de uma vez. Isso aponta para a importância do tratamento por profissional devidamente capacitado.

9) Após uma tentativa de suicídio, uma melhora rápida significa que o perigo já passou: Quando a pessoa se mostra mais calma, não significa necessariamente que o problema se resolveu. Ela pode estar mais calma justamente por já ter se decidido pelo suicídio como forma de terminar com seu sofrimento, aguardando apenas uma oportunidade. Por outro lado, muitos suicídios ocorrem quando a pessoa começa a melhorar do quadro depressivo, ou seja, quando tem a energia e a vontade de transformar pensamentos em ação autodestrutiva. O início do tratamento/recuperação da depressão é um momento crítico que requer o máximo cuidado.

10) Quem planeja o suicídio quer morrer: A ambivalência é uma característica importante no comportamento suicida. A pessoa muitas vezes não deseja a morte, mas uma vida diferente, uma saída para seu sofrimento. O fato de dizer que quer morrer já representa um grave sinal que deve ser considerado como alerta.

11) Quem se mata é fraco: Não se deve fazer julgamento moral da pessoa que busca no suicídio a solução para seu sofrimento. A pessoa muitas vezes sofre de um transtorno que altera sua percepção dos fatos, o que a leva a buscar na morte a sua saída. Em lugar de julgamento, o que se deve oferecer é compreensão e acolhimento, tanto para a pessoa como para seus familiares. O que leva ao suicídio é uma dor psíquica insuportável e não uma atitude de covardia ou de coragem.

12) Suicídio é coisa de rico. Pobre não tem tempo para isso: O suicídio atinge todas as camadas sociais, independente de sexo, raça ou idade. Embora existam fatores mais associados ao suicídio, ele está presente em todas as camadas sociais.

(via Michelle Corazza/PMT)