Gastos do poder público com diárias chamam a atenção
15 abril 2017 |
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Despesas com diárias de Ibirubá equivalem às de Passo Fundo

Um levantamento do Ministério Público de Contas (MPC), divulgado amplamente dia 28/3 pelo Grupo RBS e Zero Hora, mostra os gastos dos poderes Executivo e Legislativo nos 497 municípios gaúchos no ano passado.

As despesas com diárias vêm sendo chamadas de farra e há quem encare isso como “complemento salarial”, com a maior naturalidade. De posse dessas informações, é importante a população fiscalizar os agentes públicos.

Claro que há trabalhos com mérito e boas intenções, mas o problema é a concessão metódica de diárias apenas como forma de pagamento. Longe do trivial, agora os montantes são significativos, tanto que podem ser comparados a investimentos em demandas de grande significância para as comunidades. Ainda mais quando a municipalidade, por exemplo, se nega a custear até uma passagem de ônibus a paciente que faz tratamento de saúde em Cruz Alta.

Em Ibirubá, os gastos com diárias da Câmara de Vereadores chamam bastante a atenção. O município supera todos os municípios vizinhos com os gastos, até mesmo cidades maiores, como Cruz Alta, Ijuí e Passo Fundo. Pasme-se: segundo o levantamento, o valor gasto em diárias supera até mesmo o da capital gaúcha, Porto Alegre.

Em um comparativo simples entre municípios do mesmo porte, entre 20 e 22 mil habitantes, somente um supera a Pitangueira do Mato nos gastos: o município de Nova Hartz, com R$ 112.0298,44 gastos em 2016.

Pior: em tempos de grave recessão econômica, tudo indica que com a nova gestão da Câmara, ao invés de diminuir as despesas – agir com ponderação, cautela, cuidado, prudência, comedimento, moderação, economia, o que for –, pode sim é majorá-las .

Chama atenção que, em municípios do mesmo porte, como Tapejara e Ivoti, o Legislativo não gastou nem um centavo dos cofres públicos em diárias. Em Soledade, o Executivo também nada gastou, e o Legislativo apenas R$ 15 mil – eis que aquele município tem 10 mil habitantes a mais que Ibirubá.

Os números destes municípios sugerem que os legisladores estão tirando as diárias do próprio bolso – e comprovando seu compromisso com a comunidade. Chamou também atenção nas últimas semanas o fato do vereador selbachense Bonemar Bender (PMDB) ter tentado devolver à Câmara em torno de R$ 400 da sobra de uma diária de ida a Porto Alegre, mas não conseguiu, já que a lei orgânica não permite. Então, em louvável atitude, ele doou o valor à Apae de Selbach. Nestes tempos de degradação ética e moral, o fato virou notícia.

Bonemar afirma que pretende fazer o mesmo sempre que sobrar dinheiro das próximas viagens. A comunidade certamente ficou orgulhosa.

Confira alguns números levantados pelo MPC:

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