Saúde
Gestão plena de Saúde pode ser implantada em Ibirubá
29 julho 2017 | Saúde
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Há algumas semanas, a presidente da Câmara de Ibirubá, vereadora Dileta de Vargas Pavão das Chagas tem procurado inteirar-se acerca de um novo modelo de gestão para a saúde no município: a Saúde Plena. Ela explicou à Reportagem do VR como funciona e como pretende implantar o sistema.

Dileta lembra que a saúde está precária em algumas regiões e que, apesar de Ibirubá ser o 6º município no RS e o 56º no Brasil em qualidade de vida, ainda há muito a melhorar. Como esta sempre foi sua principal bandeira, Dileta foi conhecer como funciona a Saúde Plena nos municípios que a implantaram. O último foi São Borja. Na pioneira Santa Rosa, toda a equipe multidisciplinar foi colocada à disposição de Dileta e de um vereador de Cruz Alta para esclarecer dúvidas.

De acordo com Dileta, a Saúde Plena nada mais é do que gerenciar localmente os recursos estaduais e federais como um todo. “Os recursos vêm direto para o Fundo Municipal de Saúde, e é o próprio município que gerencia o recurso. Consequentemente, vem mais dinheiro. Isso já acontece em Panambi e Santa Rosa, que são considerados modelos em saúde, e, mais recentemente, também em São Borja. Com isso, abre-se um leque de melhorias à saúde no município, e a eficiência irá depender do gerenciamento e vontade do gestor. O município passa a ser o gestor, ou seja, o prefeito e o secretário de saúde irão gerenciar os recursos. E o recurso não vem partilhado, vem em 100% de cobertura, e Ibirubá tem 100% de cobertura de Estratégia de Saúde Familiar (ESF) e 100% de Agentes Comunitários de Saúde nos bairros e no interior”, explicou a vereadora.

Decisão da adminstração

“Se aderirmos à Saúde Plena, os benefícios à comunidade serão inúmeros. Se deu certo nos locais onde já foi implantado, por que não irmos lá copiar e melhorar aqui também? Muitas vezes, encaminhamos pacientes daqui para Santa Rosa, para (você) ver como lá realmente funciona. Precisamos trabalhar com projeção e, para isso, estamos indo buscar projetos em outros municípios. Quando tiver tudo em mãos, vamos colocar nas mãos do prefeito, que é quem vai decidir se vale a pena implantar ou não”.

“Atualmente, temos índice de mortalidade quase zero em Ibirubá. O novo modelo de gestão vai diminuir também o transporte de pacientes a outros municípios. Temos que fazer com qualidade e humanidade. Fazer projeções para preconizar a prevenção. Política para servir, e não ser servido. Temos que melhorar o serviço, e, para isso, temos que ter uma gestão qualificada. E, portanto, o principal pilar é a profissionalização dos profissionais, que devem ser comprometidos com a saúde, até porque a saúde não funciona sem isso. A saúde em Ibirubá já tem um grande diferencial se comparado a outros municípios, mas não que não tenha que melhorar. Temos que ter cada profissional atuando com comprometimento em sua respectiva área, porque sabemos que o servidor público é um servidor do povo. E, infelizmente, há sim aqueles que não atuam com o devido comprometimento”, afirmou a Presidente do Legislativo.

Gestão do hospital

Dileta afirmou que, com a saúde plena, inúmeros benefícios serão trazidos ao município, inclusive ao Hospital Annes Dias. “Já conversei com o administrador do hospital (Odair Funck) e com o Secretário da Fazenda (Jair Scortegagna), que consideram a ideia um grande avanço para a saúde ibirubense. Mas, para que a coisa aconteça, os governantes precisam estar interessados. Na verdade, o Prefeito Abel não disse nem que sim, nem que não, mas isso já é um grande avanço, porque assim tenho esperança de que vai ser possível. Tem de haver um planejamento. Pretendo reunir tudo que for necessário para apresentar ao prefeito, em poucos meses, e a partir disso será só uma questão de gestão. Inclusive, estive em Porto Alegre na semana passada com o Odair e vereador Tuta para tratar sobre outras questões do hospital, mas questionei o secretário adjunto da saúde sobre o tema Saúde Plena, e ele, morador de São Borja, disse ser favorável à ideia, já que naquele município deu certo. É tudo uma questão de gerenciamento, porque, quando se implanta a Saúde Plena no município, os recursos serão gerenciados junto ao Postão, que vai ter que ter um tesoureiro, contador e assessor jurídico, explicou.

Sobre a atual situação do hospital, a vereadora explicou que, atualmente, o município faz repasses para o hospital. Os serviços prestados como plantão e cirurgias, recebem praticamente 100% de honorários do município – incluindo toda a equipe ligada à saúde. Graças a esses repasses, o hospital ainda permanece de portas abertas. “Estamos aguardando um projeto do Executivo para salvar o plantão do hospital. Por isso, pedimos um repasse a mais na Secretaria Estadual de Saúde, pois não adianta ter a base se não tivermos atendimento. Apesar de o projeto ter sido aprovado na Câmara, ainda não foi contratado o médico plantonista. Durante o dia continua sem, somente a noite uma equipe de Passo Fundo faz o atendimento junto ao plantão do hospital”, afirmou Dileta.

Secretária de Saúde em 2018?

No encerramento da entrevista, a Reportagem perguntou a Dileta sobre a aspiração em ser secretária de Saúde no próximo ano. Ela foi categórica: “Se eu disser que não quero ser secretária estaria sendo hipócrita, mas sempre digo que o destino está nas mãos de Deus, e não sabemos o dia de amanhã. A princípio, nunca tinha pensado em ser presidente do Legislativo, e quando me convidaram foi uma surpresa para mim. Acabei aceitando e me desligando da saúde, mas foi como se tivessem arrancado uma parte de mim. Me senti um pouco frustrada, mas aceitei o desafio, pois em um ano muitas coisas podem acontecer”, disse.

“Quem tem a caneta na mão sobre isso é o prefeito, e isso está nas mãos dele, e não nas minhas ou nas mãos de algum partido político. É ele quem vai decidir se as coisas continuam como estão, se ele está satisfeito da maneira como está indo ou não está. E eu digo que a comunidade não está satisfeita com a saúde em Ibirubá hoje. E isso me frustra muito. Tenho que ser sincera, pois não adianta ficar tapando o sol com a peneira, até porque a comunidade me cobra muito e me questiona o porquê de eu ter defendido uma bandeira durante tantos anos e depois ter abandonado ela, mas não abandonei. Vim para cá (Câmara) talvez em primeiro lugar porque Deus quis que eu estivesse aqui pra dar um tempo para mim e também para que, de repente, as pessoas valorizem mais meu trabalho. Mas estou bem tranquila, sei que o único mandato que tenho em minhas mãos é a vereança, porque fui eleita pelo povo e obtive 100% da aprovação dos colegas para ser presidente. Para tanto, tive que pensar muito, pois a princípio não queria, mas aceitei e se aceite vamos fazer por merecer até o final”, encerrou Dileta.

FOTO: Dileta Pavão das Chagas