Ela venceu o câncer de mama e hoje incentiva outras mulheres a se cuidarem
22 outubro 2021 |
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O Outubro foi rosa e suas campanhas mostraram, mais uma vez, que a prevenção e o diagnóstico precoce são os meios mais eficazes no combate ao câncer de mama. Nesta edição do Jornal Visão Regional, você confere o depoimento de uma mulher vitoriosa na luta contra a doença. Graciele Almeida de Lima, hoje com 36 anos, enfrentou há oito sua batalha contra o câncer. Uma história que poderia ser sinônimo de tristeza, mas não para ela, que encarou todas as etapas do tratamento com força e determinação.

“Em 2013, já deitada na minha cama, senti um carocinho no meio do seio. Então, apalpei novamente, e naquela noite, não conseguia mais dormir, pensando no que havia descoberto. Já no dia seguinte, fui ao posto de saúde, e a enfermeira que me examinou disse que realmente parecia ser um nódulo. Então, me encaminhou ao médico, que pediu exames e disse que realmente achava que era câncer. Procurei um mastologista na cidade de Passo Fundo, que fez uma biópsia por punção com agulha fina – em que se coleta um líquido do tumor – e, quando veio o resultado, deu que era benigno (porém, a biópsia estava errada). Mandou-me para casa e disse que dali a um ano era para eu repetir os exames (ultrassonografia mamária e a mamografia) e voltar lá; se tivesse crescido muito, ele iria retirar; se não, era para deixar ali, pois era ‘benigno’. Então passou-se um ano, eu fui fazer os exames, e o médico que estava fazendo a ultrassonografia mamária ficou chocado que eu estava sem tratamento todo aquele tempo. Então, ele fez uma nova biópsia de emergência por punção com agulha grossa – em que também se coleta um fragmento do tumor, e encaminhamos para patologia novamente. Depois de dez dias, veio o resultado: carcinoma ductal infiltrante e invasor”, relata.

Segundo Graciele, o dia do diagnóstico foi um dos piores de sua vida:

“Foi o pior dia da minha vida. Eu peguei o resultado da biópsia, passei na casa de uma amiga, e fomos pesquisar na internet o que aquele nome grande significava. Não era nada bom, só dizia coisas horríveis ali, que era agressivo, muito grave etc, e isso me assustou mais ainda. Então, fui para casa e comecei a ligar para a minha família, mãe, irmãos, pra todos os meus amigos. Tive de dar a notícia aos meus filhos que, na época, o mais velho tinha 14 anos, a do meio, 12, e o mais novo, 7 aninhos. Eu queria desabar, mas não podia fazer isso na frente deles, então decidi que eu só iria chorar e quando estivesse sozinha e não perto deles”.

Com o diagnóstico em mãos, era hora de erguer a cabeça, começar a luta pela vida e ir em busca da cura através dos tratamentos. No seu caso, sempre foi com apoio da família.

“Já diagnosticada, era hora de começar o tratamento. Iniciei na oncologia do hospital São Vicente de Paulo, em Cruz Alta. Consulta, inúmeros exames, e a médica me encaminhou para a cirurgia. Fiz mastectomia radical esquerda – removeram o meu seio esquerdo todinho, e esvaziando axila, pois havia nódulos nas axilas e braço. Depois de me recuperar da cirurgia, voltei à oncologia com novos exames, em que a médica me falou que eu iria ter de fazer quimioterapias.  Ao receber essa notícia, posso dizer que este foi o pior segundo dia da minha vida, pois sabia que ia ser terrível. Comecei as ‘quimios’ já no outro mês, fiz ao todo oito sessões, sendo quatro vermelhas e quatro brancas. Fazia uma a cada 21 dias.”

“Quando fui fazer a primeira quimioterapia, a médica e as enfermeiras me explicaram tudo como iria ser, o que iria acontecer com meu corpo e tudo o mais. E então, começamos a próxima batalha. Mas digo que esta batalha não enfrentei sozinha, busquei força em Deus e, com certeza, na minha família, principalmente nos meus filhos. A minha luta era para viver e estar do lado deles, e cada vez em que eu pensava em desistir, ou que achava que fosse morrer mesmo, eu pensava neles, que eu tinha de ficar boa para criá-los. Não imaginava um filho meu chorando pela minha falta. Minha família, mãe e irmãos, foram essenciais: minha mãe me cuidou no hospital durante os dias de pós-cirurgia, e nas minhas quimioterapias, ela vinha sempre que conseguia pra me ajudar, me dando força diariamente. Presentes ou longe, me ajudaram muito, e também não imaginava minha mãe me perdendo, pois na minha cabeça, uma mãe nunca deveria perder um filho. Além da família, meus amigos foram muito importantes, estavam sempre lá em casa me distraindo com algo. A cada quimioterapia, ia uma amiga minha junto, uma a cada vez. Isso foi tão, mas tão importante pra mim, que elas foram anjos enviados por Deus pra me ajudar a passar por aquilo. Sozinha, não sei se conseguiria. Pessoas, pelas redes sociais, me chamavam e me davam tanta força, e todos sempre com uma palavra boa que acalentava meu coração.”

A perda do cabelo é uma das fases mais difíceis para a mulher durante o tratamento, e para Graciela, não foi nada fácil. Mas ela, sempre ciente de que isso iria acontecer, não impediu que a tristeza estivesse no dia a dia.

“Eu posso dizer que essa parte foi a mais triste pra mim porque eu sempre fui muito vaidosa: sempre cabelão comprido, cuidava muito dos meus cabelos, não foi nada fácil pra mim essa etapa do tratamento. Quando fui fazer a primeira quimioterapia, a enfermeira sentou na minha frente e me disse: ‘Graciele, daqui a uns quatorze dias, vai começar a cair teu cabelo’. E foi exatamente no décimo quarto dia que acordei com muito cabelo grudado na fronha do travesseiro. Foi horrível. Eu não queria nem sair da cama, me olhava no espelho e não me via mais, e dessa forma, ‘me caiu a ficha’ de que, realmente, eu estava com câncer e que só iria piorar. Então, cortei o meu cabelo curtinho, que foi caindo, caindo, até que tive de raspar todo ele. Uma das minhas amigas foi à minha casa raspar para mim. Foi o terceiro pior dia da minha vida. Mas, naquele dia, eu olhei novamente para os meus filhos e surgiu uma vontade de viver imensa: eu precisava ser forte! Não podia cair em choro e mostrar minhas fraquezas na frente deles. Como havia prometido [a mim mesma], no outro dia, eu já coloquei um lenço lindo na cabeça e saí, e a partir daí, usava e abusava dos lenços e perucas.”

Com o passar dos meses, e com os tratamentos sendo realizados, Graciele, em 2015, recebeu a notícia de que tanto esperava: a que estava curada.

“Desde 2013, ao notar o nódulo no meu seio, passar por cirurgia, oito quimioterapias, 28 seções de radioterapia que agrediram muito o meu corpo e meu organismo, terminei em agosto de 2015 o tratamento. Refiz todos os exames, voltei à oncologia e a médica me disse que eu não tinha mais câncer. Foi a melhor notícia da minha vida. Eu saí ligando e contando para todo mundo que eu estava curada. Foi lindo, foi muito emocionante, foi inesquecível! Todos vibrando junto comigo, graças a Deus, e desde então, faço acompanhamento e tratamento até hoje. Tomo remédio diariamente para que o câncer não volte, faço exames rigorosamente e retornos à oncologia de seis em seis meses.

Para encerrar este depoimento emocionante, a vitoriosa Graciele deixa uma mensagem para você, mulher:

“Em primeiro lugar, câncer de mama tem cura, sim. Tem tratamento, mas é uma longa estrada pela frente, cheia de batalhas que parecerão impossíveis de vencer, mas a gente vence uma a uma, com fé, força, vontade de viver, de se curar. Eu venci, demais mulheres venceram. Todas podem vencer essa batalha.

Minha médica oncologista, naquela vez, me disse uma coisa que eu jamais esquecerei e comprovei que é verdade: ‘Graciele, cinquenta por cento da tua cura é aqui comigo, com os remédios que vou te dar, quimioterapias, radioterapias etc. E os outros cinquenta por cento são com você. São a tua vontade de se curar, são a tua cabeça, a tua força e tua fé.’ E realmente foi, e até hoje, quando eu converso com alguém que está passando por um câncer, eu falo isso que a médica me falou, e eu amo falar disso. Porque eu me sinto bem falando e dizendo que você, que está enfrentando essa luta, vai passar por isso, assim como eu passei! Existe aquele ditado que diz: ‘Deus nunca te dará um fardo maior do que você possa carregar’, e olha que, às vezes, eu pensava: ‘Puxa vida, Deus está me confundindo com o Rambo’ (risos). Mas, acreditem nisso, acreditem em vocês. Tenham fé, coragem, vontade de viver, por você e por todos que te cercam. Tenha força e siga o baile! Tem uma vida linda esperando logo, pois quando menos esperar, vem a calmaria, e você vai gritar como eu gritei para o mundo: ‘Eu estou curada!’. Abraços, e que Deus abençoe a todas e todos!