Ibirubá pode gastar mais de R$ 200 mil por ano com ração para o Canil Municipal
25 março 2017 |
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Licitação do fornecedor ocorre segunda-feira

O fornecedor de ração para o Canil Municipal durante os próximos doze meses deve ser conhecido segunda-feira. Serão comprados 66 toneladas, a um custo total que pode alcançar até R$ 236.700,00. A licitação, na modalidade pregão presencial, irá ocorrer às 9h, na Prefeitura.

O setor de licitações da Prefeitura confirmou algumas informações importantes. Ao todo, são 66 mil quilos de ração utilizados por ano no Canil Municipal, dos quais 6 mil quilos para cães filhotes.

O valor máximo estimado, que pode ser pago, é de R$ 236.760, 00 (R$ 211.800,00 para cães adultos e R$ 24.960,00 para filhotes). Se for contratado o valor máximo, o custo mensal alcançará quase 20 mil reais – só em ração.

Porém, as empresas concorrentes podem oferecer o produto especificado a um preço menor. Se uma empresa de fora ganhar, o dinheiro passará a circular fora de Ibirubá. Os valores são significativos, ainda mais em tempo de recessão econômica e demandas crescentes, especialmente na saúde.

Como a Prefeitura não tem um depósito adequado para armazenar a ração, a tarefa ficará a cargo do próprio fornecedor, que atenderá as solicitações sob demanda.

A Reportagem entrou em contato com a presidente da ong de proteção animal Mi Au Juda, Joseane Kronhardt. O Canil Municipal abriga hoje 400 animais, que consome 175 quilos de ração por dia.

“O canil estará completando, em breve, dez anos de existência. Nos cinco primeiros anos, tirei do próprio bolso dinheiro para todas as despesas com os animais. Após uma determinação do Ministério Público, a Prefeitura assumiu as rédeas das despesas com a alimentação”, lembra Joseane.

Conforme a presidente da ong, atualmente a municipalidade repassa R$ 6.500 mensais para o canil, para pagar quatro funcionários (dois em turno integral e dois em meio turno) e demais despesas administrativas. A ração é fornecida pelo poder público, via licitação, todos os anos.

As demais despesas, como medicação, por exemplo, ainda são custeadas pelas voluntárias, que também arrecadam recursos em eventos beneficentes. Atualmente, elas são doze, trabalhando ativamente e ininterruptamente, 24 horas por dia. “Se não fossem os nossos padrinhos, voluntários e as ações que promovemos, como campanhas, galinhadas, bazares, pedágios e feiras, certamente seria ainda mais difícil manter o canil”, disse Joseane.

Questionada sobre o grande número de animais no canil, Joseane foi taxativa: “Enquanto não houver um projeto de castração dos animais e não conseguirmos entrar nas vilas mais carentes para isso, o número de animais abandonados continuará crescendo. É incrível a quantidade de pessoas que largam animais. Os moradores da cidade largam no interior e vice versa. Por isso mesmo, estamos recolhendo animais somente em casos extremos, como atropelamentos, desnutrição extrema e cadelas abandonadas com filhotes. Nos demais casos, com animais saudáveis, não estamos mais levando para o canil, e sim plantando uma ideia junto aos bairros: o cão comunitário, projeto no qual os próprios moradores se responsabilizam em cuidar dos animais de rua, dando a eles comida e água fresca. Mas, enquanto não houver um projeto de castração, infelizmente a situação não irá mudar, pois o número de animais abandonados e que sofrem maus tratos só aumenta a cada dia. Falta conscientização na população”, destacou.

(foto Ong Mi Au Juda: Reprodução)