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Ibirubense completa um século de vida hoje
5 agosto 2017 | Geral
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Alvina Quadros de Jesus comemora 100 anos neste sábado

Muitos desejam chegar lá, até brincam com isso, mas é privilégio para poucos: completar os cem anos de idade. A expectativa de vida no Brasil atualmente é de 74,68 anos – e percentualmente são raríssimas as exceções que conseguem ultrapassar a marca de um século de existência. Mas, a carteira de identidade não deixa mentir: Alvina Quadros de Jesus completa hoje um século de vida. A Reportagem esteve em sua residência nesta semana, e teve a honra de conhecer esta simpática senhora, que reside junto com a filha Zilda no Bairro Jardim.

Nascida em 04/08/1917 em Carazinho, Dona Alvina teve uma vida difícil: trabalhou arduamente a vida toda na lavoura em São Miguel, interior de Santa Bárbara do Sul. Era a filha mais velha de quatro irmãos. Como a mãe morreu muito jovem, aos 35 anos, foi ela quem criou todos os irmãos.

Apesar de constar as palavras “não alfabetizada” no RG emitido em 1987, a filha Zilda mostrou à Reportagem uma assinatura da simpática senhora – com uma letra muito bonita, diga-se de passagem. “A mãe lê tudo que passa na tela da TV, não sei por que colocaram que ela não é alfabetizada no documento. Deve ser porque não teve a oportunidade de estudar”, disse Zilda.

Aos 20 anos, em 1937, Dona Alvina casou com João Antônio Antunes de Jesus, que faleceu há 24 anos. O casal teve nove filhos: Geni, Teresinha, Gildo, Anildo, Romildo, Zilda, Anilda, Pedro e Zeneide (Teresinha e Romildo já faleceram). Além dos filhos, ela ainda amamentou mais seis crianças. Da união, além dos nova filhos, hoje são 20 netos e 12 bisnetos. Há cerca de um ano, Dona Alvina veio morar com a filha Zilda, hoje com 62 anos, a sexta filha do casal.

São muitas as histórias de uma vida bastante sofrida, toda trabalhando na lavoura. Dona Alvina levava consigo os filhos menores ao trabalho. Colocava-os em uma cestinha no arado ou em sacos adaptados nas costas.

Quando estava grávida de seis meses do filho Pedro, ela foi picada por uma cobra venenosa na lavoura. Perdeu muito sangue e, durante um mês, vomitava sangue diariamente. Aos sete meses de gravidez, nasceu o Pedro – bastante prematuro e muito pequeno. O Pedrinho era tão minúsculo que, quando tinha 4 anos de idade, a mãe o colocava no bolso do casaco para levá-lo junto ao trabalho. Inclusive, guarda até hoje o sapatinho usado pelo filho aos 4 anos: cabe no pé de uma criança de colo. “Todos diziam que ele não ia vingar e não ia sobreviver. Mas, com os cuidados e a fé que minha mãe teve, ele cresceu e se tornou uma pessoa saudável, apesar de pequeno. Nos dias de frio extremo, a mãe enterrava ele na cinza para sobreviver a baixa temperatura”, conta Zilda.

Outra característica marcante da vida de Dona Alvina é sua fé em Nossa Senhora Aparecida, e sua crença na cura através de remédios naturais. “Meu outro irmão sofreu um acidente quando criança: uma carroça passou por cima dele e ele se quebrou inteiro. Como tínhamos poucos recursos na época para custear a medicina, que já era restrita, a mãe curou ele com faixas, remédios caseiros e muito amor e carinho”, detalha a filha.

Apesar de não falar muito, enquanto a filha Zilda contava os “causos”, os grandes olhos azuis da pequena senhora brilhavam e ela sorria, demonstrando que entendia tudo que estava sendo dito e que as lembranças vinham à tona em sua mente.

A filha afirmou também que a mãe, apesar da idade, ainda está com a saúde bastante forte, tomando apenas medicação para a osteoporose. Ela caminha sozinha.

A comemoração pela passagem desta importante data acontece hoje, com almoço festivo em Saldanha Marinho, local onde a maior parte da família está concentrada.