Agricultura
Inverno: cultura do trigo em pauta na Cotribá
30 abril 2017 | Agricultura
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Depois da supersafra de soja, os produtores já estão de olho no próximo cultivo. Agora o foco são os cereais de inverno, e as estratégias definidas antes do plantio fazem a diferença na hora de colher uma safra que pode variar de péssima a super. Tirando as condições climáticas, são as escolhas que definirão isso, a começar pela variedade.

Na região, o cultivo do trigo predomina. Sendo assim, a Cotribá, em parceria com a Bayer, reuniu produtores na terça-feira, 25, na Asfuca, para uma palestra técnica sobre a cultura do trigo em preparação à safra 2017. O engenheiro agrônomo Carlos Alberto Forcelini apresentou o resultado de diversos estudos realizados em anos bons e ruins para a cultura, demonstrando as principais doenças, condições para o desenvolvimento das patologias e manejos mais eficazes para o controle.

Segundo ele, não se pode afirmar que 2017 será um bom ano para as culturas de inverno, visto que estas dependem muito das condições de tempo e temperatura e as previsões têm variado bastante. No entanto, Forcelini aposta no meio termo, nem tão ruim quanto 2015, nem tão bom quanto 2016. “As altas produtividades do ano passado, quando tivemos 80, 90, até 100 sacas por hectare devem-se principalmente à baixa incidência de doenças. Isso aconteceu porque as condições climáticas foram muito favoráveis, as temperaturas ficaram abaixo da média, ou seja, tivemos um inverno mais frio que o comum, e as chuvas também ocorreram na medida e na hora certa. Então esta safra vai depender muito do volume e distribuição das chuvas e da temperatura”, destaca.

O professor doutor fez questão de enfatizar que sempre aparecerão doenças no trigo, independente do clima. A diferença é que, com o tempo mais quente e úmido, elas aparecem com maior intensidade ou mais cedo. Portanto, o manejo é indispensável. Entre as principais doenças, pode-se destacar o oídio, manchas foliares e ferrugem, que atacam as folhas. Já na espiga, a giberella requer cuidados. A incidência e a intensidade destas patologias também estão diretamente ligadas ao comportamento do clima. Apesar disso, os manejos mostram-se muito parecidos de uma no para outro.

Sobre os fatores necessários para bons rendimentos, Forcelini destaca três componentes principais da produtividade. O primeiro é a população de espigas, que está diretamente ligada à população de plantas, este fator pode ser afetado no plantio por insetos que estejam presentes no solo ou doenças na semente – daí a importância de um bom tratamento de sementes. O segundo ponto é o tamanho da espiga, o que é definido no final do perfilhamento e elongação e sofre influência do que acontece nos primeiros dias de vida da cultura, se o trigo estiver sadio e tiver recebido uma boa adubação as espigas serão de alto potencial.

O terceiro componente é o peso do grão, definido pela área foliar que a planta consegue segurar até o final, sendo que para o trigo produzir bem, ele precisa de pelo menos três folhas sadias por espiga. “As recomendações técnicas para uma safra de trigo satisfatória partem de um bom tratamento de sementes com fungicidas e inseticidas de qualidade e quatro aplicações foliares, uma no perfilhamento, uma na elongação, uma no emborrachamento e a última na floração da cultura”, resume Forcelini.