Política
Dileta: compra de carro para a Câmara não está definida
22 abril 2017 | Política
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A presidente da Câmara de Ibirubá este ano, Dileta de Vargas Pavão das Chagas, falou esta semana sobre as diárias dos vereadores, a compra de um veículo e das relações com seus pares. Ela recebeu a Reportagem do VR quarta-feira pela manhã, 19, acompanhada de dois de seus assessores, Djones da Silva e Júnior Knoff.

Depois da repercussão, a vereadora disse que ainda não decidiu-se pela compra de um veículo para o uso exclusivo da Câmara. “Na verdade, o que foi feito foi uma consulta aos colegas. (…) Num primeiro momento, somente um ou dois vereadores se posicionaram contra, o restante era a favor. Após algumas viagens realizadas em prol do município percebeu-se essa necessidade, porém a compra ainda não está definida”, disse.

Questionada sobre o momento ser inadequado para a compra, ela relativizou: “A gente tem que levantar algumas questões, pois, se eu não falar de coisas que podem mudar a Câmara, eu fui (serei) uma presidente que apenas seguiu o roteiro dos outros, e não fez nada diferente”.

O VR indagou se houve cálculo de custo e benefício sobre a aquisição do veículo. “Com os cálculos que fiz, se o Legislativo tivesse um carro, não seria para uso de um só vereador, mas de todos, até porque nunca se vai sozinho a um evento. Com a compra do carro não haverá gastos extra, nem sobra de dinheiro para o vereador. O motorista é provável que a Prefeitura ceda, pois já está sendo pago pelo poder público. A meu ver, quando vamos com o carro da Prefeitura já estamos usando dinheiro público, pois o motorista também está ganhando para isso. O motorista poderia ser cedido do Executivo ou poderia se pensar em fazer um concurso, mas em nenhum momento eu afirmei que faria isso”.

Frente a uma pergunta clara e direta, nota-se que a conotação de “cálculo” foi relacionada com crença, ou especulação. Subentende-se então que não há números que justifiquem os argumentos sobre a compra.

 

Os vereadores não viajam mais de ônibus?

A Reportagem perguntou se os vereadores ainda viajavam de ônibus. “Alguns até viajam de ônibus, mas é tudo pago pela Câmara. Hoje, uma viagem de ônibus a Porto Alegre custa mais de 200 reais”. O interlocutor rebateu, indagando sobre a mesma diária à capital com carro próprio, ao que Dileta revelou ser de mais de R$ 500 – mais do que o dobro.

Questionada sobre considerar o valor das diárias excessivo, a Presidente Dileta concordou: “É um valor exagerado sim, mas tem vereadores que ainda querem aumentar o valor, inclusive do km rodado, que hoje está em R$ 0,90. É contraditório, não querem o carro para não aumentar despesas, mas querem que aumente o valor do km rodado. Já consultei o Tribunal de Contas sobre isso e ainda não obtive retorno, mas posso afirmar que na minha gestão esse aumento não vai ocorrer”.

Dileta reconheceu que é sua a prerrogativa de vetar o pagamento das diárias, e que questiona os vereadores sobre a necessidade de ir viajar quando lhe é solicitado, mas ao mesmo tempo esquivou-se dizendo que cada um é responsável por seus gastos. “Fica um clima terrível e ocorre um desgaste enorme, pois ao negar sou taxada de ‘bruxa malvada”.

Em maio, pelo menos cinco vereadores planejam ir à capital federal participar da Marcha a Brasília e na semana que vem há a Marcha dos Vereadores, promovida pela UVB – União dos Vereadores do Brasil. A presidente disse que vai barrar alguns, pois os gastos, somente na Marcha dos Vereadores, superam R$ 40 mil.

 

Gabinete para o PTB do Vereador Fior

“Quando foi feito o projeto da Câmara e as salas, eu não estava aqui, novamente não posso responder por algo que não fui eu quem criei. Hoje, os gabinetes (salas) estão distribuídos da seguinte forma: um para a presidência, um para a assessoria da presidência (que não é exclusivo e pode ser cedido), um para a secretária e assessores da Câmara, um para o assessor jurídico, um para a contabilidade, controladoria e pagamento de despesas (ocupado por dois profissionais), e mais cinco gabinetes de bancadas, que devem ser divididos entre as bancadas existentes. Hoje, estão divididos da seguinte forma: PMDB, inicialmente oferecido para ser compartilhado com o PTB e negado por um só vereador (ofício foi entregue ao vereador juntamente com a chave no dia 2 de fevereiro, mas ele teria recusado); DEM, utilizado por dois vereadores e oferecido para ser dividido com o PTB, também negado; PP, utilizado inicialmente por quatro vereadores e hoje continua com quatro vereadores e três bancadas (PP, Solidariedade e PRB), um do PT utilizado por dois vereadores e um do PTB, que inicialmente era utilizado pelo PRB com dois vereadores eleitos e depois dividido com o Solidariedade”.

Sobre Vagner ter oferecido seu gabinete ao PTB, Dileta disparou: “Não gosto de entrar nessa questão, pois quem deveria tomar posição de ceder ou não o gabinete seria a presidência, senão não precisaria ter presidente”.