Agricultura Cidade
Com a volta das chuvas, o que muda nas condições das lavouras?
17 dezembro 2021 | Agricultura Cidade
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Entre os dias 14 e 15 de dezembro, segunda e terça-feira, respectivamente, a chuva voltou em nossa região após 50 dias de estiagem. Mas o que esperar a partir de agora? Essa precipitação resolveu a atual situação em que as lavouras se encontram?

O extensionista Oneide Ernesto Kumm, da Emater de Ibirubá, diz que essas chuvas não alteram o atual cenário das lavouras, mas trazem um certo alívio ao produtor. Para que tudo melhore, são necessárias chuvas que registem precipitações acima dos 100mm.

Além de conversar com o extensionista, conversamos com Marcio Ücker, Consultor Agro, Especialista em Gestão e Economia em Agronegócios.

“Era com ansiedade que esperávamos a volta das chuvas. Nesta última segunda e terça feira, dias 14 e 15 de dezembro, a chuva retornou, porém, de forma esparsa, trazendo consigo volumes baixos em determinadas áreas do nosso município, e em outras, com volumes bem satisfatórios. As médias de precipitação variaram de 10 mm até 38 mm em nossa região. Com isso, criamos alguns cenários: nas lavouras já implantadas e que estavam em situação de stress hídrico com falta de chuva, estas precipitações, mesmo que baixas, contribuem para o desenvolvimento das plantas. Para as lavouras que dependiam de uma chuva para a realização dos trabalhos de replantio devido à morte de plantas por causa da seca, só será possível nestes locais onde os volumes de chuva foram mais consistentes”, explica Márcio.

Mas a maior preocupação dos produtores rurais está nas lavouras que ainda faltam ser semeadas, como reforça ele:

“Nestas lavouras onde os volumes foram baixos, não é recomendado o plantio da soja, visto que as lavouras estavam com um período muito grande sem umidade e, para que se pudesse ‘arriscar’ a semeadura, seria necessária uma continuidade de chuvas nos próximos dias ou com uma condição de previsão do tempo mais favorável em dezembro e janeiro. As lavouras de milho, com o cenário destas precipitações, não alteram suas condições de perda, que em algumas, são de perda total, afetando ainda de forma significativa a alimentação dos animais para a produção de leite e/ou de corte. Nas demais regiões do nosso estado onde nossas equipes de engenheiros agrônomos prestam assistência a clientes da Epagre, a chuva também ocorreu, em volumes que variaram entre 15 e 60mm. Nestas regiões, as lavouras estavam em condição de normalidade. As lavouras, praticamente todas implantadas, apresentaram alguns sinais de deficiência hídrica, mas com os volumes de chuva que receberam, voltam à sua condição de normalidade, retomando seu desenvolvimento pleno”.

Para o mês de dezembro, as previsões mostram um quadro que ainda é preocupante.

“Às lavouras em nossa região que ainda não puderam fazer o plantio da soja, as notícias não são agradáveis, visto que a previsão de uma chuva boa, antes do término da nossa janela de plantio, que se encerra no próximo dia 31 em nosso município, nos deixa muito preocupados. Será necessário um trabalho intenso das entidades e autoridades que representam o setor, para que se consiga o alargamento do plantio no Zoneamento de Risco Climático do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil. Sem isso, infelizmente, nossos agricultores não terão o benefício do  Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e/ou do seguro agrícola das lavouras”, comenta.

Previsão do tempo para o restante do mês de dezembro de 2021: