Donos de agroindústrias avaliam lei que permitiu abandonarem a clandestinidade
19 julho 2017 |
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Sul21 – Proprietários de oito agroindústrias localizadas em municípios que aderiram ao Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (SUSAF-RS) apresentaram nesta quarta-feira (19) pela manhã no Teatro Dante Barone uma avaliação dos resultados econômicos obtidos e das perspectivas abertas com a possibilidade de comercializarem seus produtos em todo o Estado. Eles integraram mesa de debates do Seminário sobre o SUSAF-RS, promovido pela Assembleia Legislativa, Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação e Federação das Associações dos Municípios do Rio Grande do Sul (FAMURS).

Instituído pela Lei 13.825/2011, de autoria do deputado Edegar Pretto (PT), o SUSAF/RS permite às empresas que contam com o selo do Sistema comercializar produtos de origem animal fora das fronteiras de seus municípios. Atualmente 21 cidades formalizaram adesão ao Sistema, totalizando 34 agroindústrias familiares cadastradas. No entanto, mais de 250 localidades já solicitaram adesão e aguardam liberação da Secretaria da Agricultura, responsável pelo credenciamento.

Localizada em Salvador do Sul, o primeiro município gaúcho a aderir ao SUSAF, a Granja Ovo Urbano viu na nova legislação uma porta para abandonar a clandestinidade. “Temos ainda que fazer adequações na produção, mas podemos vender com tranquilidade em todo o Rio Grande do Sul. Para nós, pequenos, o SUSAF representa a possibilidade de sobrevivência no mercado”, apontou Volnei Rauber, proprietário da agroindústria.

Aline Gauer, da agroindústria Herbon, de São José do Sul, apresentou avaliação semelhante. “É a forma que muitos têm de sair da ilegalidade. Hoje, temos oito pessoas da família mais dez colaboradores trabalhando exclusivamente na Herbon”, revelou.

Já o proprietário dos Embutidos Dalla Vecchia, de Aratiba, afirmou que a agroindústria dobrou a produção após a adesão ao SUSAF. “Quando abrimos, vendíamos só dentro de Aratiba. Embora a aceitação fosse boa, a comercialização era limitada. Não conseguiríamos ficar muito tempo de pé. Com o SUSAF, conseguimos ampliar a produção, as vendas e a parceria com outros produtores da região”, declarou Douglas Dalla Vecchia.

Produção triplicada

O Frigorífico Specht, de Salvador do Sul, triplicou a produção depois que aderiu ao SUSAF. O seu proprietário, André Mallmann, afirmou que as orientações dos fiscais ajudaram a ampliar a produção sem aumentar o número de funcionários. “Em uma pré-auditoria, o fiscal nos orientou a mudar a linha de abate. Confesso que me assustei, mas um ano depois fui, pessoalmente, agradecer, pois a alteração nos ajudou muito”, revelou.

Leite Nativo, a primeira micro-usina do Rio Grande do Sul, com 24 anos de existência, não tinha nenhuma perspectiva de crescimento. A única alternativa para aumentar o faturamento seria a venda ilegal fora de Restinga Seca, município onde está instalada. “O SUSAF abriu nossas perspectivas, especialmente, porque passamos a fornecer leite para a merenda escolar de outros municípios da região”, contou Elizabete Mazzoquatro.

Ela teme, no entanto, o fim do programa. “Até quando vamos ter o SUSAF? Vamos ficar agarrados no galho novamente? Como vamos investir se não temos clareza em relação ao futuro?”, questionou.

Treinamento

A segunda mesa de debates do Seminário reuniu médicos veterinários, que atuam nas inspeções dos municípios, e os prefeitos de Salvador do Sul, Marco Aurélio Eckert, e de Victor Graeff, Cláudio Afonso Appelt. Eles relataram as experiências ocorridas em suas cidades e as dificuldades para a estruturação dos serviços de fiscalização e controle.

O médico veterinário Ângelo Pretto, de São Francisco de Paula, afirmou que o SUSAF exige treinamento permanente das equipes. “Como o desafio é manter a adesão, precisamos de aprimoramento constante”, frisou.

Sua colega, de Restinga Seca, ressaltou que ainda há preconceito com os serviços de inspeção municipais, mas que eles têm tanta capacidade técnica quanto seus equivalentes estadual e federal. “Estamos em permanente atualização, pois a legislação mudou, drasticamente, nos últimos dois anos e temos responsabilidade social, pois sabemos que as agroindústrias querem a tranquilidade para comercializar seus produtos nos municípios vizinhos sem serem criminalizadas”, declarou a médica veterinária Saline Santos.

Retorno

O prefeito de Salvador do Sul disse que as agroindústrias do município comercializam para 15 cidades da região. “Há retorno para as agroindústrias e para o município na mesma proporção. O SUSAF proporciona crescimento para todos e, por isso, é uma prioridade para nós”, salientou.

Já o prefeito de Victor Graeff afirmou que legislação tem importância econômica e social para os pequenos municípios, pois abre perspectiva de ocupação da mão de obra familiar e se constitui numa alternativa concreta de crescimento para os pequenos produtores.

A terceira mesa do seminário reuniu técnicos da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação, da FAMURS e da Agência de Desenvolvimento do Médio Alto Uruguai que apresentaram os passos para a adesão ao Sistema e os desafios de capacitação dos municípios.

Foto: Seminário na AL-RS nesta quarta-feira (19) | Foto: Guerreiro

*Com informações da AL-RS

Original em http://www.sul21.com.br/jornal/donos-de-agroindustrias-do-rs-avaliam-lei-que-permitiu-abandonarem-clandestinidade/