Cortes orçamentários comprometem atividades do IF Campus Ibirubá
8 julho 2017 |
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Alerta vermelho no Instituto Federal: Comunidade precisa entender a importância da instituição

A crise financeira e cortes orçamentários do Governo Federal atingem a população, empresas e diversas instituições no país. Dentre elas, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) é um dos mais afetados. Em processo de consolidação e expansão, a comunidade regional tem de se mobilizar para apoiar a instituição.

Desde 2015, os repasses orçamentários à instituição vêm diminuindo significativamente, a cada ano. Em 2017, especificamente, a diminuição dos repasses de custeio assusta a comunidade escolar. A diretora Migacir Trindade Duarte Flôres expôs à Reportagem do VR a real situação enfrentada.

O Campus Ibirubá recebeu somente 60% da verba de custeio e manutenção (utilizada para manter contratos com empresa de fotocópias, vigilância, limpeza, energia elétrica, internet, serviços agropecuários alimentação, dentre outros), e nada para investimentos, recursos que iriam para a infraestrutura, novos equipamentos e obras – os investimentos foram congelados.

“Estamos batalhando mais 10% das verbas de custeio com muita dificuldade. Se continuar assim, não conseguiremos manter os contratos até o final do ano. Além disso, foi aprovada emenda constitucional que congela os investimentos em saúde e educação por 20 anos e isso nos preocupa, pois essa emenda prevê que o orçamento dos órgãos públicos executado este ano receberá a correção apenas da inflação em 2018. Com isso, entendemos que o governo está contingenciando, segurando para que possamos trabalhar com o mínimo e executar com o mínimo de orçamento, para essa correção incidir sobre este valor. Porém, os contratos que temos sofrem correção maior que o índice, pois as pessoas terceirizadas que trabalham no campus têm os dissídios das categorias, e geralmente o percentual de reajuste é acima da inflação. Então, a cada ano que passar, a situação irá se agravar. Por isso, a nossa preocupação é pela não precarização do ensino”, relata a professora Migacir.

Diretora Migacir Trindade Duarte Flôres

 

Criado em 2010 a partir da federalização da Escola Técnica Alto Jacuí (ETAJ) como uma extensão do Campus IFRS Sertão, o IFRS Ibirubá obteve a portaria de Campus em 2013. Em uma área de 101 hectares, as instalação oferecem três cursos técnicos integrados (manhã e tarde), três cursos técnicos subsequentes (noite), cinco cursos superiores e uma pós graduação. Atualmente, o IF possui 900 alunos e 105 servidores, entre docentes e técnicos administrativos, além  de 28 funcionários terceirizados.

 

Alimentação

Os cortes começam a afetar serviços básicos, como a alimentação. “Até o ano passado e início deste ano, os alunos do Ensino Integrado recebiam o almoço de segunda a sexta-feira. De um tempo para cá, isso não está mais sendo possível, então nos dias em que eles não têm aula no turno inverso (quartas e sextas), eles não ganham almoço. Ao meio dia, quando acaba a aula, eles embarcam no ônibus e vão embora. Porém, a maioria dos nossos alunos participam de projetos de pesquisa e extensão no turno inverso, e os horários de atendimento ao aluno funcionam justamente nos turnos em que eles não têm aula. Por isso, muitos acabam permanecendo aqui nestes dias e não têm mais o almoço gratuito. O restaurante, por ser terceirizado, permanece aberto, mas eles precisam tirar do próprio bolso”, lamenta a diretora.

Greve e mobilizações

Sobre a possibilidade de uma greve ainda neste ano, Migacir afirma que o assunto ainda não está sendo discutido, mas diversas mobilizações estão sendo planejadas. “Nossa preocupação é com a manutenção da qualidade de ensino, e por isso mesmo estamos fazendo mobilizações com alunos, servidores e comunidade, para que consigamos reverter, ao menos em parte, tudo o que está acontecendo. E isso não é uma realidade só nossa (os cortes), e sim de todos os institutos federais e universidades federais. Inclusive, foi criada uma Frente Parlamentar (na Assembleia Legislativa) em defesa dos institutos federais através dos deputados, para defender o orçamento dessas instituições”, disse.

Expansão do número de alunos

Atualmente, mais de um milhão de alunos estudam nos institutos federais de todo o país. E, em todos os campi, a situação dramática se repete. “Em Ibirubá são quase 900 alunos, e o projeto é expandir este número para 1.300, pois há turmas de cursos de Agronomia, Engenharia Mecânica e Ciência da Computação que ainda não se formaram, e, até que isso ocorra, novas turmas irão entrar. Todos os alunos que já ingressaram na instituição têm o direito de finalizar seus cursos. Nosso planejamento para o processo seletivo do próximo ano continua o mesmo, com oferta do mesmo número de vagas em todos os cursos”, detalha a Diretora Migacir.

Prédio dos laboratórios de mecânica teve problemas de projeto

 

Prefeitura está ciente e lideranças podem ajudar

Recentemente, o prefeito Abel Grave e secretários estiveram no IFRS para conhecer a estrutura e a realidade da instituição, mas o município não tem como apoiar diretamente, com recursos. A diretora espera apoio político: “Financeiramente, o município não tem como ajudar a instituição, porque isso é uma obrigação da União. O que a gente já vem fazendo a algum tempo são parcerias com as empresas, através dos nossos projetos de pesquisa e extensão. A Prefeitura nos auxilia em pequenos ajustes necessários, alguma reforma, mas o maior auxílio é através dos contatos políticos que as lideranças políticas de Ibirubá e região conseguem para trazer maior visibilidade ao campus e a nossa situação”.

O Campi corre o risco de fechar?

Ao ser questionada sobre o real risco do IFRS fechar as portas, Migacir pondera. “Hoje, temos um grande número de cursos, alunos e servidores. Na minha opinião, dificilmente o IFRS irá fechar suas portas. Mas, isso depende muito da mobilização da comunidade. O Campus foi uma conquista de Ibirubá e região, fechar acredito que não aconteça, mas temos que trabalhar para manter a qualidade de ensino e evitar a precarização”. A diretora do IF também lembrou: “Outra preocupação é que ocorra a privatização, e todos sabemos que, se isso ocorrer, as pessoas terão que pagar para poder estudar. Por volta dos anos 2000, já houve essa tentativa de tornar particulares as escolas agrotécnicas que existiam na época. Hoje, a rede profissional tecnológica é muito maior, mas já existem portarias do governo autorizando a cobrança de cursos de especialização das universidades federais e institutos”.

“Cerca de 75% de nossos servidores vieram de fora e fixaram residência no município, que, apesar de ser de pequeno porte, possui ensino desde a pré escola até o ensino superior, e isso é um orgulho, um avanço enorme para a região. Lutamos para que o ensino continue sendo público e gratuito, e que se mantenha a qualidade. É sempre importante lutar pela Educação em todos os níveis e modalidades, sabemos que para um país se desenvolver, é importante a valorização da Educação. Infelizmente, a maioria dos políticos não tem esse entendimento dessa importância, e, por isso mesmo continuamos na luta, pois é uma causa que vale a pena”.