Caso Dr. Braun: análise indica que osso supostamente retirado do jazigo é de um jovem negro
24 junho 2017 |
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Clóvis Messerschmidt – Diretor Executivo e Jornalista

Revista Enfoque

 

Ibirubá – Atendendo a inúmeros pedidos de leitores e da comunidade em geral, estamos dando continuidade às reportagens especiais sobre o Caso Dr. Braun, informando que a delegada Diná Rosa Aroldi, após o retorno das suas férias, liberou o laudo do osso misterioso, e também forneceu mais informações para a nossa reportagem.

O documento emitido pelo Instituto Geral de Perícias do RS apontou que se trata realmente de uma tíbia (canela) humana esquerda, de um homem jovem, com mais de 18 anos, que teria morrido há mais de um ano, com estatura provável entre 1,68 m e 1,71 m, além da predominância de características da afinidade racial negra, informações obtidas através do teste do carbono 14. Também explica que para saber a causa da morte, seria necessário reunir mais ossos do referido cadáver.

Conforme contato com a delegada Diná, ela explica: “Para realizar o exame de DNA, deve haver material genético para ser confrontado com o material do osso, porém como não se sabe a quem ele pertence, por enquanto, não haverá maiores diligências no caso. Quanto à violação, não se pode afirmar se realmente ocorreu, pois não houve nenhuma perícia no túmulo, até porque o Instituto Geral de Perícias não realiza esse tipo de trabalho. Até o momento, nenhum familiar do Dr. Braun procurou a Delegacia de Polícia, apenas a diretoria da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Ibirubá, naquela ocasião da suposta violação”, finalizou.

Vale lembrar que como não houve uma perícia no túmulo do Dr. Braun, ainda não se pode afirmar que o referido osso foi realmente retirado de lá, pois há dúvidas inclusive quanto à violação, já que a sepultura permanece intacta aparentemente. Mas quem vê as fotos da suposta violação ou visita o jazigo, logo se convence que ele foi aberto, tendo em vista as fissuras laterais e a fresta que há no rejunte que emenda a tampa com o restante da estrutura debaixo.

Há 53 anos, a estranha morte do Dr. Braun e o sarcófago onde ele estaria sepultado despertam a curiosidade da comunidade ibirubense e regional, havendo clamor público para que essa história seja elucidada definitivamente. Mas para isso, é imprescindível a exumação e o confronto do DNA do osso misterioso com a ossada que supostamente esteja dentro do jazigo, sendo que a primeira pista seria a falta da referida tíbia esquerda.

De quem é aquele osso que surgiu estranhamente? Os restos mortais do Dr. Braun estão realmente naquele túmulo? A lenda que conta que o cão pastor alemão substituiu o Dr. Braun no caixão, teria um fundo de verdade? Por que a sepultura tem aquele formato e foi colocada sobre a terra? Por que os violadores não deixaram o túmulo aberto? O Dr. Braun estaria vivo ainda? Por que a família até hoje não autorizou a exumação? São essas algumas das muitas perguntas que ouvimos nas rodas de conversas.

Em entrevista, Rudi Schweig, presidente da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Ibirubá, destacou novamente: “Queremos que as autoridades competentes esclareçam tudo para a população, pois não se pode mais conviver com toda essa fantasia”. Portanto, nos resta aguardar os trâmites legais ou que algum familiar do Dr. Braun autorize a exumação, assim pondo fim nessa história lendária que há cinco décadas instiga o imaginário popular.

As fotos da suposta violação, enviadas à Rádio Ibirubá, foram analisadas por fotógrafos profissionais, que destacaram que elas são reais e não apresentam montagens. Aparentemente, o túmulo permanece intacto, mas apresenta indícios de violação