Ibirubense pesquisa a história da cidade para conclusão de curso
João Sand focou em descobrir e analisar a formação da empresa responsável por formar a Colônia General Osório, hoje Ibirubá, e vender seus lotes para colonos
14 janeiro 2022 |
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Motivado e inspirado nas aulas de um professor da UFSM, o jovem ibirubense João Sand, de 21 anos, decidiu ingressar no segundo semestre de 2017 no curso de graduação em História da Universidade de Passo Fundo. Após anos de estudo, chegou a hora de elaborar o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), e para ele, o foco era saber e conhecer mais da história do seu município, Ibirubá. Questionado do porquê de escolher esse tema, ele diz que se sentia instigado em conhecer a verdadeira história das empresas colonizadoras, as quais vendiam lotes de terras aos colonos que aqui chegavam:

“Meu TCC é intitulado “Uma colônia com um futuro extraordinário: a atuação da Empresa Colonizadora Serafim Fagundes & CIA, na região do Planalto rio-grandense (1898-1904)”. Nele, eu analiso a formação da empresa responsável por formar a Colônia General Osório (hoje Ibirubá) e vender seus lotes para colonos.”

Ele explica o motivo da opção pela temática inspirada na sua terra natal: “Escolhi esse tema pois sempre quis saber a real história de Ibirubá. Havia poucas informações e pesquisas sobre a Colônia General Osório. Um dos únicos materiais a respeito é a “Revista Ibirubá – Pólo regional de integração: ano 35”, produzida em 1990 pela Prefeitura de Ibirubá, e em termos de historiografia, havia até então a dissertação de mestrado da professora Dilce Stümmer. E com a orientação da professora Dra. Rosane Neumann, consegui desenvolver uma pesquisa que pudesse trazer novas informações sobre a Colônia General Osório. Como fontes para esta pesquisa, foram utilizados: o Registro Torrens realizado pela Colonizadora junto à Comarca de Cruz Alta (1904-195), os inventários post-mortem dos sócios da Colonizadora, contratos de compra e venda de terras e jornais disponíveis na Hemeroteca Digital”, explica.

 

Realizando pesquisas durante dois anos sob orientação, João conseguiu trazer novas informações sobre a história da colonização da nossa Terra da Pitangueira do Mato: “Ao longo da pesquisa, pude mostrar que muito do que há produzido sobre a Colônia General Osório estava errado. A colonizadora mencionada até então era a ‘Empresa Colonizadora Dias e Fagundes’, trazendo como sócios o Cel. Serafim Fagundes da Fonseca e o advogado Diniz Dias Filho. Com a pesquisa, descobriu-se que, na verdade, o nome correto era “Empresa Colonizadora Serafim Fagundes & CIA”, fundada em 1898, que além dos dois sócios já mencionados, havia, ainda, o irmão de Diniz Dias Filho, José Annes Dias. Essa empresa adquiriu entre 1898 e 1899 terras de particulares de Cruz Alta, Jaguarão e Passo Fundo, e em 1904, adquiriu 12 mil hectares de terras públicas. Todas essas terras foram fragmentadas e revendidas para colonos migrantes (não imigrantes) oriundos das chamadas colônias velhas”, conta.

“Em 1904, o sócio Serafim Fagundes da Fonseca, que ocupava o cargo de Intendente de Cruz Alta, veio a falecer, fazendo com que a Colonizadora entrasse em liquidação. Com a extinção da Empresa Colonizadora Serafim Fagundes & Cia, os sócios restantes, José Annes Dias e Diniz Dias, formaram a Dias & Dias, a qual possuía o mesmo objetivo da antiga empresa. Após a morte de Diniz Dias, em 1909, considerado o verdadeiro fundador da Colônia General Osório, seu filho, também Diniz Dias, forma com seu tio a Dias & Sobrinho, que passa a administrar a Colônia. Além de analisar as trajetórias e atuações das colonizadoras responsáveis pela Colônia General Osório, também busquei identificar e analisar os interesses políticos e por trás da fundação da Colônia General Osório. A Colônia General Osório foi uma fonte de votos para o Partido Republicano Rio-grandense (PRR) de Cruz Alta. Por meio das ligações políticas (redes), foi possível fundar e desenvolver a Colônia.”

 

Mas qual a finalidade deste TCC? João explica:

“O estudo a respeito da Empresa Colonizadora Serafim Fagundes & CIA, ou melhor, das colonizadoras que administraram a Colônia General Osório, contribui para compreender o processo de migração para as novas Colônias do Planalto Rio-grandense, as relações entre os proprietários de Cruz Alta e Passo Fundo e os empreendimentos coloniais de Colonizadoras particulares ou de sujeitos particulares. Também é possível identificar interesses políticos por trás dos processos de colonização e como as elites políticas articulavam-se em trocas de favores. No caso da Empresa Colonizadora Serafim Fagundes & Cia, podemos ver o interesse do PRR de Cruz Alta em desenvolver a Colônia General Osório para assegurar os votos do partido nas eleições. Por fim, este TCC veio para contribuir para o entendimento do processo de formação e ocupação do território que hoje é Ibirubá”, finaliza.