Febre amarela: Secretaria de Saúde desenvolve ações de prevenção
20 janeiro 2018 |
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A febre amarela é uma doença infecciosa grave, febril, aguda, parecida com a dengue, de curta duração (no máximo 10 dias), causada por vírus e transmitida pelo mosquito. Não “passa de pessoa para pessoa”. Letalidade é alta: em torno de 50% dos casos vêm a óbito

Ibirubá – A enfermeira Joice Marques falou à Reportagem sobre o aumento da incidência de casos de febre amarela. Os primeiros casos surgiram no final do ano passado, em Minas Gerais. Surto atinge os estados de São Paulo, Rio de Janeiro Espirito Santo, Minas Gerais e Bahia. São geralmente pessoas residentes em áreas rurais.

Informe da Organização Mundial de Saúde (OMS) considerou o estado de São Paulo área de risco para a doença – endêmica. Boletim epidemiológico do governo paulista divulgado no dia 12 mostra que desde janeiro 21 pessoas morreram em decorrência da febre amarela no estado. Foram registrados 40 casos.

“No nosso estado, é baixo o risco de epidemia”, atenua a Enfermeira Joice, da Vigilância Epidemiológica – Setor de Imunizações da Secretaria de Saúde de Ibirubá. O departamento investigará casos suspeitos que chegarem nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município. Se necessário, haverá coleta de amostras que serão encaminhadas ao Laboratório do Estado (Lacen), ou para o Laboratório Adolfo Luft, em São Paulo.

A profissional da saúde detalha as ações da SMS – especialmente com relação à vacinação –, e diz que é importante informar adequadamente a população. Qualquer cidadão tem direito à vacina, que é de apenas uma dose. Em 2009, quando ocorreu o último surto, a maioria da população do Ibirubá se vacinou.

O público-alvo tem entre 9 meses e 59 anos de idade. As pessoas podem procurar a sala de vacina das UBSs para se imunizar, observando a organização:

  • Postão: sextas-feiras
  • Jardim: quintas-feiras
  • Floresta: quartas-feiras
  • Hermany: segundas-feiras

A SMS pede para que as pessoas o façam preferencialmente pela manhã, já que cada frasco contém dez doses, e depois de aberto perde a validade depois de 6 horas. A contraindicação é para crianças com menos de seis meses, mulheres grávidas, pessoas com mais de 60 anos e imunodeprimidos.

Crianças com 9 meses foram incluídas no calendário básico de vacinação, mas é justamente a vacina contra febre amarela que registra a maior inadimplência dos pais.

O Rio Grande do Sul não registra casos há pelo menos 9 anos. No geral, a cobertura vacinal é 70% da população, incluindo a região Noroeste do RS.

O RS ampliou a vacinação primária contra a febre amarela para a região do litoral, 34 municípios que anteriormente não faziam parte da área de imunização e controle da doença. A medida amplia a vacinação para todos os municípios do estado.

Doença, causa, vetor, tipos

A febre amarela é causada por um vírus (RNA – Arbovírus do gênero Flavivirus). O vetor de transmissão é o mosquito. É uma doença bastante parecida com a dengue quanto à transmissão e aos sintomas.

A febre amarela é classificada no Brasil em dois tipos (devido ao tipo de mosquito transmissor): urbana e silvestre. Os casos do surto atual são do tipo silvestre. O mosquito Aedes transmite febre amarela urbana. Já a silvestre é transmitida por dois tipos de mosquitos: o Haemagogus e o Sabethes, que vivem nas matas.

A febre amarela urbana, cujo hospedeiro é o homem, foi erradicada e teve o último registro no ano de 1942, no Acre. O tipo silvestre tem como hospedeiro o macaco e é mantida controlada. A orientação geral é de atenção especial ao monitoramento, com ajuda da população, à presença de macacos mortos.

A doença apresenta ciclos epidêmicos periódicos, de 7-8 anos. Isso está relacionado a aspectos da imunização: depois do surto, as pessoas deixam de se preocupar, não vacinam mais e a doença volta.

Febre amarela

  • O primeiro registro é de 1685, em Pernambuco
  • O mosquito fica contaminado sua vida toda
  • Não pega duas vezes, o organismo cria anticorpos
  • O macaco também é vítima da doença

Chama a atenção para o índice de mortalidade da doença, em torno de 50%. A pessoa pode adoecer de 3 a 6 dias após a picada, por isso é importante verificar o histórico da doença. A doença é transmissível 24h a 48h antes de aparecerem os sintomas até 3 a 5 dias após o início dos sintomas.

Os registros de mortes por febre amarela aumentam cinco vezes em uma semana, o que forçou o Ministério da Saúde a se posicionar. Desde julho de 2017 foram registradas 35 casos e 20 mortes por febre amarela no Brasil. Há vários outros sendo investigados. A situação é mais grave na região Sudeste, estados de São Paulo (20 casos e 11 mortes), Minas Gerais (11 casos e 7 mortes), Rio de Janeiro (3 casos e 1 morte) e DF (1 caso e 1 morte).

Enfermeira Joice Marques explica que a região é área endêmica desde o surto de 2009

 

Orientações sobre imunização para viagens ao exterior

 Certificado Internacional

São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia, além de vários países que exigem a carteira de vacinação internacional, são áreas endêmicas. As pessoas devem se vacinar dez dias antes de viajar para estes locais, a tempo de que ocorra a imunização.

O Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) é um documento que comprova a vacinação contra doenças, conforme definido no Regulamento Sanitário Internacional. Sua apresentação é necessária para entrar em alguns países e a emissão é realizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Entre os países que exigem o certificado estão Argentina, Austrália, Colômbia, Panamá, Paraguai e o próprio Brasil.

A emissão do CIVP

Os serviços credenciados executam a emissão do Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia – CIVP e demais atividades de orientação aos viajantes sobre cuidados com a saúde.

No entanto, os Centros da Anvisa apenas emitem o CIVP e não realizam a vacinação. A vacina pode ser encontrada em um posto de saúde público ou em serviços de vacinação privados credenciados.

Após a vacinação, o viajante brasileiro poderá realizar o pré-cadastro no site da Anvisa e agilizar o processo de emissão do certificado quando este comparecer ao posto.

A Secretaria da Saúde de Ibirubá tem interesse em instalar uma sala que emita o certificado internacional, e aguarda a tramitação do processo. Já iniciou o processo de credenciamento.