Final feliz: conheça a história do cão que ficou mais de uma semana ilhado pela enchente
9 junho 2017 |
Compartilhe:

Para quem não tem esperança, reclama da vida, só vê o viés negativo de tudo, vale a leitura sobre a emocionante história protagonizada pela ibirubense Dalva Arend, os bombeiros de Ibirubá e um valente cãozinho que ficou mais de uma semana ilhado devido à elevação das águas do Rio Arroio Grande.

(veja os vídeos no final da matéria)

Dalva Arend esteve no Jornal Visão Regional esta semana para contar mais detalhes. Conforme ela, tudo começou no dia 27 de maio, quando começou a ouvir em sua residência, em Santo Antônio do Triunfo, interior de Ibirubá, o que parecia ser um choro desesperado de um cachorro. As chuvas da semana haviam sido intensas, fazendo o Rio Arroio Grande transbordar e inundar tudo o que havia em volta (como noticiado semana passada).

Como possui quatro cães em casa e um deles não estava no local, ela associou ao choro e decidiu procurar. Porém, na metade do caminho, com água até o joelho, o cão veio ao seu encontro e voltaram para casa. Mais tarde, o marido supôs que seria o cachorro de algum vizinho, amarrado, a chorar.

Mas passaram-se dias, noites… O choro desesperado do cãozinho atormentava Dalva cada dia mais. Ela pensava no sofrimento do animal e nem conseguia dormir mais direito.

Não suportando mais, decidiu sair novamente para investigar. No último final de semana, ela e a filha de apenas 8 anos decidiram ir pelo outro lado do rio. “Como moro há pouco tempo no local, não conheço direito ali. E, quando soube que não havia morador nenhum daquele lado de onde vinha o som, me desesperei ainda mais. Mas, ia assoviando e, ao longe, ele ia respondendo. Entramos em três matos diferentes, com água até a cintura (o nível da água cobriu quase três quilômetros ao redor do rio) e não conseguimos achá-lo. Como já estava anoitecendo, decidimos voltar para casa, mas no outro dia voltamos, entramos em um mato diferente e finalmente identificamos de onde vinha o choro. O interessante é que vinha do outro lado do rio, já no lado pertencente a Colorado. A correnteza era muito forte, e não parava de chover. Entrei em desespero e até chorei, pois sabia que não ia conseguir atravessar para salvá-lo”, relatou.

Dalva com seu mais novo amigo

Na segunda-feira (5) Dalva comunicou a ong Mi Au Juda e ligou para os bombeiros, que atenderam prontamente. Porém, já era noite e os bombeiros não tem um veículo para levar o barco e fazer o resgate. “Foi talvez a noite mais difícil da minha vida, saber que ele estava lá, passando frio e fome mais uma noite, e eu nada podia fazer. Mas, na manhã seguinte, os bombeiros foram até lá com uma camioneta cedida pelo Viko Bike e Pesca e um caiaque de propriedade do bombeiro Alessandro Diesel, o Pinga. Eles caminharam conosco por três quilômetros com a água batendo na cintura sem reclamar um momento sequer, estavam ansiosos para salvar o bichinho. Devido à grande quantidade de galhos por baixo da água, atravessaram a correnteza com o caiaque (não sendo necessário utilizar o barco) e salvaram nosso amiguinho. Não tenho nem palavras para explicar a emoção de ver ele atravessando o rio e vindo direto para os meus braços quando pisou em terra”, contou, emocionada.

De acordo com Dalva, o cachorro era um filhote de apenas seis meses, da raça Pastor Alemão. O cão era de propriedade de José Giacomolli, conhecido morador do Triunfo há anos – e que curiosamente  mora a sete quilômetros do local onde foi encontrado o animal. Especula-se que o cão tenha caído e sido levado pela correnteza, indo parar do outro lado do rio. Ele passou em torno de dez dias sozinho, ilhado, sem comida e passando frio e, por isso mesmo, estava muito debilitado. Seu Giacomolli, ao saber do resgate do cão desaparecido, a princípio quis levá-lo de volta para casa, mas se comoveu ao ver o choro da pequena Tayla, filha de Dalva. “Ele prontamente disse que podíamos ficar com nosso novo amigo, e então foi uma felicidade sem fim”, relatou.

Agora, o cachorro, já medicado, limpo e alimentado, encontra-se bem, na companhia da pequena Tayla, Dalva e o esposo Querino. Quanto ao nome, ainda não foi decidido: “O antigo dono o chamava de Lobinho, a ong nos sugeriu “Herói”, mas estamos cogitando em chamá-lo de “Valente”, por toda sua raça, garra e força”, falou Dalva.

Ela encerrou a entrevista agradecendo aos bombeiros, ao Viko Bike e Pesca pelo empréstimo do veículo e a José Giacomolli. Porém, faz um apelo: “Gostaria de pedir às autoridades responsáveis que providenciem um veículo adequado para o transporte do barco dos nossos Bombeiros, pois de nada adianta ter o equipamento se não podem transportá-lo. Hoje, a emergência foi com um cachorro, mas amanhã ou depois pode ser com um ser humano. Mas, no mais estamos muito felizes e emocionados, e com certeza iremos cuidar muito bem do nosso novo amiguinho”, finalizou.

 

Bastante debilitado, cão não comia há nove dias

Momento do resgate