Fechamento da CESA trará gasto de mais de R$ 500 milhões para Estado, diz sindicato
19 dezembro 2017 |
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A companhia está presente hoje em mais de 300 municípios do RS

O governo José Ivo Sartori (PMDB) terá que gastar cerca de R$ 500 milhões para fechar a Companhia Estadual de Silos e Armazéns (CESA), agravando ainda mais a crise financeira do Estado. A advertência é do Sindicato dos Auxiliares de Administração de Armazéns Gerais no Estado do RS (Sagergs). Segundo o sindicato, os custos com o fechamento da CESA incluem demissões, demissões de funcionários temporários (safristas), contratos emergenciais, dívida do estado com a Fundação SILIUS, acordos trabalhistas, além de ações em andamento e encargos tributários e fiscais gerados pelas demissões.

O governo Sartori pretende aprovar Projeto Lei que extingue a Companhia Estadual de Silos e Armazéns (CESA) ainda no fim de 2017. O PL 248/2017 foi encaminhado para Assembleia Legislativa em novembro. A CESA é uma sociedade de economia mista, que tem o Estado do RS como acionista majoritário e está vinculada à Secretaria Estadual da Agricultura.

Ao todo, calcula-se que, com o fechamento da CESA, mais de 150 pessoas ficarão desempregadas. A companhia está presente hoje em mais de 300 municípios do RS. O Estado do RS, assinala ainda o sindicato, tem uma dívida de R$ 32 milhões com a Fundação SILIUS, fundo de previdência dos funcionários da CESA. Essa dívida, diz a entidade, foi originada no Governo Pedro Simon, que recebeu ajuda da Fundação SILIUS para pagar os salários dos funcionários da CESA naquela época.

Para o presidente do Sagergs, Lourival Pereira, ao contrário do que o Governo imagina, o fechamento da CESA vai gerar maior gasto e comprometimento para os cofres do Estado. Segundo ele, além do custo com o fechamento da companhia, o Estado herdará o pagamento dos salários dos funcionários inativos da CESA, pagamento da participação como mantenedora da Fundação SILIUS, além de servidores que possuem estabilidade, totalizando um gasto anual de mais de R$ 20 milhões por ano.

“O Estado terá um gasto mensal a mais com fechamento da CESA de cerca de R$ 2 milhões e deixará de faturar uma receita de R$ 3 milhões e trezentos mil. Num cenário em que não há recursos sequer para salários e 13º dos servidores públicos, o Estado deveria trabalhar para tornar a CESA rentável e auxiliar a economia do Estado”, acrescenta Pereira.

O presidente do Sagers citou a recente obra de aumento do calado do Porto de Rio Grande que vai possibilitar a ancoragem de navios de grande porte, possibilitando que só a unidade da CESA em Rio Grande atinja um faturamento mensal de R$ 1,5 milhão. “Ao contrário do que o Governo Sartori imagina, a CESA não é o problema para o Estado, ela precisa sim de uma restruturação, pois tem mais de dez filiais que dão lucro. Ao contrário, pode auxiliar o Estado a sair da crise, pois ela participa de forma estratégica com a economia do Estado”, defende.

Redação Sul 21. Com informações do Sindicato dos Auxiliares de Administração de Armazéns Gerais no Estado do RS

Foto: Divulgação