Ibirubense participa de projeto que pode revolucionar tratamento do câncer
14 outubro 2017 |
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Engenheiro mecânico Rodrigo Roesler é um dos coordenadores

Coordenador do Laboratório de Engenharia Biomecânica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), de Florianópolis, o ibirubense Rodrigo Roesler está participando de um grupo de pesquisa que desenvolve o primeiro implante quimioterápico impresso em 3D no Brasil.

Até os 14 anos, Rodrigo residiu com os pais Hélio e Cliane Roesler em Ibirubá e estudou no Colégio Sinodal. A família mudou para Porto Alegre, onde ele concluiu o Ensino Médio, e depois ingressou no curso de Engenharia Mecânica da Ufrgs.

Conforme Roesler, os tratamentos quimioterápicos tradicionais costumam ser muito agressivos e com ação pouco seletiva, o que acaba atacando diversos tipos de tecidos e células e deixa a pessoa bastante debilitada. “Viemos com uma proposta em fazer algo mais localizado, com o objetivo de minimizar o sofrimento dos pacientes. A tecnologia de impressão 3D possibilita modelar o implante conforme a necessidade, para envolver ou ficar próximo ao tumor, permitindo formas de diferentes geometrias complexas e aplicações, propriedades e flexibilidade variada. Essa alternativa é menos dolorosa que os tratamentos mais convencionais, por não necessitar da aplicação dolorida, com necessidade do paciente ser injetado várias vezes. É bem diferente e menos agressivo que nosso projeto, que consiste em colocar uma espécie de pastilha, um tablete, que fica liberando a droga continuamente”.

O implante libera localmente medicamentos quimioterápicos, o que possibilita o tratamento de variados tipos de câncer através da aplicação de remédios no interior do tumor, em suas proximidades ou mesmo onde ele foi retirado. A principal vantagem é diminuir o sofrimento dos pacientes em tratamento de quimioterapia, já que há possibilidade de adaptar o implante às necessidades anatômicas de cada paciente. Já existem produtos similares nos EUA, os chamados “drugs delivery implants”, mas que não são desenvolvidos com a mesma tecnologia.

Na prática, o implante funciona em um processo semelhante a um DIU: aplicado diretamente no local do tumor, vai liberando o medicamento de forma contínua, o que, consequentemente, diminui o número de visitas ao médico e também ameniza o agressivo tratamento quimioterápico tradicional. O próximo passo – e o grande desafio que o grupo terá pela frente – é conseguir a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da agência norte-americana Food and Drug Administration (FDA) para testes desta grande novidade em seres humanos.

O uso dessa tecnologia de impressão tridimensional foi idealizado pelo professor Gean Salmoria, do Núcleo de Inovação em Moldagem e Manufatura Aditiva da UFSC, com a colaboração do Laboratório de Engenharia do Hospital Universitário da UFSC e Departamento de Farmácia da Unisul.

O Departamento de Engenharia Mecânica da UFSC trabalha na área de impressão em 3D desde 1997. Desde 2002 atua na área médica, através da impressão 3D para fabricação de produtos que poderiam servir como implantes para crescimento celular e reparo ósseo. Os pesquisadores são, portanto, pioneiros em inovação na área de impressão 3D médica.

(Foto: Henrique Almeida/Reprodução YouTube)